Edna Frigato
A sabedoria não está propriamente na fala ou no seu oposto. Está na capacidade ímpar de discernir entre um e outro para, na hora exata, empunhá-los com a mesma precisão de uma espada de samurai.
Amar é um processo contínuo de recepção e doação; ganho e perda; erro e acerto; construção e desconstrução; tristeza e alegria; dor e prazer, sem que nunca cheguemos a perfeição. Nesse processo dinâmico de desenvolvimento emocional, algumas pessoas nos estendem pontes, degraus, escadas, que acabam nos levando a outras pessoas, outros olhares, outras paisagens, outros mundos... Quando temos muita sorte, acabamos chegando do outro lado de nós mesmos. Só então percebemos que continuamos inacabados, no entanto, prontos pra continuar com muito mais segurança e consciência do nosso papel na vida de outra pessoa.
Estes meus versos que soturnos singram pelo mar da solidão representam o fracasso do veleiro que, ao se render à tempestade, tornou-se náufrago nos abismos de si mesmo.
Escrever é rasgar o peito, soltar amarras, quebrar os grilhões que aprisionam as emoções. É permitir que os sentimentos voem para além da masmorra de nós mesmos, ganhem significados distintos e façam ninho na singularidade de outros olhos.
A vida é feita de sutilezas: quem não encontra beleza nos detalhes, tampouco, encontrará fora deles.
Pra hoje:
Toda a paz de um dia leve
O sorriso preguiçoso do sol
E uma pitada de poesia
Na minha xícara de café quente.
Nunca! Jamais! Em hipótese alguma faça dieta de amor próprio para se encaixar em sentimentos que não são seu número.
