Lucci Santz
“Quase”
Eu quase te liguei
quase fui atrás
quase disse tudo
que guardei em paz
quase fui fraca
quase voltei
quase me perdi
em quem eu já deixei
mas aprendi com o tempo,
sem drama, sem julgamento:
nem tudo que não foi…
foi perda.
o quase também
é livramento.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Quem ama não provoca.
Não faz cena, não disputa atenção, não usa terceiros pra atingir.
Quem ainda joga…
nunca entendeu o que era amar.
E eu?
Ainda sinto.
Mas sentir não me obriga a voltar
pra um lugar que me destrói.
Eu, no date, não jogo pra inflar ego.
Não sou narcisista, não preciso disso.
Quando estou com alguém
eu quero oferecer o meu melhor.
Não pra impressionar,
não por interesse,
Nem esperando algo em troca.
Mas por respeito.
Porque o tempo dela importa.
Porque estar ali comigo é escolha.
E eu valorizo isso.
De verdade.
gentileza não é fraqueza, é controle. É você sentir tudo, perceber a dureza do mundo… e ainda assim não deixar isso te transformar em alguém que você não respeita.
A arte da Paula não se limita à pele, ela atravessa.
Cada traço que ela desenha carrega intenção, história e uma precisão quase ritualística. Não é só tatuagem, é linguagem ancestral sendo reescrita em carne viva.
A tattoo maori exige mais do que técnica. Exige respeito. E Paula entende isso como poucos. Ela não copia, ela interpreta. Ela não marca, ela traduz.
O que ela fez em mim não foi apenas estética. Foi identidade. Foi força. Foi um símbolo que agora respira comigo.
Existe artista… e existe quem transforma pele em narrativa.
Paula é dessas.
E eu carrego isso comigo agora. Permanente. Como tem que ser.
Não insista
Tem lugar
que te aceita…
desde que você se diminua.
E eu tentei.
Tentei caber,
tentei calar,
tentei ficar.
Mas ficar, às vezes,
é só uma forma lenta
de ir se perdendo.
Então eu fui.
Não por falta de amor,
mas por falta de espaço
pra ser quem eu sou.
Criança não entende orgulho,
não entende briga de adulto,
não entende silêncio imposto.
Ela só sente falta.
Sente no vazio da pergunta que ninguém responde,
no “cadê?” que vira rotina,
no abraço que simplesmente parou de existir.
E quem afasta…
acha que tá vencendo.
Mas não percebe que tá ensinando abandono,
plantando insegurança onde só devia ter amor,
e deixando marcas que o tempo não apaga.
Porque criança cresce…
mas o que faltou nela
não cresce junto.
Fica.
E grita em silêncio pro resto da vida.
O tempo não passa - ele cobra.
Ele não espera você se encontrar,
não respeita seu medo,
não negocia com sua dúvida.
Ele ruge.
Enquanto você hesita,
ele arranca pedaços do que você poderia ter sido.
E a vida?
A vida não pausa pra você se organizar.
Ela acontece no improviso,
no erro,
no “vai assim mesmo”.
Tem gente esperando o momento certo.
Tem gente esperando coragem.
Tem gente esperando aprovação.
E tem quem entendeu.
Que o agora é bruto,
imperfeito,
e mesmo assim… suficiente.
Não é sobre dar conta de tudo.
É sobre não se abandonar no meio do caminho.
Porque no fim,
o tempo não leva só os dias.
Ele leva versões suas
que nunca tiveram a chance de existir.
Tem gente que não foi feita pra ficar,
foi feita pra ensinar
o quanto a gente aceita menos do que merece.
Na rede ninguém é um só.
Somos versões. Fragmentos. Edições constantes do que a gente acha que o mundo tolera ver.
Mel
O nome dela escorre lento
tipo coisa que não se esquece fácil
gruda na boca, na mente
e pelo visto… até nos teus dedos.
Mel não chega, invade.
Vem com história torta, vida rasgada,
dessas que o mundo tentou quebrar
e ela devolveu com riso meio louco.
Tem gente que passa…
ela fica.
Nem precisa tocar direito
e já bagunça tudo por dentro.
Teu corpo entrega antes da razão,
teu pensamento trai qualquer juízo,
porque tem gente que não é paz…
é vício com nome bonito.
E o pior?
Você sabe.
Sabe do caos, do passado, das grades,
das vezes que a vida mordeu ela sem dó…
e mesmo assim, tá aí,
respirando ela como se fosse ar.
Mel não é leve.
É doce que queima.
É perigo que chama pelo nome
e ainda te faz sorrir enquanto você cai.
E você cai.
Com gosto.
Decepção
É quando a realidade te dá um tapa com a mão aberta depois de você jurar que era carinho.
É perceber que você não se enganou por ser burra… se enganou porque quis acreditar. E acreditar, às vezes, é o erro mais caro.
É quando alguém te prova, com ações bem claras, que você era opção… enquanto você tratava como prioridade.
E dói mais não pelo que a pessoa fez — mas pelo que você imaginou que ela nunca faria.
Decepção não quebra só o coração, não. Ela corrói a confiança, desmonta tua intuição e ainda deixa aquele gosto ridículo de “eu devia ter visto isso antes”.
E o pior?
Quase sempre você viu.
Só escolheu ignorar porque sentir era mais confortável do que encarar a verdade.
Tem um momento específico que é o mais sujo: quando você entende tudo.
Quando as peças se encaixam e você percebe que não foi azar… foi escolha mal feita.
A sua.
A da outra pessoa.
Um caos compartilhado.
Mas aqui vai a parte que ninguém gosta de engolir:
decepção é um tipo de lucidez. Violenta, sim. Mas limpa.
Ela arranca a fantasia, rasga expectativa, joga luz onde você queria manter sombra.
E por mais que doa, ela te devolve uma coisa que você tinha largado pelo caminho: critério.
Você fica mais fria? Fica.
Mais seletiva? Ainda bem.
Mais difícil de acessar? Óbvio. E talvez seja exatamente isso que te salva da próxima.
Porque no fim das contas, a decepção não te destrói.
Ela só destrói a versão de você que aceitava menos do que merecia.
E essa… sinceramente… já tava pedindo pra morrer faz tempo.
Livro: Textos que Doem e Acordam por Lucci Santz
