Giulio Cesare

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Tinha alguém com quem falava, ria, rosnava, chorava, até cuidava e, principalmente, sonhava. Optou por libertar, deixar voar, não por desdém, mas por amor. Não se deve prender uma linda borboleta. A natureza reclama e as flores agradecem.

A vida ensina que algumas pessoas passam, outras permanecem e algumas deixam discretos rastros de luz pelo caminho. Há gestos tão simples que parecem pequenos, mas encontram um jeito de tocar o coração. Em um mundo onde tantos aprendem a disfarçar sentimentos, a espontaneidade de uma criança continua sendo uma das mais belas formas de verdade. Obrigado, Cacá!

Um dia você abre os olhos e vê a luz: nasceu.
Outro dia, acorda e tá na hora de ir ao colégio.
Outro dia, o despertador berra: atrasado para o futebol com os amigos do Clube da Esquina.
Outro dia, desperta ao lado do primeiro amor, depois de muito amor.
Outro dia, de madrugada, o alarme dispara: primogênito com fome.
Outro dia, o celular interrompe a soneca pós-almoço: mensagem da neta distante.
Outro dia, acorda assustado por ter passado do horário dos remédios.
E chega o dia do agradecimento, de abrir os olhos e ver a luz de um novo dia.

Escrevo em frases curtas porque o tempo passa depressa; escrevo para o futuro porque o coração acredita que sentimento não envelhece. Não deixarei fortuna. Deixarei sentimentos, para que amor continue respirando depois de mim.

Ofertar flores será sempre um meio eficaz de quebrar geleiras e superar muralhas, até as da China. Metáforas à parte, o mimo tem por objetivo de sensibilizar e adentrar em corações.
Mas o que importa não são as ofertas, e sim as entregas imateriais: as que nascem de um coração e alcançam outro, na dimensão e na estatura da palavra, sentir.

Aos jovens, uma reflexão de quem se aproxima dos oitenta. Descobriu, já tarde, que a pior pobreza não mora na carteira, mas na falta de amor. Os dias repetem-se entre contas, lembranças e silêncio. Já não espera grandes acontecimentos; pede apenas saúde para não sofrer nem dar trabalho à ninguém. Ainda assim, abre a janela todas as manhãs, faça sol, chuva ou vento. Enquanto houver um amanhecer, a esperança sempre encontrará um jeito de entrar. Talvez porque a esperança também atenda pelo nome de amor.

Não se iluda com imagens, falas bonitas ou escritas inteligentes, nem com presentes e muitas gentilezas. Amor é sentir dentro de nós; não mora nos olhos nem nos ouvidos: mora no coração e fica, mesmo na ausência.