Góis Del Valle
O caos público é o travesseiro do político, quanto maior o problema, mais ele confia no tempo, na burocracia e nas licitações para transformar tudo em lucro.
Comece a se assistir pelos olhos de quem lhe observa. Na forma de falar, agir, caminhar e silenciar, existe sempre uma imagem sendo traduzida sobre quem se é e como se é interpretado.
Existem famílias em que o sobrenome é compartilhado, mas as almas parecem pertencer a entes diferentes.
Já houve despedidas que representavam epílogos, mas existem despedidas tão iguais quanto necessárias para que não haja desalinho interior.
Há quem faça da paz um objetivo constante, sempre buscando, transmitindo e vivendo em torno desse objetivo… mas quando a paz dessas pessoas é confiscada pela imoralidade, há quem se torne o primo do demônio em segundos.
A PALAVRA SEGUINTE
Autor: Góis Del Valle
Nem quando você perceber.
Perceber não será entender.
Entender fará você duvidar de si mesmo.
Duvidar da própria verdade fará nascer questionamentos.
Questionamentos conduzem às verdades que fazem enxergar.
Enxergar nem sempre é suportar.
Não duvide do amor escondido.
Escondido, ele habita as formas mais simples de sentir.
Sentir não basta para reconhecer.
Reconhecer exige coragem para enfrentar a própria verdade.
Verdade que talvez revele aquilo que você passou a vida inteira
tentando negar.
Negar não muda o que o coração já decidiu.
Prosa Poética
As alturas não revelam quem é melhor; revelam apenas quem, apesar das tempestades, ainda encontrou forças para continuar voando.
Guarde sua arrogância, seu poder e sua falta de amor. No fim, até as raízes mais profundas apodrecem. Humanos e árvores bebem da mesma fonte e compartilham o mesmo destino: secam, caem e viram pó.
Se alguém te disser: “Vai ser assim”, e assim for, veio de alguém comprometido com a própria palavra. Mas, se disser: “Vai ser assim”, e assim não for, veio de alguém que muda os fatos para justificar a própria palavra.
Quando te interpretarem mal, interprete-os precisamente; assim, o lapso de julgamento alheio se revela por si só.
Ser uma grande mulher ou um grande homem pressupõe sustentar o próprio caráter até que não exista mais plateia, aplauso ou reconhecimento. Porque a verdadeira grandeza está em permanecer fiel aos seus princípios, mesmo quando não há recompensa alguma por isso.
Quanto mais pegadas deixamos na areia do tempo, mais distante fica a primeira, não por perder seu valor, mas porque cada passo que damos amplia a distância entre aquilo que fomos e aquilo em que nos tornamos.
Quando você não impressionar mais ninguém, talvez descubra a rara liberdade de já não precisar provar quem é, porque aquilo que verdadeiramente somos não depende do olhar alheio para existir.
Se você permanecer no mesmo palco, repetindo as mesmas palavras e as mesmas pausas, até o aplauso se tornará indiferença, e o que um dia despertou admiração passará a ser apenas repetição.
É de tanto nos acostumarmos com a bondade alheia que, pouco a pouco, deixamos de reconhecer sua raridade e nos tornamos dependentes daquilo que um dia soubemos receber com gratidão.
Nós e os outros carregamos as mesmas imperfeições, mas é na maneira como escolhemos lidar com elas que revelamos a grandeza ou a pequenez de nossa estatura.
Há dois caminhos diante de nós: um exige coragem para sustentar a verdade, o outro exige compromisso para sustentar a escolha. Em ambos, o que realmente importa é aquilo que estamos dispostos a não trair.
Se não semear, não haverá raízes; sem raízes, não haverá frutos; e sem frutos, não haverá colheita. Quem nada cultiva não pode exigir o que nunca plantou.
Quem sustenta a verdade, mesmo quando ela lhe custa, preserva a consciência; quem a abandona para preservar conveniências, perde muito mais do que aquilo que pretendia salvar.
