Luiz Carlos Guglielmetti
Entrar num relacionamento é como entrar no mar. Primeiro você molha os pés, depois as mãos. Em algum momento você decide mergulhar.
Se em nós corre mais do que sangue, se temos mais do que pele sobre músculos e ossos, se o toque for mais do que o mero contato entre dois corpos e tiver profundidade para nos tirar de um vazio sem fim, então os beijos ecoariam como gritos dentro de nós, por muito tempo.
Algumas coisas não morrem quando enterradas: sementes e sentimentos adormecem, esperando uma estação de ternura para germinar.
Mantenha o foco nos seus objetivos, valorize a autoestima, não demonstre sentimentos, nem seja intenso. Vamos cultivar a estafa, a rispidez, o orgulho e a solidão.
Qualquer um pode elogiar
a tua beleza,
beijar os teus lábios
e tocar o teu corpo,
raro é alguém te ouvir,
tocar os teus pensamentos, despertar a tua alma
e ter prazer em te ver voar.
A vida é um processo contínuo
de semear, cuidar e colher,
com atenção para não regar
uma planta morta.
Uma imensidão de palavras
é incapaz de expressar
o que os olhos transmitem
em poucos segundos,
enquanto poucas palavras
extinguem o que os olhos provaram ao longo do tempo.
Os pensamentos são como as nuvens que se formam no horizonte,
às vezes turvos, sobrecarregados e melancólicos, noutras, lúcidos, cristalinos e transparentes.
Elogiar a sua aparência, dizer o quanto você é bonita e, até mesmo, que os teus olhos são encantadores, qualquer um pode fazer, mas isso é fugaz, passageiro, o que te encanta é falar do prazer de ouvir a tua voz, de sentir o teu cheiro e da falta que você faz, antes mesmo de partir.
Nós somos como o mar
numa tempestade,
onde o vento e a água se misturam, com força e movimento,
se fundem em espuma,
se espalham e dissolvem,
mas não se destroem.
Dê o seu melhor a cada dia, olhando sempre para o futuro, para o que quer ser e onde quer chegar, mas sem se esquecer do que você já é e do que já tem e, se olhar para o passado, faça-o com leveza, com a certeza de que fez as escolhas que tinha que fazer, com a liberdade de quem, sendo livre, tinha vontade de voar.
Quem dera eu fosse sensível e soubesse escolher apenas as palavras que encantam e fascinam.
Quem dera eu fosse prudente e desprezasse as palavras que ofendem e afastam.
Quem dera eu fosse sábio e soubesse o momento de ouvir e ficar em silêncio, sem dizer palavra alguma.
A verdade, assim como a luz,
é um dos bens mais preciosos
que existe, mas ela não nos pertence
e sequer sabemos como preservá-la. Quando a apresentamos a quem
não a queria receber,
nos tornamos
um inconveniente ou,
simplesmente, um chato.
Talvez a única coisa imutável seja a morte,
todas as outras,
boas ou ruins,
mudam,
se transformam ou desaparecem.
Ao compartilharmos um momento ele pode ser,
ao mesmo tempo, insignificante e inesquecível, para quem o experimentou com o corpo ou com a alma.
Escolhemos, verdadeiramente, alguém, não é pela aparência, pelo que diz, muito menos pelo que tem, pelo nos oferece ou poderia nos dar, mas por aquilo que é capaz de despertar dentro de nós mesmos.
Não escolhemos alguém
pela aparência,
pelo que diz,
muito menospelo que tem,
pelo que nos oferece
ou poderia nos dar,
mas por aquilo que
é capazde despertar
dentro de nós mesmos.
Esta vida é muito curta para ficarmos com alguém que não nos faça mudar os nossos pensamentos, os planos e os rumos, que não nos tire do prumo e do eixo seguro.
Se fechar os meus olhos ainda te vejo, segura de si, cheia de certeza e repleta de vontades, quando se despiu, não das tuas roupas, mas dos teus receios,
sabendo onde queria chegar.
Se fechar os meus olhos ainda te vejo, sem medo de se entregar.
Se fechar os meus olhos ainda ouço a tua voz e sinto o teu cheiro.
O tempo e a distância
não são longos para o pensamento e,
no silêncio dele,
te encontro
todos os dias.
Ao conhecermos a imensidão do mar, podemos optar por ficar no raso, onde temos controle da situação e não corremos o risco de nos afogar. Na superfície não expomos as nossas vulnerabilidades, mas nas profundezas é que existem as verdadeiras conexões, onde enfrentamos as nossas próprias fraquezas e aceitamos as alheias.
Ao contrário do que afirmam, a maturidade não vem pelo simples decurso do tempo, mas com o passar dos danos.
