Góis Del Valle
Há quem acorde às seis da manhã disposto a trabalhar, sem imaginar que o verdadeiro desafio do dia não estará nas tarefas, mas na imprevisível cartografia das limitações humanas que dividem o mesmo espaço e, ainda assim, tornam a convivência alheia mais desmotivante pela própria vaidade.
É VEROSÍMIL O LIXO
Autor: Góis Del Valle
É verossímil o lixo
quando repousa onde o deixaram,
sem pedir licença,
sem explicar de onde veio.
Há lixo que chega limpo,
quase intacto,
com aparência de coisa nova.
Mas basta o tempo
para revelar o que guarda.
É verossímil o lixo
que escolhe a sombra dos cantos,
que se acumula longe dos olhos,
onde ninguém costuma procurar.
Há restos que mudam de lugar,
empurrados para debaixo,
para trás,
para dentro de alguma fresta.
Para debaixo do tapete.
Não desaparecem.
Apenas deixam de ser vistos.
O lixo também conhece o momento
de permanecer quieto.
Aprende onde não incomoda,
quando não exala,
quando não chama atenção.
Mas a chuva espalha.
O vento revela.
A maré devolve.
E aquilo que parecia distante
volta para a superfície.
É verossímil o lixo
quando ninguém está olhando.
É ali que ele ocupa espaço,
ali que se acumula,
ali que deixa sua verdadeira marca.
No fim,
não importa o valor da embalagem,
nem o lugar onde foi encontrado ou vendido.
Todo lixo revela,
cedo ou tarde,
aquilo que realmente é.
O PÓDIO QUE MUITOS PROCURAM PARA SEREM VISTOS, JESUS ENCONTROU NA CRUZ PARA NOS SALVAR.
Autor: Góis Del Valle
Muitos passam a vida procurando o pódio.
Jesus também chegou ao seu.
Mas o pódio de Jesus não tinha ouro, aplausos ou troféus. Tinha uma cruz.
Enquanto muitos querem estar no alto para serem vistos, Jesus esteve no alto para se entregar.
O mundo chama de vitória aquilo que nos coloca acima dos outros. Jesus mostrou que, às vezes, a maior vitória é entregar-se por eles.
O pódio de Jesus foi a cruz.
Cada um come a manga como quer. Uns com garfo e faca, outros em cubinhos e outros com a boca, com o apoio das mãos. Porque o prazer de viver também tem seu próprio jeito.
