Marlon Manhani
Talvez amadurecer seja exatamente a afirmação da necessidade de descobrirmos o nosso verdadeiro eu, inventarmos, pela nossa sobrevivência, novas formas de sermos nós mesmos.
As vezes comparo minha vida com a de outras pessoas, e sinto que minha vida é intensa, eu sou uma pessoa intensa! Quando amo, eu amo!! Quando estou triste, sou inconsolável! Quando estou feliz, quase explodo!! Sinto que sinto mais forte. Busco coisas plenas,profundas, mesmo as vezes me achando raso.
Tenho medo,as vezes, de não achar,de não encontrar. Na verdade não sei o que, nem onde, mas eu jurei pra mim mesmo: vou até o fim!!!
A vida é um grande teatro... as pessoas assistem uma peça e se encantam, mas nem imaginam o que se passa por de trás do palco!!
Entre ideias e conceitos diferentes... entre realidades opostas... entre tantas novidades... entre decepções e felicidade… somos apenas equilibristas... tentando chegar vivos a algum lugar e o máximo que podemos é apreciar a vista e sentir a brisa!
Que o passado, seja apenas um breve olhar no retrovisor. Aprenda com seus erros, mas nunca deixe de viver o hoje e olhar pra frente! Continue sua viagem, continue sua vida!
Quantos momentos perdemos, ou quanto tempo se vai de nossas vidas, tentando suprir expectativas, tentado fazer as coisas como todo mundo faz e preconiza ser a maneira certa, ou “ideal”. Quantas pessoas passam e não nos vêem como realmente somos, por insegurança, medo ou por insistirmos em ser “normais”. Mas o que é ser normal? Ser como todo mundo é? Será isso a formula “ideal” pra ser feliz?! Quanta besteira! Quanta perda de tempo! Que maneira mais idiota de nos lapidar!!
O que será, se nos despirmos desse preconceito?!
O que será, se tentarmos tirar toda o peso da culpa?!
O que será, se não deixarmos as expectativas do mundo sufocar o nosso desejo, a nossa essência?!
O que será, se sairmos dessa zona de segurança, que se torna a cada dia mais, uma prisão do nosso verdadeiro eu?
Penso em tentar, ao menos por um tempo, assim como uma criança adquiri confiança para conseguir andar, deixar de lado o peso de todo exterior e exteriorizar o interior.
E mesmo caindo, levantar e continuar tentando, até que a força dessa prisão psíquica, perca intensidade em face a tudo que podemos ser.
Fazer o que se deseja fazer e empreender de plena alma. Se concentrar naquilo, em cada detalhe e deixar ser!
2- ESCOLHA ENTRE “VOCÊ” E VOCÊ MESMO.
Já se pegou conversando consigo mesmo? Debatendo ideias, se condenando ou justificando?
Isso acontece porque temos 2 níveis de consciência. O primeiro nível é consciente e o outro subconsciente.
O nível consciente é nosso racional, é exatamente ele que esta lendo esse texto, analisando as informações, ponderando. Imagine-o como uma pessoa experiente, que analisa as situações, da bons conselhos e quer o seu bem.
Já o nível subconsciente, exerce uma grande influência em nosso ser, ele esta nesse momento descontrolado. É um nível muito profundo da nossa mente. Ele pode ser comparado a um jovem, aventureiro, sem experiência e que esta pronto a te fazer errar e te condenar brutalmente.
Não raro escutamos jargões dizendo que nosso maior carrasco, somos nós mesmos.
Ou que nosso maior obstáculo, esta dentro de nós mesmo.
É muito difícil lidar com esse segundo nível, pois ele esta a todo momento nos bombardeando com informações, imagens mentais, fazendo ligação com nossos piores sentimentos.
Não raro ele faz uma leitura do que esta a nossa volta, e faz uma ligação com nosso banco de dados mental (tudo que vivenciamos e sentimos em nossa vida toda), o que desencadeia sentimentos de angustia, desespero, solidão e inferioridade.
Acredito que uma das piores batalhas que podemos travar na vida, é com esse segundo estágio de nossa mente.
O poder de associação negativa desse nível subconsciente é assustador.
A notícia boa é que, a partir do momento que você consegue enxergar esse nível de função cerebral, você começa a entender o que esta acontecendo dentro de você e aos poucos o racional passa a assumir o controle sobre o “irracional”, o consciente passa a dominar o subconsciente.
Isso pode ser desgastante no início, exige muito esforço e determinação, mas é uma luta que precisa ser vencida para se conseguir paz interior e felicidade.
Vamos entender como podemos domestica-lo.
Inicialmente temos que aceitar que o problema existe, seja lá qual seja.
Após isso analise a situação, tente entender o que de fato aconteceu, os fatores ou atitudes que conduziram a situação ao seu clímax. Isso é muito importante em muitos aspectos, podemos destacar a lição que tiramos ao analisar nossos erros e como isso ajudará a não repetir os mesmos erros.
Se analise, honestamente, racionalmente. Não se justifique, lembre-se que você esta se entendendo e a veracidade é vital para um resultado positivo.
Após analisar friamente a situação, entende-la, passe para o segundo estágio.
Quais as atitudes necessárias para conserta-la? O que eu posso fazer, o que esta ao meu alcance?
Por exemplo, você magoou profundamente alguém que confiava em você e ficou claro nessa auto análise que sua atitudes voluntárias ou não culminaram para o resultado.
Você, exclusivamente você, sabe o que de fato aconteceu. Será que não seria o momento para conversar com a outra pessoa? Falar abertamente que você entende que seus erros a magoaram e que gostaria de, por atitudes, tentar reverter os resultados.
Esse agir é muito relativo ao caso concreto, assim vamos nos concentrar apenas na ideia de: Agir, tomar atitudes concretas para lidar com o problema ocasionado.
Infelizmente em alguns casos, não temos mais o que fazer.
Talvez a solução já não dependa mais de suas atitudes.
Nesse momento é vital a aceitação da situação como ela é!
Entenda que você não esta se acovardando da situação e sim sendo inteligente o suficiente para controlar a situação e não piora-la.
Imagina um cômoda com três gavetas. Dentro da primeira gaveta temos nossas atitudes diárias, que temos que lidar no dia a dia. Na segunda gaveta temos as situações a médio prazo, que exige de nós atitudes não imediatas. Na última gaveta temos os problemas que independem de nossas atitudes ou vontade. De que adiantaria, abrir a terceira gaveta a todo momento? Não seria desgastante ou mesmo atormentador?
Entendendo bem isso, voltamos aos nossos dois níveis de consciência.
Lembra que falamos que nosso subconsciente, insiste em trazer nossos problemas? Insiste em fazer associações que nos causam aflição e dor?
Executando o plano a cima, após reflexão, após analisar a situação, após ter agido ou mesmo a aceitação do não agir, temos que jogar fortemente essa postura para nosso segundo nível de consciência.
Por exemplo, nosso cérebro traz a informação involuntariamente, quando essa informação chega ao seu consciente primário, você impõe fortemente sua recusa, embasada em fortes argumentos já assimilados.
Você irá combater esse gatinho, a cada vez que ele trouxer o mesmo problema, o mesmo assunto, a mesma imagem. Lembre a essa criança mimada interna que os fatos são incontestáveis, irrefutáveis e que você não retroagirá. Se imponha.
Num primeiro momento, seu sub consciente, esse segundo estágio de consciência, vai insistir, vai lutar, como uma criança que quer um brinquedo dentro de um mercado, vai espernear, gritar, se jogar no chão.
Mas gradativamente ele observará que você esta assumindo o controle de você mesmo e essa voz, hoje latente e estridente, aos poucos se silenciará.
Dia a dia, a calmaria irá se instaurar. Esse é o caminho para a paz interior.
Nessa segunda parada, a lição aprendida é que, você tem duas vozes dentro de você. Uma quer o seu bem e a outra esta lutando contra você.
Se observe, entenda o que esta acontecendo, se enfrente, tome uma atitude se for possível ou aceite a situação como ela é, e SE IMPONHA!
3- VOCÊ DENTRO DO TEMPO DA SUA VIDA.
É notória nossa resistência a viver o presente.
Nossa mente a todo instante se desvia do momento presente, onde tudo que é real acontece.
Ela insiste em nos levar para um futuro melhor, onde nossos problemas já estarão resolvidos, onde já teremos alcançado o que desejamos.
Fazemos assim porque isso gera em nós esperança e consequentemente uma sensação de prazer antecipado.
Consegue ver como isso é ilusório?
É irreal viver nossa vida, jogando para uma situação futura a felicidade, ou ainda viver na expectava de que alguém no futuro nos faça felizes.
Esse “tornar-se” feliz no futuro, condiciona nossa felicidade a um determinado resultado. Isso nos causa profunda ansiedade e medo. Nossas expectativas podem não ser atingidas, o que nos causará ainda mais desesperança e dor.
Além disso, nos priva do presente, do que é real.
Caso não entendamos isso, possivelmente nos tornaremos infelizes.
Esse é um fluxo constante, que pode nos tornar pessoas desiludidas.
Já em outro polo, podemos viver revivendo ou reinventando um passado.
Ficar repassando situações vividas, ficar imaginando o resultado de decisões tomadas. Isso também nos priva de viver a realidade, o presente.
Ambas as situações são ilusões. Deixamos de nos conectar com o que é real, com o que de fato temos nas mãos, deixamos de derivar prazer da vida.
Precisamos entender que o que passou, já nos propiciou o máximo da situação em si. Viver no passado é o mesmo que abrir mão da vida e viver aprisionado.
Nesse exato momento, no agora, no presente, que sua história esta sendo escrita! Não deixe de viver esse momento único, que a cada instante, passa!
Esteja presente! De corpo e alma! Foque sua atenção, seu interesse nas situações, nos sons a sua volta. Sinta sua respiração, sinta a energia, a força presente que te faz estar vivo. Observe pessoas, suas ações, reações.
Sim! Você tem tudo que precisa nesse exato momento, viva-o.
Que o passado, seja apenas um breve olhar no retrovisor. Aprenda com seus erros, mas nunca deixe de viver o hoje e olhar pra frente! Continue sua viagem, continue sua vida!
Na busca pela felicidade.
Todo o ser humano é de certa forma, muito parecido.
Temos dentro do nosso ser, do nosso projeto, sentimentos extremamente fortes.
Entretanto você observa pessoas a sua volta que aparentam uma felicidade radiante, enquanto outras demonstram uma insatisfação angustiante.
Ora, se somos fruto de um mesmo projeto, se temos dentro de nós sentimentos basilares idênticos, como explicar essa assimilação e exteriorização diferentes?
Será que existe uma fórmula para ser feliz?
Meu objetivo ao escrever esse pequeno resumo sobre a vida, e a maneira que a encaramos é, poder de alguma forma, compartilhar sentimentos, interpretações, aceitações, desistências e principalmente assimilação do que cada um de nós tem dentro de si.
Não me veja como alguém que tem respostas formuladas ou fórmulas prontas.
Gostaria que me sentisse como um companheiro, andando numa mesma estrada, buscando chegar ao mesmo lugar. Alguém que sente as mesmas coisas, as mesmas euforias, decepções e angustias.
Nada além de um “ébrio”, consciente da sua fraqueza física, que tem aprendido a viver sem álcool e ainda derivar da vida, o que dela pode ser extraído”.
As vezes é difícil, eu sei..
As vezes ficamos fatigados...
As vezes a incompreensão se apodera de nosso ser..
As vezes os pensamentos dominam nosso corpo, nossa realidade, nossa vida..
As vezes tudo que vemos na luz, é a escuridão!
Nos sentimos num beco sem saída, e estamos nesse beco, nem sempre por escolhas, mas simplesmente porque a vida nos colocou ali.
Uma sensação que tudo em sua volta não é real, que tudo esta fora do lugar...
Aquela sensação avassaladora de impotência diante da vida, diante do que se deseja, diante do que se sonha..
Muitas pessoas sentem exatamente isso, em proporções diferentes, mas sentimentos similares.
A coisa mais importante que posso afirmar é que: temos opções.
Não podemos mudar o mundo, mas temos opções para lidar com ele.
Entendendo isso, podemos caminhar em direções assertivas, que nos propiciarão resultados surpreendentes.
Conscientes desse mundo maluco que existe dentro de nós, podemos ser pessoas felizes apesar de situações adversas.
Vamos nesse caminho, ao qual lhe convido a caminhar comigo, passar por 5 pontos de parada.
A cada parada vamos entender um aspecto diferente de nós mesmos e refletir na melhor maneira de lidar com a situação.
Algumas situações ou sentimentos, não podem ser apagados ou excluídos.
Não podemos fazer com nossos sentimentos e pensamentos, como fazemos por exemplo, com um arquivo indesejado de computador, selecionar e jogar na lixeira. Não fomos projetados com essa função.
Isso é algo muito importante a ser entendido.
Logo, se não podemos excluir, entendemos que tudo o que vivenciamos, tudo a que nos expomos, nos acompanharão pelo resto de nossas vidas.
Já tentou apagar alguma lembrança ruim, tentou apagar uma imagem que te causa profunda dor? –pois é! Não é simples assim. Algumas marcas causam profundas dores.
- talvez a perda de alguém que amamos! – talvez a traição daquela pessoa que escolhemos para viver o resto de nossas vidas! Talvez uma violência física e psicológica! – talvez o abandono ou ainda a rejeição!
Realmente não podemos apagar esses sentimentos, mas é certo que podemos canaliza-los de maneira tal a continuar nossa caminhada e ainda sermos felizes.
Esse é o sentido da palavra ressignificação, reescrever dentro de nós a verdade sobre a situação e moldar a maneira que vemos o que nos aflige.
Em alguns aspectos como esses, teremos que ir um pouco mais a fundo, mas em geral, vamos apenas conversar, em cada uma das 5 paradas, como amigos que se olham nos olhos, que se entendem, que se respeitam e principalmente que se acreditam!
As 5 paradas da nossa jornada pela nossa mente, no caminho da felicidade são:
Escolha a sua verdade e seja fiel a ela.
Escolha entre “você” e você mesmo!
Você dentro do tempo da vida.
Reescrevendo sua própria história
Força além do normal
Finalmente, ao chegarmos ao final dessa caminhada, vamos conversar sobre a aceitação (não passividade) e sobre o enfrentamento, consigo mesmo, que mostrará qual a sua verdade, aquela que é encontrada no recôndito silencio do seu ser e que lhe conduzirá ao maior reencontro da sua vida, o reencontro com a pessoa que pode propiciar o maior grau de felicidade e plenitude – você mesmo!
Nosso erro esta em querer colher o fruto da árvore que não plantamos.
Plantar insegurança e querer colher segurança.
Ser feliz e a contemplação da sensação de se estar onde desejamos, com quem desejamos. Isso se chama plenitude!
O espaço que parece vazio
Quando um vínculo termina, quando um ciclo se rompe ou quando uma estrutura que nos acompanhou por anos se desfaz, a primeira sensação que surge quase sempre é a de ausência.
Um silêncio estranho.
Um espaço que antes estava ocupado e agora parece vazio.
Chamamos isso de solidão.
Mas, na maioria das vezes, não é.
Durante muito tempo, esse espaço não era ocupado por amor, paz ou leveza. Ele era ocupado por conflito, por inconformidade, por tensões silenciosas que exigiam energia constante para serem sustentadas.
Mesmo quando tudo parecia “funcionar”, havia um custo interno. Um esforço invisível para se adaptar, tolerar, justificar, suportar.
O ser humano se acostuma até ao que dói.
O corpo, a mente e o sistema emocional aprendem a conviver com o desconforto como se ele fosse parte da paisagem. Com o tempo, o conflito deixa de ser percebido como algo estranho e passa a ser apenas “o normal”.
Quando esse conflito é retirado — quando há um rompimento, uma decisão firme, um limite respeitado — o espaço que ele ocupava se esvazia de repente.
E esse vazio assusta.
Não porque algo bom foi perdido, mas porque algo pesado foi retirado.
A mente, ainda habituada ao ruído, interpreta o silêncio como falta.
O corpo, acostumado à tensão, estranha a ausência dela.
E o coração, desacostumado à calma, pergunta: “o que está faltando?”
Na verdade, nada está faltando.
O que está acontecendo é uma reorganização interna.
Esse espaço aberto não é um buraco.
É um território em limpeza.
É o novo eu se acomodando, recalibrando, reaprendendo a existir sem precisar se defender o tempo todo. É o sistema emocional entendendo que já não precisa permanecer em alerta. É a vida interna se ajustando a um estado mais coerente com quem a pessoa se tornou.
Por isso, esse momento não pede pressa.
Não pede substituições rápidas.
Não pede preenchimentos artificiais.
Ele pede presença.
Com o tempo, aquilo que parecia vazio começa a revelar sua verdadeira natureza: espaço fértil.
Espaço para vínculos mais saudáveis.
Para experiências mais alinhadas.
Para uma paz que não depende de comparação, validação ou resistência.
O silêncio deixa de incomodar.
A ausência deixa de doer.
E o espaço passa a ser percebido como aquilo que sempre foi:
um lugar limpo, pronto para receber apenas o que soma.
Não é solidão.
É libertação em fase de acomodação.
E isso, embora desconcerte no início, é um dos sinais mais claros de crescimento emocional real.
Quando ficar dói menos do que ir…
Quantas vezes você já se perguntou se está sendo paciente ou apenas se anulando?
Se o que você chama de amor é, na verdade, medo de perder?
Se a relação em que você está te traz paz — ou apenas ocupa o vazio de não saber ficar só?
Nem sempre o sofrimento se apresenta como dor explícita.
Às vezes, ele se manifesta como espera, como silêncio, como adaptação constante.
E é justamente aí que mora o perigo: quando ficar parece mais fácil do que se posicionar.
Em algum momento, quase todos nós nos encontramos nesse lugar silencioso.
Não é exatamente sofrimento escancarado.
É algo mais sutil: uma inquietação constante, uma sensação de estar esperando por algo que nunca se define.
E, se você for honesto consigo mesmo, sabe do que estou falando.
Sabe porque sente.
Sabe porque vive.
Você não está ali por falta de amor.
Está ali por excesso de esperança.
Esperança de que a outra pessoa se envolva mais.
Esperança de que se posicione.
Esperança de que, em algum ponto do tempo, ela perceba o seu valor.
Enquanto isso, você adapta o tom.
Reduz a expectativa.
Tolera o que não te faz bem.
Vai ficando.
Não porque está em paz — mas porque sair parece doer mais do que ficar.
O problema é que essa permanência tem um custo silencioso.
Ela vai te afastando de si aos poucos.
Você começa a confundir paciência com renúncia, compreensão com autonegação, maturidade com silêncio.
E o mais desconfortável de tudo é isso:
no fundo, você sabe.
Sabe se existe reciprocidade.
Sabe se há presença real.
Sabe se é prioridade ou apenas conveniência.
Ignorar essa percepção exige esforço.
E é esse esforço diário que cansa, adoece e rouba a alegria de viver.
Quando você finalmente se posiciona — quando escolhe por si, pelo seu equilíbrio emocional — algo estranho acontece.
O barulho cessa.
A expectativa desaparece.
E surge um vazio.
Mas esse vazio não é ausência de amor.
É ausência de conflito interno.
É o cérebro desacostumado ao estímulo da espera.
É a alma respirando depois de muito tempo em tensão.
Esse espaço que agora parece assustador é, na verdade, o primeiro momento de liberdade real.
Antes, ele estava ocupado por algo que não tinha futuro, mas que consumia tudo.
Agora, o terreno está limpo.
E terreno limpo assusta quem nunca se colocou como prioridade.
Mas é nele que você se reencontra.
É nele que seus valores voltam a fazer sentido.
É nele que você para de implorar por presença e passa a escolher companhia.
Esse momento exige coragem.
Exige atravessar a dor de se decepcionar.
Exige sustentar a decisão mesmo quando a saudade tenta te convencer a voltar.
Mas aqui está a verdade que quase ninguém diz com clareza:
A dor de se posicionar é intensa, mas breve.
A dor de não se posicionar é silenciosa — e dura uma vida inteira.
Quando você aceita atravessar esse curto período de desconforto, algo muda para sempre.
Você não aprende apenas a sair de uma relação ruim.
Você aprende a não entrar novamente no mesmo lugar.
Você deixa de negociar a própria dignidade.
Deixa de se contentar com migalhas.
Deixa de chamar de amor aquilo que só existe enquanto você se diminui.
E, a partir daí, tudo muda.
As relações que permanecem são diferentes.
As escolhas são mais conscientes.
A paz deixa de ser exceção e passa a ser critério.
O solo fértil que você preparou não é só para alguém novo entrar.
É para você nunca mais se abandonar.
O que hoje parece perda é, na verdade, o início de uma vida com mais sentido.
Menos ruído.
Menos espera.
Mais verdade.
E isso não é sobre coragem momentânea.
É sobre decidir, uma única vez, que você não será mais refém.
Sobre ficar, quando é hora de ir…
Quantas vezes você já se percebeu aguardando uma mensagem que não vinha,
uma atitude que nunca se confirmava,
uma decisão que sempre ficava para depois?
Quantas vezes você já tentou se convencer de que era só uma fase,
que o tempo iria resolver,
que a pessoa iria mudar?
E, principalmente:
quantas vezes você já permaneceu em um lugar que não te entregava o que você sabia, no fundo, que merecia?
Em algum momento, quase todos nós passamos por isso.
Não é um sofrimento escancarado, não é drama evidente, não é caos.
É algo mais silencioso — e justamente por isso, mais perigoso.
É aquela sensação constante de espera.
De estar sempre aguardando algo que nunca se define.
Uma resposta que não vem.
Um gesto que nunca chega.
Uma decisão que sempre fica para depois.
E, se você for honesto consigo mesmo, sabe exatamente do que estou falando.
Você não está ali por falta de amor.
Está ali por excesso de esperança.
Esperança de que a pessoa se envolva mais.
Esperança de que, em algum momento, ela se posicione.
Esperança de que o tempo resolva aquilo que a outra pessoa se recusa a enfrentar.
Enquanto isso, você vai se moldando.
Ajusta o tom.
Reduz expectativas.
Tolera silêncios que machucam.
Aceita ausências disfarçadas de “fase”.
E vai ficando.
Não porque está em paz.
Mas porque sair parece doer mais do que permanecer.
O problema é que esse tipo de relação não termina de uma vez.
Ela consome aos poucos.
Consome sua energia.
Consome sua autoestima.
Consome sua capacidade de desejar algo inteiro.
Há pessoas que não prendem pelo amor — prendem pela indefinição.
Elas não dizem “não”, mas também nunca dizem “sim”.
Elas cozinham sentimentos em fogo baixo.
Mantêm o outro ali, orbitando, esperando, projetando.
E quem espera demais começa a viver menos.
Começa a adiar planos.
Adiar encontros verdadeiros.
Adiar experiências.
Adiar a própria vida.
O mais cruel é que, com o tempo, você passa a acreditar que o problema é você.
Que está pedindo demais.
Que precisa ser mais paciente.
Mais compreensivo.
Menos exigente.
Quando, na verdade, o mínimo nunca foi entregue.
Existe um momento — silencioso, mas decisivo — em que a gente precisa escolher.
Continuar esperando ou agir.
E agir dói.
Dói se posicionar.
Dói dizer “isso não me basta”.
Dói aceitar que a pessoa talvez nunca será aquilo que você projetou.
Mas essa dor é limpa.
Ela tem começo, meio e fim.
Diferente da dor de ficar, que se espalha, se infiltra, se prolonga.
Quando você se posiciona, algo importante acontece:
Você quebra o ciclo da espera.
E ao fazer isso, você não perde — você abre espaço.
Espaço para relações que não precisam ser adivinhadas.
Espaço para pessoas que sabem o que querem.
Espaço para vínculos onde presença não é esforço, é escolha.
O terreno só se torna fértil quando você para de ocupar espaço com aquilo que não cresce.
Agir não é desistir do amor.
É desistir de ser refém.
É escolher a própria dignidade, mesmo tremendo.
É aceitar o vazio temporário para não viver um vazio permanente.
Porque a verdade — dura, mas libertadora — é simples:
Quem não se posiciona, já escolheu.
E quem espera para sempre, paga com a própria vida.
A falta que sentimos do que ainda não vivemos…
Em muitos momentos da vida, acreditamos estar sentindo falta de alguém.
Mas, se formos honestos e silenciosos o suficiente para observar, perceberemos que não é exatamente da pessoa que sentimos falta.
Sentimos falta da história que começamos a escrever com ela.
Não é ausência.
É interrupção.
A mente humana tem uma capacidade extraordinária de projetar futuros. Antes mesmo que algo exista de fato, o cérebro já ensaiou diálogos, construiu rotinas, imaginou casas, viagens, pertencimento. Criou uma narrativa inteira — sem que nada disso tenha acontecido no mundo real.
A neurociência chama isso de simulação prospectiva.
O cérebro antecipa experiências para se preparar para elas.
Mas, emocionalmente, ele não diferencia tão bem o que foi vivido do que foi apenas imaginado com intensidade.
Por isso, quando algo não se concretiza, não sofremos apenas pela perda de alguém.
Sofremos pela perda de um caminho inteiro que já havia sido aceito internamente como destino.
É o luto do que não aconteceu.
E esse luto é silencioso, porque não há memórias suficientes para justificar a dor.
Há apenas expectativas que não encontraram lugar na realidade.
Mas existe uma segunda camada, ainda mais sutil.
Quando aquilo que imaginamos não se realiza — principalmente quando depende do outro — o cérebro muda de estado. Ele sai do campo do vínculo e entra no campo da conquista.
O que antes era afeto passa a ser desafio.
Isso acontece porque o sistema de recompensa do cérebro, regulado principalmente pela dopamina, não responde apenas ao prazer de ter algo. Ele responde, sobretudo, à possibilidade de obter algo que ainda não foi alcançado.
A ciência chama isso de erro de previsão de recompensa.
Nós nos tornamos mais motivados quando:
• quase conseguimos,
• quando há incerteza,
• quando não está garantido.
O desejo cresce na ausência.
Não porque aquilo seja mais valioso, mas porque ainda não foi resolvido.
Assim, o que parecia amor, às vezes era ativação.
Não era a pessoa que nos prendia.
Era o estado interno de busca.
Quando conquistamos, o cérebro reduz esse impulso — porque aquilo já não exige esforço, já não representa novidade, já não carrega tensão.
E então confundimos estabilidade com perda de interesse.
Na verdade, são sistemas diferentes operando:
O da conquista busca intensidade.
O do vínculo busca continuidade.
Um produz excitação.
O outro produz construção.
Se não soubermos distinguir, passamos a vida tentando reviver o primeiro, incapazes de permanecer no segundo.
Por isso, muitas vezes, queremos mais aquilo que não temos do que aquilo que já está presente.
Não porque seja melhor.
Mas porque o cérebro foi desenhado para perseguir, não para repousar.
E é aqui que mora o equívoco.
Relacionamentos não são metas a serem atingidas.
São realidades a serem habitadas.
Metas terminam quando são alcançadas.
Vínculos começam exatamente aí.
Quando entendemos isso, algo muda.
Percebemos que não estamos tentando esquecer alguém.
Estamos apenas ensinando o cérebro a encerrar uma simulação que continuava rodando sozinha.
Não precisamos lutar contra o sentimento.
Precisamos retirar a energia da projeção.
O que não aconteceu não precisa ser resolvido.
Precisa apenas deixar de ser continuado dentro de nós.
E, pouco a pouco, o desejo deixa de ser urgência.
A ausência deixa de ser falta.
E a mente, que antes insistia em terminar uma história imaginada, aprende a voltar para aquilo que está vivo — agora, concreto, imperfeito, mas real.
Porque maturidade emocional talvez seja exatamente isso:
Parar de confundir intensidade com verdade.
E escolher, conscientemente, aquilo que cresce com o tempo — não aquilo que apenas nos acende por um instante.
