Jerônimo Bento de Santana Neto

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A família não é uma democracia plena; dar poder decisório a quem não paga boleto é fomentar a tirania infantil.

Há perguntas que não procuram respostas; apenas testemunhas.

O casamento é o atalho mais rápido para o endividamento.

Para uns, fazer o bem é a âncora que dá sentido à vida; para outros, fazer o mal é o próprio combustível da existência.

Elevar o patriarcado à chave-mestra de toda a brutalidade humana é substituir a complexidade do mal por um monismo redutor — uma simplificação que, ao pretender explicar a violência, acaba por aprofundar a guerra dos sexos.

Quanto maior a proximidade entre quem elogia e quem é elogiado, maior a possibilidade de condescendência.

O lugar de fala valida a identidade, mas não garante legitimidade.

Discurso contra o bullying no palco; escárnio da aparência alheia no quarto.

Quem só olha para o que não tem nunca terá nada.

Combater o pior sem esperar o melhor.

A vida sempre se renova; mas nem toda renovação leva ao progresso — algumas nos devolvem ao retrocesso.

Não somos tão otimistas a ponto de acreditar que o progresso tornará o mundo melhor; nem tão céticos a ponto de desistir da esperança de que amanhã seja melhor que hoje.

A memória também é uma disputa de poder.

Para cada narrativa dominante, uma nova estátua.

Obsessão por prevenção, palco da paranoia.

Identidade diferencia; alteridade aproxima.

Somos insubstituíveis para algumas pessoas, mas não indispensáveis à continuidade da vida.

Lucidez no sofrimento, resiliência no tormento.

Até quando a alegria feminina
será lida como: ela queria?

Sorriso não é convite,
liberdade não é serventia.

Nem sempre escrevo o que penso; por vezes, é o senso, o dissenso e o consenso.

⁠Para muitos, a economia da atenção
é o pão na mesa e a conta que chega.


Quem luta pra viver não tem tempo pra política. Não é indiferença, é a vida que não espera.

Na privação, um pão vira refeição;
na abundância, rejeição.

Hoje tudo é política; muita opinião, pouca reflexão — muita superficialidade, pouca profundidade.

Há uma hipertrofia do debate público contemporâneo: convertido em mercadoria pela economia da atenção, o volume de opiniões instantâneas substituiu o tempo necessário ao pensamento crítico.

Onde a primazia é a sobrevivência, a construção social não passa de teoria distante da periferia.