Machado de Assis

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As ocasiões fazem as revoluções.

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

O amor é o rei dos moços e o tirano dos velhos.

Machado de Assis

Nota: Autoria não confirmada.

O amor é o egoísmo duplicado.

Machado de Assis

Nota: Autoria não confirmada.

Não se perde nada em parecer mau; ganha-se tanto como em sê-lo.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

Também a dor tem suas hipocrisias.

Machado de Assis
Helena (1876).

O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se; basta a simples reflexão.

Machado de Assis
Helena (1876).

Dormir é um modo interino de morrer.

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Typografia. Nacional, 1881.

Nota: Trecho ligeiramente adaptado do original "preferi dormir, que é um modo interino de morrer".

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O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto.

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

Amor repelido é amor multiplicado.

Machado de Assis
Miss Dollar (1869).

De todas as coisas humanas, a única que tem o seu fim em si mesma é a arte.

Machado de Assis
A Semana. In: Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 29 set. 1895.

O destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

A vaidade é um princípio de corrupção.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

Suporta-se com muita paciência a dor no fígado alheio.

Machado de Assis

Nota: Versão de trecho do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.

A fortuna troca às vezes os cálculos da natureza.

Machado de Assis
Iaiá Garcia (1878).

Ruínas

(...)
Risos não tem, e em seu magoado gesto
Transluz não sei que dor oculta aos olhos;
— Dor que à face não vem, — medrosa e casta,
Íntima e funda; — e dos cerrados cílios
Se uma discreta muda
Lágrima cai, não murcha a flor do rosto;
Melancolia tácita e serena,
Que os ecos não acorda em seus queixumes,
Respira aquele rosto. A mão lhe estende
O abatido poeta.
Ei-los percorrem
Com tardo passo os relembrados sítios,
Ermos depois que a mão da fria morte
Tantas almas colhera.
Desmaiavam, nos serros do poente,
As rosas do crepúsculo.
“Quem és? pergunta o vate; o sol que foge
No teu lânguido olhar um raio deixa;
— Raio quebrado e frio; — o vento agita
Tímido e frouxo as tuas longas tranças.
Conhecem-te estas pedras; das ruínas
Alma errante pareces condenada
A contemplar teus insepultos ossos.
Conhecem-te estas árvores. E eu mesmo
Sinto não sei que vaga e amortecida
Lembrança de teu rosto.”

Desceu de todo a noite,
Pelo espaço arrastando o manto escuro
Que a loura Vésper nos seus ombros castos,
Como um diamante, prende. Longas horas
Silenciosas correram. No outro dia,
Quando as vermelhas rosas do oriente
Ao já próximo sol a estrada ornavam
Das ruínas saíam lentamente
Duas pálidas sombras:
O poeta e a saudade.

Machado de Assis
Falenas. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1870.

Depois, querida, ganharemos o mundo!

Machado de Assis

Nota: Trecho de carta para a esposa, Carolina, escrita em 2 de março de 1869.

As pessoas valem o que vale a afeição da gente, e é daí que mestre Povo tirou aquele adágio que quem o feio ama bonito lhe parece.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Não há amor possível sem a oportunidade dos sujeitos.

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).

Umas coisas nascem de outras, enroscam-se, desatam-se, confundem-se, perdem-se, e o tempo vai andando sem se perder de si...

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

A vida é boa.

Machado de Assis

Nota: Acredita-se que essas tenham sido as últimas palavras de Machado antes de morrer.

Um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Escrevia-a com a pena da galhofa e atinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Grande coisa é haver recebido do céu uma particula da sabedoria, o dom de achar as relações das coisas, a faculdade de as comparar e o talento de concluir!

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Typografia. Nacional, 1881.

A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa.

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Typografia. Nacional, 1881.