Edna Frigato
Quando a emoção aflora à pele, inunda os olhos, escorre lentamente pela face até que alcance os lábios, onde é sepultada sob a fria lápide do silêncio.
Ontem já está impiedosamente preso nas teias do tempo. Fatalmente será devorado. O que conta é o hoje, o agora. Se ontem foi bom, repita. Se não foi reinvente!
Meus olhos inundados de saudade inverte o sentido da correnteza, pra te sentir em claridade às margens plácidas do meu peito.
Não são os olhos que determinam o que vemos ou não, é o que há por trás deles. E por trás de cada olhar há um universo construído à partir de suas vivências: crenças, preceitos, conhecimentos, preconceitos... As pessoas só enxergam até onde vai seu mundo interno. Alguns são extremamente reduzidos. Por isso, não espere que olhares rasos te enxergue além da obviedade da superfície.
Se um dia o meu gostar te inquietares e, me perguntares se te amo, responderei. Não com a certeza dos tolos, mas com a certeza de quem sente: eu não te amo! Não te amo por que somos o próprio amor habitando um no corpo do outro.
A temperatura caiu assustadoramente, criando condições propícias para a proliferação de fantasias, sonhos e afins.
Meus olhos são estrelas cadentes riscando o céu na noite escura, perdidos no vazio de ser brilho, sem ter pra quem ou por quem brilhar.
Eu sempre achei que não sou desse mundo. Não tenho dúvida alguma que esse não é o mundo que quero pra viver, ou deixar como legado pro meu filho. Mas, em meio a esse caos ainda encontro pessoas que parecem terem vindo do mesmo lugar que vim. O nome do lugar? Não me recordo. Sei apenas que lá todos tem alma e coração, e que ajudar o próximo não é dever, é satisfação. Lá as pessoas são jardim, de suas bocas abençoadas brotam flores, constantemente visitadas por borboletas e beija-flores.
Assim te olhei pela primeira vez não tive dúvida: Você é um daqueles presentes caros que o Universo não envia duas vezes.
Você sabe que esqueceu, quando distraída olhar para trás e, ver que suas pegadas de mágoa, foram completamente cobertas pelo pó da indiferença.
Às vezes tenho a sensação que não amanheço. Que permaneço irremediavelmente presa na boca escura da noite.
Se me perguntarem o que é paz, talvez eu não saiba explicar. Mas, desconfio que seja um lago, com água tépida e serena, banhado pela sombra prata, de uma enorme lua cheia, com contornos orvalhados de um jasmineiro em flor.
Quando uma situação opressora nos leva ao limite, a única saída é a cartase, para que todos os processos hormonais envolvidos nessa sensação se normalizem e, se estabeleça novamente o equilíbrio emocional.
Lua Serena
Já era quase dia
E a lua
Ainda brincava com
A rendada névoa alva
Que pouco a pouco
Dissolvia-se
Nas cores ígneas
Da manhã
