Felipe Oliveira
Ser humano: A maior vítima da própria ignorância
Ultimamente tenho refletido sobre os caminhos da humanidade e sua insistência em defender lados, atacar oposições e, ao mesmo tempo, exigir respeito.
Tudo começa entre o lado azul e o lado vermelho. Depois, essa divisão se estende para a religião, para as ideologias e para tantas outras áreas da vida. Defender aquilo em que acreditamos não é errado. O grande problema começa quando a defesa do nosso lado se transforma em um ataque constante à oposição.
Crescemos ouvindo que o voto é individual e particular, que cada pessoa tem o direito de escolher aquilo que acredita ser melhor. Mas, a partir do momento em que transformamos nossas escolhas políticas em ferramentas de ataque, abrimos grandes portas para a ignorância e abandonamos muitas das leis morais que exigimos dos outros.
O mesmo acontece com a religião. Todas são atacadas, comparadas e diminuídas por pessoas que, muitas vezes, esquecem que a fé também envolve liberdade, consciência e particularidade. O ser humano, movido pela ignorância e pelo vitimismo, frequentemente utiliza comparativos religiosos para justificar ataques àquilo que possui costumes, doutrinas e compreensões diferentes das suas.
Queremos respeito pela nossa opinião, mas nem sempre estamos dispostos a respeitar a opinião alheia. Queremos defender nosso ponto de vista, mas muitas vezes acreditamos que, para isso, precisamos diminuir o pensamento de outro ser humano.
E então me pergunto: até quando isso irá continuar?
Ao mesmo tempo, uma resposta surge em minha mente: talvez não haja mudança enquanto o ser humano insistir em viver preso à ignorância, ao orgulho e à necessidade constante de estar certo.
Enquanto defendermos nossas ideias com ódio, transformaremos nossos semelhantes em inimigos. Enquanto exigirmos respeito sem oferecê-lo, continuaremos presos ao mesmo ciclo.
Talvez a maior evolução da humanidade não esteja em descobrir novas tecnologias, criar novas teorias ou conquistar novos espaços, mas em aprender algo que parece cada vez mais difícil: conviver com aquilo que não pensamos, não acreditamos ou não compreendemos.
E talvez seja justamente isso que nunca mudará completamente, pois o ser humano, em sua própria ignorância, continua sendo o maior adversário do seu próprio ciclo.
Os limites da bondade humana
Hoje me peguei pensando em como o ser humano, movido pela própria arrogância, exige as coisas de acordo com sua vontade e no seu momento.
Pede um favor e quer que seja feito imediatamente. Mas, se você não pode atender, passa a ser uma pessoa ruim. Se você atende, tudo parece mudar com um simples "obrigado", como se essa palavra fosse suficiente para apagar a impulsividade, a cobrança e o desrespeito demonstrados anteriormente.
E assim o carrossel continua girando:
Pede, insulta, pede novamente, esquece.
Vive na ingratidão e na certeza de que os outros devem estar sempre disponíveis.
Mas existe algo ainda mais revelador: quando você finalmente recusa, essa pessoa não consegue aceitar um "não". De repente, todos os favores que você já fez deixam de existir em sua memória. O que antes era obrigação sua agora se torna motivo para mais insultos e cobranças.
É nesse momento que você percebe aquilo que talvez já estivesse escancarado há muito tempo: aquela pessoa não enxergava você como alguém a ser respeitado, mas como um burro de carga. Alguém útil enquanto estivesse disposto a carregar os pesos que ela não queria carregar.
Hoje li uma frase que serviu como chave para abrir esse pensamento:
"Cavalo manso, esperto monta em cima."
Uma única interpretação pode revelar inúmeros pensamentos e ocasiões.
Não viva permanentemente à disposição de pessoas que confundem sua bondade com obrigação. Você não precisa se justificar a todo instante. Um "não" já deveria ser suficiente.
Nem tudo precisa acontecer de acordo com a vontade de alguém. Existem limites, circunstâncias e barreiras morais que precisam ser respeitados, mesmo quando não agradam.
Aprenda a dizer não sem culpa.
E, acima de tudo, não se torne tão disponível a ponto de esquecer que você também possui limites. Porque, quando alguém se acostuma com um cavalo manso, dificilmente pergunta se ele ainda está disposto a carregar alguém.
Às vezes, a maior demonstração de respeito por si mesmo é simplesmente parar de oferecer aquilo que nunca foi verdadeiramente valorizado.
