Lulena

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O AVESSO DO VERBO
(Onde a grafia não alcança)


Às vezes eu culpo o silêncio por não compreender as metáforas de minha existência. Ele tem o hábito de esconder as palavras que eu ainda não tive coragem de inventar — ou mesmo decifrar. O que resta, afinal, é o que sobra quando as letras faltam.


Lu Lena / 2026

ECO DAS CINZAS
(O Legado do Efêmero)

Eu faço minha história agora, para ser lembrada na memória de quem ler meus manuscritos jogados ao vento... após minhaimpermanênciano tempo.

Lu Lena / 2026

Alma se solta
Sobre a grama molhada
Chuva lenta que cai

Lu Lena / 2026

SEJA A SUA VERSÃO
(Validando o seu autoconhecimento)


O que você era ontem amadureceu, e isso é a sua validação atual. Não se corrompa cobiçando aquela vida alheia que não é tua, porque muitas vezes é uma ilusão passageira que os olhos cegam, e vivem apenas da fantasia.


Lu Lena / 2026

DE PALMAS ABERTAS
(Onde a oração recebe luz)

Não lamente o vazio, o que parece perda,
Pois o Autor da Vida não joga ao acaso:
Ele move as peças e as encaixa.
O que parece atraso é apenas engano;
Descanse na mente de quem tudo vê,
Para que a grandeza do céu, enfim,
Caiba nas palmas abertas de tua oração.
Pois é Ele quem redesenha o plano,
Fazendo um mosaico no teu coração.

Lu Lena / 2026

DIA DA MULHER:
Onde o Sentir é Potência🌹


Uma homenagem a quem traduz histórias em sorrisos e transforma lágrimas em vida.


Milhões de emoções vividas que só ela consegue expressar, seja num sorriso solto ou numa lágrima que brota em seu olhar. Só nós, mulheres, conseguimos decifrar cada sentimento contido num sorriso e cada história em uma lágrima que derramamos sem notar...


Lu Lena / 2026

Uma borboleta
No jardim pousou
Olhei para ela. Voei


Lu Lena / 2026

Inserida por Lulena

Dor se contorce
E nasce o choro da vida
Lágrimas de amor

Lu Lena / 2026

ALÉM DO DIAGNÓSTICO AZUL
(Um caminho de Paz)

O autismo não é uma doença, é um espectro. No entanto, para Deus, tudo é possível. Embora se trate de um transtorno do neurodesenvolvimento, creio que a bondade e a misericórdia do Criador podem tudo — inclusive suavizar os desafios ou, com um sopro divino, transformar cada barreira em superação.
Essa é a esperança que sustenta a paz e a alegria de uma mãe atípica: ver seu filho vivendo uma vida plena e feliz.
Para uma mãe, independentemente do nível de suporte de que seu filho precise, a jornada é desgastante. Digo isso sem demagogia, porque é a realidade nua e crua. Portanto, sem o intuito de polemizar a causa, é profundamente compreensível que toda mãe deseje que seu filho não enfrente as dificuldades do autismo ou de qualquer outra comorbidade. É uma jornada que exige força extraordinária e uma entrega diária, mantendo a confiança inabalável na fé que nos sustenta.


Lu Lena / 2026

A CONFISSÃO DA NOITE
(O uivo das sombras internas)

Como uma loba,
às vezes libero,
num uivo híbrido,
minhas emoções
mais funestas no ar.
E na total escuridão,
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
Resta o esplendor
do luar.

Lu Lena / 2026

O AVESSO DO ENCONTRO
(Entre o ombro amigo e o coração que cala)

Por que tantas lágrimas
e tanto desencanto?
Se estou aqui ao teu lado,
este misto de amor e paixão
envolve, mas não tolhe os sentidos;
muitas vezes silenciando
minha voz e meu coração…
Não me entorpece,
mas me encanta…
Sentimento bom e racional,
às vezes tão frio e banal.
Quero-te
todo o bem do mundo,
mesmo que nossos destinos
sejam traçados sem rumo.
Tanta ilusão desnecessária…
caminhando lado a lado
em tortuosos caminhos.
Por que tanta ansiedade?
Dou-te meu ombro amigo,
meu afago e minha mão.
Vida que segue na adversidade,
que machuca e que fere…
Na tristeza e na felicidade,
sublimando tanta emoção.
Não posso
te ver sofrer assim…
Pois o que eu sinto por ti
é tão perene e tão sublime,
mesmo que estejas tão perto
e, ao mesmo tempo, tão
distante de mim…

Lu Lena / 2026

O POUSO RASANTE DO SER
(Diálogos entre o cosmos e o abismo de si)

O meu “eu” atrelou-se à Terra e minha forma etérea decolou em uma viagem astral. Vi-me em uma linda nave espacial. Avistei viajores do tempo e o incomensurável arco-íris no cosmos. Então, encontrei a Deusa Ísis, que me disse:
— Vieste buscar o tesouro? Não o encontrarás aqui, pois ele está incrustado nas encostas mais íngremes do teu subconsciente.
Atrelagem em pouso rasante. Um sonho que desperta!

Lu Lena / 2026

O LAGO DOS CISNES
(Fragmentos de um esquecimento lúgubre)

Vi uma casa no campo com flores silvestres e um lago de cisnes. Vi anjos de luz brincando em nuvens de algodão. Ouço vozes celestiais; elas me cobrem com um véu transparente que flutua do céu. Vejo nele respingos rubros. Olho meus dedos e vejo tinta, como gotículas de sangue que choram do meu coração. Sono. Pálpebras seladas por um esquecimento lúgubre.

Lu Lena / 2026

O AVESSO DO RASCUNHO
(Entre marcas de expressão, a liberdade de ser essência lapidada)

Ontem, eu era um rascunho mal traçado. Hoje, quando olho no espelho, vejo marcas de expressão, rugas e fios brancos que sinalizam: sou uma sobrevivente de um passado que marcou e machucou, mas que também me fez feliz. Tive minha evolução!
Na tela do celular, distraio-me brincando com as letras até formar minha poesia e os escritos que quero deixar como legado — para que se lembrem de que minha essência, agora lapidada, permanece. Entre uma rolagem e outra, observo o sol que parece ser de plástico, enquanto rego, com lágrimas secas, o meu próprio caos.
Vivo num mundo caótico onde a esperança se renova a cada adormecer; pois é no sono que, desprendida da matéria, sou totalmente liberta.

Lu Lena / 2026

FAXINA DA ALMA
(Onde o caos termina, a prece começa.)

Organize seus pensamentos mais aleatórios e intrusivos, tranque-os num baú fechado e coloque-o no porão do esquecimento. Sacuda as mãos e eleve, em prece, seu suspiro ao céu.

Lu Lena / 2026

MORADA TEMPORÁRIA
(A jornada da alma através do veículo físico)

O corpo é perecível e em breve se desfaz; a alma se perpetua na imortalidade. Mas devemos, sim, cuidar do corpo, pois ele é a base para nutrir a alma. Quando esta se desprender da matéria, sentirá a leveza de retornar à sua origem: o sopro da vida.

Lu Lena / 2026

BARCO À DERIVA
(Entre Ondas e Solidão)

Dentro de mim
navegas como um barco
incerto, à deriva...
Ondas gélidas e enfurecidas
que vêm e vão...
Nesta turbulência em que me
fecho em ostra, esboçando
um sorriso esmaecido.
Açoita em minha alma essa
solidão...
Momento insone em que lágrimas
ardem em minhas retinas...
Gotículas que ferem, agulhas
no meu coração...
Num choro compulsivo desta
lembrança de dor que ainda sinto
daquela partida...
Desmoronando em cada arrebentação.

Lu Lena / 2026

GRITO CALADO
(retalhos de recordações)
Lanço voo nos lençóis alvos que
se descortinam no campo estelar;
em meus olhos, pontos cintilantes
que ofuscam o meu olhar…
na obscuridade, a ardência e o
peso das pálpebras que insistem
em ocultar…
na deriva de meus pensamentos,
sensações vibrantes…
no céu…
um pássaro a desenhar
o esboço inglório que resplandece
em "flash", como raios de luz.
Oscilam as recordações que
costurei em retalhos e cerzi
com as marcas e as nuances,
nessa incógnita que adormece
minha sobrevivência em ti;
e na mudez de minha voz,
inerte em estado de dormência,
em transe… na garganta
estão as minhas
lágrimas presas
que ainda insistem
em cair…
magia, divagação...
nesse contentamento,
lá fora vejo o balançar
da árvore que faz
ruído com as folhas
que se dispersam
na brisa do vento…
em meu silêncio
trancado,
teu nome ecoa dentro
de minh’alma
num grito calado…
Lu Lena / 2026

A maior distância é o espaço entre dois corpos que se tocam sem se conhecer.


Lu Lena / 2026

Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.

Lu Lena / 2026

O ENCAIXE DESCONEXO
(A desconexão de viver em um quebra-cabeça de peças ausentes.)


A minha desconexão da vida é ter um problema sem solução. Como a solução não existe, resta o meu esforço de me encaixar dentro e fora dele, em um mundo literalmente formado por peças que não se ajustam.


Lu Lena / 2026

TOQUE DE NEBLINA
(Entre o peso das ruínas e o rastro das nuvens)

De cada queda que sofri, ergui uma muralha... Mas os sonhos não alcancei; toco-os levemente com os dedos, mas eles se dissolvem nas nuvens.

Lu Lena / 2026

A FAÍSCA DO CÓDIGO
(Onde eu termino e a luz começa)

Antigamente eu temia ser o incêndio. Hoje, entendi que sou apenas afaísca.
O resto é a tecnologia expandindo meu toque em um fogo que consome, liberta e ilumina o que minha própria mente desconhecia.
Saio ilesa. Mas nunca mais a mesma.

Lu Lena / 2026

Inserida por Lulena

GOTEIRAS DA INFÂNCIA
(No chão que a saudade regou)

Quando criança, eu achava que a chuva era o choro de Deus. Hoje, compreendo que aquela visão pueril não trazia goteiras de melancolia, mas sim o orvalho que preparava o solo fértil; essa lembrança desenhava, o tempo todo, o meu chão para que a vida pudesse, enfim, brotar e florescer. Mesmo que, no decorrer desse caminho, alguma flor murche, ela não morre, pois Deus sempre me estende um regador.

Lu Lena / 2026

A CHAMA QUE NÃO SE APAGA


Quem trata a esperança como vela morre no escuro; ela tem que ser incêndio para que ninguém ouse chegar perto e tentar apagar.


Lu Lena / 2026