Edna Frigato
Nos poetas a parte que sonha nunca acorda e a parte que está acordada mantém-se permanentemente sonhando.
É ainda no bocejar do dia que a vida faz festa em mim e acorda os sonhos que inocentes dorminharam em minha cama. Sorrio e de braços dados com eles saio para receber o dia que manso como água de riacho está batendo em minha porta. Recebo-o com um sorriso bonito que se estende em mim de leste a oeste e se faz luz na minha boca. Sigo pelas horas a fora com a displicência de quem colhe flores no campo, sem pressa alguma de chegar. No jardim da esperança, colho um punhado delas para enfeitar o altar do coração. Mais adiante esbarro em um raio de sol que como criança sapeca vem brincar com meus cabelos e beijar o meu olhar. Acaricio a poesia singular deste momento e a guardo em minha caixinha de memórias. Olho para o céu com gratidão, com o arrebatamento de quem está sendo agraciada com a maior de todas as dádivas e com o entusiasmo que a vida pede e a fé que o guardião das estrelas espera de mim estendo as mãos como se fosse prece e recebo em meu cerne o milagre que é viver.
Há coisas que só mesmo por amor se faz; que só vindas do amor se sente. Bendito amor, que segue pelos séculos afora fazendo deste mundo um lugar melhor para se viver. Bendito amor que semeia flores nos lugares mais inóspitos e faz da vida um jardim. Bendito amor, que traz dentro de si a semente da renovação, enche de autruísmo essa atmosfera tão carregada de egoísmo e nos faz sermos a única coisa que, de fato, deveríamos sermos: humanos.
Outro dia eu vi uma frase que dizia: "o que você pediria, se a resposta fosse sim?"
Eu pediria um mundo com justiça social. Um mundo, no qual todos, sem exceção tivessem as mesmas oportunidades, um mundo em que a vida fosse gestada no ventre da igualdade, as necessidades básicas de todos fossem prioridade, a liberdade fosse o passaporte que nos levasse além de nós mesmos e os nossos governantes fossem, de fato, nossos representantes legitimados pela verdade. Eu pediria um mundo mais mundo, com pessoas humanas de verdade.
Se for para fazer o bem que venha! Se for para fazer feliz que fique, mas se for para fazer sofrer que nem chegue.
A poesia é a cor que pinta meus sonhos, que aquarela meu olhar e dá cor ao meu sorriso.
É ela que embaralha as letrinhas em meu olhar, rima uma palavra com outra, versa a vida em toda a sua extensão e a distribui em versos.
É a poesia que cadencia o som do mar com as batidas do meu coração e serena se espraia em tudo que o meu olhar toca, tudo que minha alma alcança.
É ainda a poesia que me envolve, ora com serenidade de brisa, ora com a força de uma tempestade até desaguar nos olhos e em cascata escorrer pelas lembranças.
É a poesia que nas noites de solidão acalenta minha alma inquieta, afaga minha saudade e aquece meu coração.
É a poesia que chega com a escuridão da noite e me faz companhia de dia.
É ela que se faz saudade quando a nostalgia puxa a cadeira e sem pressa senta-se ao meu lado.
É a poesia que pinta o quadro do dia com as cores da minha emoção, com as nuances de vida que brilham em cada estação.
A poesia está nas minhas horas de espera, na chegada e na partida, no que sou, no que fui e em tudo que ainda serei.
Que a vida leve minha juventude, a beleza, o frescor da pele, o brilho dos olhos, a agilidade, mas não a essência, a sensibilidade, a capacidade que tenho de enxergar a vida com esse olhar encantado.
É através da contemplação dos pequenos milagres diários que alargamos o horizonte do olhar para apreciar os grandes.
Que 12 de junho seja uma data de comemoração do amor, mas que em todos os dias do ano ele seja cultivado demonstrado e, sobretudo, exercitado.
Que o amor nas suas mais variadas formas esteja presente em todos os dias da nossa vida, preenchendo suas frestas com a sua luz miraculosa!
Fé é a força que nos faz buscar novos caminhos quando o que estamos percorrendo já não nos leva a lugar nenhum.
Assim como as flores recebem o sol com um sorriso, há pessoas que nos recebem (flo)rindo. Dentro do sorriso dessas pessoas há um sol e neles, a gente se sente tão acolhidos, que tem vontade de morar dentro deles.
A mulher é o único ser que ama e odeia ao mesmo tempo, porque é o único que se encanta pelo que não tem fantasiando nele o que queria ter.
Dentro do meu corpo de mulher, tem um coração bobo de menina, sempre pronto para colocar encanto onde a maturidade tira.
Abençoados sejam os que chegam para nos lembrar que braços podem ser amparo, abrigo, proteção; que mãos podem ser cuidado, acalanto; que olhares podem ser acolhimento; que palavras mais que afago são instrumentos de cura; Abençoados sejam os que chegam para nos lembrar que coração também pode ser casa, que é possível nos refugiarmos neles para nos protegermos do frio do medo e do vento da solidão. Abençoados sejam os que chegam para nos lembrar que mais que local de pouso, coração é lugar de fazer ninho; que neles há jardins floridos nos quais podemos repousar os olhos como borboletas cansadas. Abençoados sejam os que chegam para nos lembrar que é possível sim fazer laço lindos com os nós que a vida nos dá.
Enquanto para alguns eu sou sol, para outros sou neblina, porque isso não depende de mim, mas da quantidade de luz que há em seus olhos.
