Giulio Cesare
Um ermitão moderno, com celular, perguntou à sua companheira e confidente, mãe natureza: ‘Uma colega ermitã, pelo WhatsApp, está me assanhado em vê-la em sua caverna, social físico de novo, o que acha?’ Resposta: ‘Reza forte!’
Temos que acreditar em nós, em nossa intuição, nossos sentimentos e determinação. Não devemos apenas existir, mas viver! Assim, teremos mais luz, seremos reconhecidos e, sem dúvida, amados e honrados. Seremos felizes!
Para os não ‘Highlanders’ é sempre bom lembrar que, desde sempre - e muitos esquecem - , ao nascer, já entramos numa fila sem evasão . No final, um guichê para receber um ‘ticket’ e saber destino. Às vezes, alguns são chamados passando na frente de todos ou ‘bypassados’. Também surgem os fura-filas que, neste caso, sempre agradecemos. Somente ao se aproximar do guichê, é que boa parte dos enfileirados começa a se preocupar com a informação do destino, que nem sempre é o esperado, ser bem ruim e eterno.
Entre outros dilemas humanos, duas questões filosóficas distintas, que interagem entre si, cujas respostas atormentam a vida e a todos: ser ou não ser e o amor ou o dinheiro.
Dificuldade em enxergar o futuro é um sintoma grave. Significa absoluta miopia do presente, levando à cegueira. A solução não está em óculos, mas na busca de estímulo e objetivos bem definidos para sua vida.
Da classe dos bem-aventurados: aqueles que padecem com a tristeza, mas estimulam a alegria nos outros – e ainda sorriem.
Tudo é tão simples assim: sem bla, bla, bla, muita farofa ou filosofias. Chegar, ficar e partir. Tchau! Fui.....É a vida!
Malandro mesmo é o macaco: de galho em galho, anda a floresta toda, não gasta um tostão, conhece a galera da macacada inteira e ainda deixa de torcicolo os predadores.
Quantos valores que julgávamos ter se perderam com a erosão do tempo, sem que nos déssemos conta, contudo ainda é tempo de resgatá-los.
Não adianta querer antecipar o que tem seu tempo, pular etapas, perder a liga, a consistência e a solidez da construção, não só de uma edificação, mas também de um amor.
A galinha que põe muitos ovos e não cacareja corre o risco de ir para a panela. Outras, que cacarejam muito, põem poucos ovos, mas acabam puxando para si os ovos da outra. Portanto, antes de colocar a galinha na panela, não se guie apenas pelo cacarejo; apure direitinho.
Pavão em cima da árvore; raposa com fome, mas incapaz de subir. Raposa, inteligente, começa a elogiar compulsivamente o pavão, chegando a chamá-lo de 'ave do paraíso'. Em seguida, implora para vê-lo de perto antes de partir. O pavão, vaidoso e narcisista, desce. Imediatamente, a raposa o devora. Conclusão: cuidado com quem elogia demais; pode ser uma raposa.
Mesmo longe, distante, ao sentirmos o coração do outro, vem um desejo imenso de espelhar os olhares, unir os corpos e dizer a uma só voz: te amo!
Cada ano que chega ao final é como uma agenda preenchida, um diário de bordo, registros do exercício de viver. Retrospectando agendas anteriores, cada vez menos registros. Agora é torcer para que, na agenda do novo ano, o dia 31 de dezembro seja preenchido.
Sem neura, mas uma constatação: ao sair de casa nas megalópoles do Brasil, a sensação de que as ruas se tornaram as savanas africanas, onde os munícipes são a caça e, do nada, surgem os leões, famintos, vorazes e soberanos.
Viver sozinho durante muitos anos deixa sequelas, como cacoetes, manias, fobia de perder seu espaço e liberdade, e a mais paradoxal e pior de todas as fobias: continuar e envelhecer sozinho.
Sinais: sim, a vida é feita de sinais gráficos ou sensoriais. Um exemplo clássico são os apitos dos trens antigos, na chegada e na partida. Interessante: na medida do passar dos anos, os apitos da partida ficam cada vez mais intensos.
Frase memorável dita por Rutger Hauer no filme "Blade Runner" (1982): “Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva”. Não só momentos, mas a vida, tão efêmera, tão passageira em relação ao universo como as lágrimas na chuva. Viva!
Ao pensar que, ao ver uma lagarta, nada indica que ela um dia será uma borboleta, não podemos esquecer que o ser humano também está sujeito a metamorfoses. Se fosse para se tornar borboleta, o mundo seria um paraíso ou nirvana, mas, muitas vezes, acabam se tornando bichos peçonhentos.
Bumerangue é uma lâmina de madeira curvada, usada como arma de arremesso pelos aborígenes da Austrália. Particularidade é que lançado, sai girando, gira, gira em curva no ar e retorna ao ponto de partida. Mas se a vida fosse exatamente como um bumerangue?
Havendo um profundo vazio, falta de estímulo, plena apatia e desesperança, olhe para trás. O que sente hoje não é novidade: já sentiu, passou e não estará isento de passar de novo no futuro. A dinâmica da vida é fantástica e caminha sempre em dois sentidos.
O mundo, que hoje está tão estranho com a tecnologia, a ponto de duvidar da própria imagem até no espelho.
