Lucci Santz
Verso inquieto, pensamento que voa,
Sou fogo que queima e água que entoa.
Não me prende a superfície,
não me doma a razão,
Geminiana, sou caos e canção.
Âmbar
Então vem, caminha comigo devagar,
No brilho âmbar da alma que insiste em rimar.
Ansiedade é fera, mas eu aprendi
a domar,
Transformei o caos em verso pra poder respirar.
🌙 O Ato de Humanidade
Às vezes, nos perdemos em nossas próprias dores,
sem saber pra onde correr,
sem perceber que o amor também se mostra
no simples gesto de ficar.
Quem não larga tua mão
é parte do milagre.
E quando quem caminha contigo
precisa de ajuda,
tua dor encolhe,
e por um instante
teu olhar se volta pro outro.
Fechei os olhos e me vi sozinha.
Abri... e o coração ainda batia.
Estou só,
mas dentro do peito
existe um universo inteiro.
Às vezes, a maior força está em sentir o outro.. Mesmo quando o mundo inteiro parece distante. 🌌
Pra quem nunca ficou
Você não ficou quando doeu,
nem perguntou se a noite me cabia.
Silenciou quando o mundo caiu,
e apareceu só quando eu fingia.
Disse “felicidades”, mas era medo,
não afeto, nem saudade.
Foi o susto de me ver inteira,
de eu seguir sem tua metade.
Eu esperei no eco do tempo,
no som do que não voltou.
Agora entendo: eu não te perdi,
foi você quem não me encontrou.
Sou feita de restos que insistiram em ficar,
pedaços que o tempo não quis levar.
Metade de mim é calma aprendida,
a outra metade ainda é incêndio que não se apaga.
E quando alguém apaga, tu continua existindo.
Quando alguém foge, tu continua sentindo.
Quando alguém troca de pele, tu continua sendo tu.
Não é fraqueza. É prova de que teu coração é vivo, mesmo depois de tudo que tentaram calar nele.
Um dia, as lembrança não vão ser mais facas.
Vão ser cicatrizes discretas
E você vai respirar sem esse peso atravessando teu peito.
Aprendizado do dia: Pessoas realmente boas são raras. Quando alguém é bom pra você, isso não se explica em palavras, se demonstra. Muitas vezes até assusta, porque a gente não está acostumado a ser bem tratado. Esse cuidado é a forma mais simples e sincera de alguém dizer que se importa. E Deus coloca esse tipo de pessoa na nossa vida uma única vez. Se tiverem a oportunidade, guardem, cativem e cuidem, porque o mundo está cada vez mais sombrio, e uma luz faz diferença.
Gente assim não é perfeita, e nem precisa ser. Carrega uma graça, um tipo de brilho que impulsiona. Não é fácil reconhecer, mas existe uma semelhança divina nisso.
Cultivem o que é bom. Assim como todos passam pela nossa vida, um dia essa pessoa também pode ir, sem deixar rastros. Eu, sinceramente, ainda não encontrei alguém como eu descrevo, mas quando encontrar, não vou deixar ir até Deus levar.
Às vezes, deixamos o que é bom passar porque achamos que não merecemos ou porque perguntamos “por que eu?”. Esqueçam essas perguntas. Vivam o que Deus determinou e não deixem nada estragar isso. Uma luz, no meio da escuridão, salva.
06:52 da manhã de uma quinta-feira, dia 27 de novembro de 2025.
Há vínculos que acabam antes do adeus.
Quando o respeito sai pela porta, o afeto já foi pela janela.
Você é importante demais pra se quebrar tentando reviver o caminho de outra pessoa.
A tua história não acaba na trilha dela.
Saudade do que foi vivido
Sinto saudade não do que faltou,
mas do que existiu inteiro,
do riso que aconteceu sem esforço,
do tempo em que o corpo não doía por lembrar.
É uma saudade estranha,
porque não pede volta,
só reconhecimento.
Ela diz: isso foi real, isso me atravessou.
Tenho saudade do jeito que eu era
quando aquilo cabia em mim,
quando o mundo não pesava tanto
e amar não exigia sobrevivência.
Não é ausência.
É memória viva.
Algo que passou, mas não morreu.
Algo que vivi, e por isso, deixou marca.
Saudade é isso:
não um buraco,
mas uma cicatriz quente
provando que houve vida ali.
Quando alguém se recusa a te conhecer, o limite não está na sua capacidade. Está no medo, na rigidez, no bloqueio do outro. Gente fechada não entra em relação, só deixa gente bater na porta até sangrar.
O mar é abrigo
O mar não pergunta nada.
Não exige explicações,
não pede promessas.
Eu chego cansada
e ele continua ali,
aberto, imenso,
sem se negar.
O mar acolhe até
quem chega quebrada,
com os pés feridos
e o peito cheio de nomes.
Não me diz para ficar,
não me diz para ir.
Ele apenas existe.
E às vezes isso basta:
um lugar que não foge,
que não se fecha,
que não me pede para ser outra.
Apagar o número não apaga o sentimento. Mas corta o acesso automático ao impulso. É a diferença entre sentir dor e se ferir de novo por reflexo.
Hoje, isso é maturidade emocional em modo sobrevivência.
Você não está desistindo de alguém.
Está parando de sangrar pela mesma ferida.
Hoje, o gesto mais difícil e mais digno é amar sem ir atrás, amar sem contato, amar sem se humilhar.
Amor maduro às vezes é só isso. Ficar quieto dentro do peito e não virar ação.
Hoje andei por aí,
sem direção,
passos soltos, peito em contramão.
O dia passou sem me notar,
e eu fingindo que sabia onde chegar.
Vi risos fáceis, certezas demais,
gente inteira, histórias normais.
Eu, meio torta, quase ao avesso,
carregando o mundo em pouco endereço.
Andei pra cansar o que não dormia,
pra calar lembrança que insistia.
Não achei resposta, nem final feliz,
mas voltei inteira do jeito que fiz.
O meu Titanic
Ignorei alertas, pose de aço,
chamei de força o que era cansaço.
O gelo não grita, só sabe esperar,
a gente aprende tarde a escutar.
Quando a água entrou, entrou sem som,
levou certezas, deixou o dom
de entender que afundar não é rendição,
é só mudar, por fim, de direção.
Não era compra
Eu não sei que gesto virou crime
nem em que ponto ajudar ganhou preço.
Só sei que estendi a mão
e alguém chamou isso de troca.
Não era ouro.
Não era dívida.
Não era laço invisível puxando retorno.
Era cuidado cru,
do tipo que nasce quando a gente ama
e vê o outro afundando
sem saber nadar por ele.
Não se compra afeto.
Não se negocia carinho.
Amor não aceita recibo
nem vem com prazo de validade.
Se dei, foi porque tinha.
Se ajudei, foi porque doía ver faltar.
Quem confunde presença com posse
nunca soube o peso de ficar.
Eu não quis ter.
Eu quis amparar.
E se isso virou suspeita,
que fique claro:
Pior que ser mal-entendida
é desistir de ser quem se é.
O barulho
Não é som.
É excesso.
É gente falando por cima,
história torta batendo na cabeça,
telefone vibrando como ameaça,
nomes que não pedem licença.
O barulho não grita.
Ele insiste.
Mói por dentro até o silêncio parecer suspeito.
Tem barulho de culpa que não é sua.
Barulho de versão que você não contou.
Barulho de afeto mal interpretado
virando arma na boca errada.
Por isso o corpo quer fugir.
Não do lugar.
Do ruído.
Porque quando tudo cala,
o gelo começa a derreter
e sobra só o que é seu de verdade.
Sem eco.
Sem defesa.
Sem precisar explicar nada.
O barulho não te define.
Ele só revela
o quanto você precisa de paz
pra voltar a ouvir a si mesma.
