Alexsandro de Lima gomes
Sou eu o louco
por Alexsandro de Lima Gomes
Não sinto angústia,
não sinto inveja,
e nem quero orgulho.
Mas ainda estou sozinho.
Sou um fracasso,
mas me faço de forte.
Não tenho sentido,
mas gosto de lutar.
Não sou cavaleiro,
nem tenho espada.
Mas a verdade,
um dia, vou defender.
Vou proteger.
Mas, ainda, em meu cavalo,
estou sozinho.
Não sei o que fazer,
pois estou contigo,
mas ainda me sinto sozinho.
Um balde,
cheio de água,
mesmo olhando de longe,
ainda parece gigante.
Pois o que eu vejo
me dá medo.
E o que realmente sou
me faz sentir fracasso.
Viver para sempre
é um sonho.
Mas morar no querer
é viver para sempre.
Sinto muito,
mas não consigo.
O que quero
não faz sentido.
E o que faz,
não existe.
Somos loucos,
fantasiados de homens
e amarrados com roupas.
O silêncio canta
em meus ouvidos,
e minha boca se cala
perante a vontade.
Talvez da imagem.
Se pudesse navegar,
estaria em um barco,
escrevendo besteiras
e olhando para o espelho.
Pois, afinal,
sou louco.
E não qualquer tal.
THE REAL VOICE OF POWER
Linda mulher,
dança carinhosamente,
passos elegantes e suaves.
Homens suados,
seguram os rifles,
e apontam a um passo.
Crianças gritam,
passam fome,
esperam que a seca as leve.
Outros, de roupas brancas,
chapéu de marca e sapatos,
que faziam a terra tremer.
A morte ninguém teme.
De verdade, fazendo acreditavas
em minha sintonia.
Raivas esquecidas das mortes vistas pelos olhos dos que caminhavam,
fúria inquieta dos pais que perderam seus filhos.
Mortes desnecessárias,
armas de fogo apontadas para o céu.
A coragem nos olhos deles era nítida e perigosa até mesmo para morte.
Onde estais, nosso Pai?
Por que não impediu isso?
Por que não os castigou?
Ainda sinto o grito daqueles que pedem socorro,
as vibrações dos tiros racham minhas paredes
e quebram meus espelhos.
Coragem mentirosa,
veio aqui
e matou aqueles que protegias.
Como será o choro de uma mãe
após perder seu filho.
Oh, como amavas aquele menino,
como gritavas com ele,
como elogiavas.
O caos tirou daquela mãe
o seu único fruto.
De guerras intensas,
homens marchavam
à frente de seus batalhões.
Muros eram construídos e erguidos,
E escravos, na escravidão, choravam.
Flores desmanchavam,
e lágrimas desciam.
Não foi pela revolução
e nunca existiu renovação.
O homem perdeu a sua moral.
Não existe mais ser puro.
Ainda sinto o ódio
daqueles homens suados.
Linda mulher,
já pare de dançar.
Ninguém mais olha para ti.
Todos eles já fugiram daqui.
Homens suados,
por que marcham?
O que um homem só
poderá fazer por vocês?
