Gilliard Lima

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Tenha ânimo para começar, disposição para continuar e atitude para transformar desafios em conquistas.

A Mestra do Tempo e da Alma


O caos do mundo ruge do lado de fora,
Mas dentro da sala, o seu império é a paz.
Diante da dúvida e do barulho que vigora,
Ela ensina o que o silêncio sábio faz.
Não molda o vento, pois sabe o que é o destino.


Molda a vela do barco que ruma ao saber.
Com paciência, acolhe o jovem e o menino,
E foca apenas naquilo que pode fazer.
Seus dias guardam a força da virtude clara,
Não busca aplausos, honraria ou vaidade.


Na mente firme, nenhuma tormenta para,
Sua maior lição é a própria integridade.
Mestra de si, das palavras e do instante,
Semeia o bem sem cobrar o que vai colher.
Caminha firme, serena e constante,
Mostrando ao mundo o que é vencer

Como estrelas que rompem a noite escura
E bordam de luz o céu de cetim,
Um olhar sincero desfaz a amargura,
Revela um universo que não tem fim.


Não precisa de festa nem de grande alarde,
O milagre habita na curva do olhar.
Faz o peito queimar onde antes era tarde,
E ensina a alma de novo a voar.
Um mero bater do coração compassado,
Um doce suspiro que a alma soltou,
E o que era distante, incerto, passado,
Num verbo presente se transformou.


Assim se faz tudo novo no mundo,
Sem grande alarde, sem medo ou receio:
Basta a verdade num olhar profundo
Para a vida recomeçar pelo meio.

Um rasgo de luz na noite calada,
Como estrela que nasce sem pedir licença:
Assim é a alma flamenca inflamada,
Que transforma a vida onde o mundo silencia.


Não é qualquer som, é ritmo diferente,
É o pulso do peito que acorda no chão.
A cada acorde do violão quente,
Muda-se o fado de uma paixão.
No estralar dos dedos, na força do passo,
A chama convoca uma tal identidade:
Seja o contorno de um denso abraço,
Ou os velhos becos de uma cidade.


Um mero bater do coração compassado,
Um suspiro profundo que o peito soltou...
E o que era apenas um tempo passado,
Num novo universo se transformou.

Curvar-se à hipocrisia dos homens para alcançar o topo é a pior das misérias; quem se vende à vaidade do mundo morre escravo, mesmo que vista seda.

Nenhum futuro está garantido para quem governa baseado na incompetência; o império construído sobre a lama desmorona ao primeiro sopro do destino.

O pecador que hoje triunfa na corte, esquece que não há santo sem passado, e que o tempo devora com a mesma fúria o ouro do tirano e o trapo do mendigo.

Na terra onde o incompetente manda e o honesto é pobre, a maior riqueza do sábio é governar a si mesmo e rir da tolice dos poderosos.

Conquistar o mundo inteiro é apenas uma fração de segundo que se eterniza na história; a verdadeira glória, no entanto, não está em dominar impérios, mas em governar a si mesmo e atravessar a pedra que há no meio do caminho.

O mundo das ideias de um filósofo é tão vasto quanto as terras que um imperador ousa marchar, mas ambos desabam diante da melancolia de um homem que descobre que, no final de tudo, seu nome é apenas um poema esquecido no tempo.

Marchamos com a fúria de Alexandre e buscamos a verdade eterna de Platão, apenas para tropeçar na calçada de Drummond e entender que a maior batalha do homem acontece no silêncio do seu próprio peito.