Ricardo Louzada

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A Lenda da Velha Programadora de COBOL


Dizem que, nos porões esquecidos de uma antiga repartição pública, ainda ecoa o som de teclas sendo pressionadas... mesmo depois de todos irem embora.


Reza a lenda que, nos anos 70, uma programadora brilhante — e obcecada — trabalhava sozinha madrugada adentro escrevendo linhas e mais linhas de código COBOL para sistemas bancários e governamentais. Seu nome desapareceu dos registros, mas seu legado, não. Ela recusava-se a aceitar qualquer linguagem moderna. “COBOL é eterno!”, sussurrava com os olhos arregalados e mãos calejadas.


Um dia, após uma atualização do sistema que apagaria seus programas legados, ela trancou-se na sala de servidores e... desapareceu. Nunca mais foi vista. Alguns dizem que morreu ali mesmo, em frente a um terminal que ainda pisca uma mensagem enigmática:
PROCEDURE DIVISION.
DISPLAY "I'M STILL CODING..."


Desde então, sempre que alguém tenta migrar um sistema legado sem “respeitar” o código original, o projeto sofre bugs inexplicáveis, falhas repentinas e, em noites silenciosas, escuta-se uma respiração pesada e o som de uma tecla ENTER sendo pressionada... devagar e com força.


Muitos tentaram reescrever o sistema. Nenhum voltou ileso.


Aviso:
Se encontrar um terminal antigo rodando COBOL sozinho no meio da madrugada...
NÃO TENTE INTERROMPER.
A velha ainda está codando.

Por que não falar das flores


Pelos campos há fome em grandes plantações, e é exatamente onde o solo está mais seco de justiça que os passos dela se fazem sentir. Ela não marcha ao lado daqueles que ditam as regras opressoras, nem compactua com as leis que esmagam os esquecidos. A Senhora da Rosa Vermelha caminha pelas margens, recolhendo as lágrimas dos excluídos, acolhendo as vozes silenciadas e estendendo a mão para todos aqueles a quem o mundo, em sua hipocrisia, virou as costas.


Por que não falar das flores? Porque a flor que ela carrega não é um enfeite passivo ou frágil; é um manifesto vivo de sobrevivência. Suas pétalas vibrantes e aveludadas são o abraço incondicional que devolve o amor-próprio e a dignidade a quem foi ferido e humilhado pela sociedade. É o afago quente que conforta o injustiçado. Mas são nos seus espinhos, ocultos, rústicos e implacáveis, que reside a verdadeira lei das sombras. Com eles, ela corta as amarras da opressão, sangra a falsidade dos covardes e devolve a maldade exatamente para a mão de quem a cultivou.


Para esta guardiã, a dor de um protegido não é um destino, é o combustível para o resgate da própria força. Ela não tolera abusadores nem aceita que os seus permaneçam prostrados. Nos ventos que acompanham seu caminhar, ela desfaz as tramas da injustiça e sussurra no espírito de quem vacila o chamado urgente para a ação. Vem, vamos embora, que esperar não é saber.


Quando a escuridão do preconceito tenta dobrar os joelhos dos menos favorecidos, o perfume denso e inebriante do seu mistério anuncia que a balança invisível começou a se mover. Sob o manto da Senhora da Rosa Vermelha, o oprimido enxuga o rosto, ergue a cabeça e descobre que a libertação nasce de dentro, pois quem sabe faz a hora, não espera acontecer.