Jerônimo Bento de Santana Neto
A família não é uma democracia plena; dar poder decisório a quem não paga boleto é fomentar a tirania infantil.
Para uns, fazer o bem é a âncora que dá sentido à vida; para outros, fazer o mal é o próprio combustível da existência.
Elevar o patriarcado à chave-mestra de toda a brutalidade humana é substituir a complexidade do mal por um monismo redutor — uma simplificação que, ao pretender explicar a violência, acaba por aprofundar a guerra dos sexos.
Quanto maior a proximidade entre quem elogia e quem é elogiado, maior a possibilidade de condescendência.
A vida sempre se renova; mas nem toda renovação leva ao progresso — algumas nos devolvem ao retrocesso.
Não somos tão otimistas a ponto de acreditar que o progresso tornará o mundo melhor; nem tão céticos a ponto de desistir da esperança de que amanhã seja melhor que hoje.
Até quando a alegria feminina
será lida como: ela queria?
Sorriso não é convite,
liberdade não é serventia.
Para muitos, a economia da atenção
é o pão na mesa e a conta que chega.
Quem luta pra viver não tem tempo pra política. Não é indiferença, é a vida que não espera.
Há uma hipertrofia do debate público contemporâneo: convertido em mercadoria pela economia da atenção, o volume de opiniões instantâneas substituiu o tempo necessário ao pensamento crítico.
