Veja...
Olhar é sair da própria carne,
É mandar-se para outro ente,
Sem, todavia, abandonar-se.
Missa, a metade?
E o coelho da Páscoa pregando:
Comei, este é o meu ovo trufado;
Bebei, este é meu achocolatado.
Páscoa?
Não demora:
Coelho na cruz,
No lugar de Jesus.
Vitória?
No jogo da vida:
E um novo escore!
Outra vez, da escória!
Amarelando...
No céu da boca,
Dentes são nuvens,
Des... Manchando-se.
Dê a preferência?
Placas são implacáveis...
Mas não sou aplacável,
Apesar de crer em sinais.
Vai que...
Só Deus é santo?
E se eu cantar
Sob Seu manto?
Pé d'água?
Pedágio.
Ágio? Ágil,
Vou a pé.
Sem romance.
Depois de um certo ponto,
A vida não é mais um conto,
É crônica.
Satélite.
Pulso acelerado,
Um punhado de versos,
Meu pequeno universo era teu.
Efeito estufa.
Quando te via,
Quadras de distância,
O calor subia.
Pitada?
Não tenho receita pra nada,
Exceto para bolo de laranja.
Quem quer viver se arranja.
Nauseabundo.
Navios me causam enjoo.
Ou seria o mar?
Ou eu?
Haja...
Nada é como gostaríamos que fosse,
E quando finalmente o é,
Gostaríamos que talvez fosse diferente.
Quaresma.
Agarrado ao crucifixo,
Olhos fixos na cruz,
Pensando no peixe cru.
Só por dentro?
Sou estranho,
Mormente
Nas entranhas.
SUS.
Radiografia mostrou pedras.
Restou ligar o rádio
E ouvir rock.
Nem.
Tudo vai passar?
Isto é ruim.
E bom.
Emerge?
Quarto de plantão,
Plantado,
Esperando que não.
Pastagem?
Eletrocardiograma:
Não, não deu um infarto!
Mandei a morte comer grama.
Grades?
No berço de ferro,
Agarrado à almofada,
Esperando as fadas.
E eu, mudo?
No criado-mudo,
Um mundo criado,
O, sonoro, livro.
É hoje...
Um dia dura uma vida,
Uma vida dura um dia,
Uma vida dura, um dia.
Pra boca.
Não vejo longe,
Preciso de óculos,
Exceto para ósculos.
Miado no peito.
Meu chamaste de gato,
E o peito encheu de felinos.
Tu me tiras o ar como a asma.