Dê
Eu tenho amor,
tenho carinho,
tenho ternura,
tenho romantismo e paixão.
Tenho tudo isso guardado,
sobrando no peito,
transbordando nas mãos.
Só não tenho
pra quem doar.
Saul Beleza
De quem eu gosto?
Foram tantas tentativas
de se gostar de alguém...
Mulheres incríveis.
Amei todas,
quando estávamos juntos.
E agora aqui,
perdido,
sem saber de quem eu preciso.
Talvez não seja sobre
de quem eu gosto,
mas sobre quem eu sou
quando não estou tentando gostar de ninguém.
O amor que você deu foi real.
O vazio agora também é.
Respira.
Ele passa,
e te ensina a ficar.
Saul Beleza
Tentei abrir a porta
de um mundo que não era o meu,
forcei a fechadura com a alma,
achei que ali morava o céu.
Entrei descalço, com fé,
achei que era amor,
mas lá dentro não tinha meu nome,
só tinha esplendor que não era pra mim.
Foi tudo ilusão,
um filme lindo que eu criei sozinho.
Eu e você...
dois caminhos bonitos,
mas que nunca se cruzam no fim.
Cada um com seu destino já traçado,
e eu aqui,
aprendendo a fechar portas
que nunca deveriam ter sido abertas.
Saul Beleza
Essas noites de insônia,
não são à toa.
É a cama grande demais
pro meu corpo sozinho.
Esses dias longos,
não é o relógio.
É o tempo que não passa
quando você não tá.
Essa saudade que machuca,
não é drama meu.
É o peito sentindo
o espaço que era seu.
Essa vontade de querer sonhar,
é porque acordado
eu não te tenho mais.
Isso tudo se explica,
nem precisa de muito:
é falta de você.
Só falta de você.
(*Saul Beleza*)
Hoje a ficha caiu,
e com ela caiu a máscara.
Senti vergonha,
vergonha de ter me declarado,
vergonha de ter mostrado tanto,
pra quem queria tão pouco.
Mas aí eu pensei...
Vergonha de amar?
Nunca.
Do amor que sinto por você
eu não me envergonho jamais.
Se for pra me arrepender de algo,
que não seja de ter amado demais.
Porque te amar em silêncio,
te amar sem plateia,
sem retorno,
sem promessa...
foi a coisa mais verdadeira,
mais bonita,
e melhor que eu já tive em vida.
(*Saul Beleza*)
Vou fazer um rango aqui...
Não vai ser um banquete,
sem toalha de linho,
sem taça cara.
Mas vai ter cheiro de casa,
panela chiando,
arroz soltinho.
Será o suficiente
para que eu me sinta um rei.
Rei do meu cantinho,
do meu prato simples,
da minha paz.
(*Saul Beleza*)
Eu não digo "o amor chegou".
Eu digo:
o MEU amor chegou.
Estou aqui,
olha pra mim,
meu amor.
Não é qualquer amor,
é o meu,
feito do seu jeito,
com seu nome,
com seu cheiro.
Chegou e ficou aqui,
na porta do seu coração,
esperando você abrir.
(*Saul Beleza*)
Um dia Deus soube de mim.
E agora o que eu faço?
Antes eu andava escondido,
achando que ninguém via minhas quedas.
Agora Ele sabe meu nome,
sabe minha dor,
sabe meu endereço.
Quem é Ele?
É aquele que soube de mim
e mesmo assim ficou.
Não foi embora quando viu meu caos,
não se assustou com meu pranto.
Soube de mim
e me chamou de filho.
E agora o que eu faço?
Agora eu descanso,
porque quem não me esquecia
finalmente me encontrou.
(Saul Beleza)
Não sou um macho na essência da palavra.
Sou tua cia,
alguém que só quer estar contigo,
teu companheiro de sofá,
de riso bobo,
de silêncio bom.
De pescaria, sem pegar nada, de coceira de carrapatos, de coçar tuas costas em altas horas.
Macho eu serei
só na intimidade
que não nos faz mal.
Naquela que nos faz bem,
que nos cuida,
que nos acolhe.
Lá eu sou teu,
inteiro.
Saul Beleza
— Posso dormir aí?
— Melhor não.
Vamos nos ofender,
vamos nos ferir sem querer,
e eu não tô afim disso.
Não agora,
não assim.
A gente tem afeto demais
pra se machucar de bobeira.
Não podemos ser assim,
tão perto a ponto de doer,
tão longe a ponto de fazer falta.
Saul Beleza
Se estou tomando café é por você.
Isso ao meu entender
vale mais que um convite
em dias normais.
Porque não é só café.
É pausa,
é pretexto,
é saudade disfarçada de rotina.
Mas saiba,
que estou aqui degustando,
xicara por xicara,
pensando em ti.
Saul Beleza
Pela primeira vez eu disse não a ela.
Foi difícil,
foi dolorido,
minha voz tremeu,
meu peito doeu.
Mas eu disse.
E depois do não,
eu não morri.
Descobri que posso lutar em igualdade,
que meu não também tem valor,
que meu limite também é amor.
Pela primeira vez,
eu me escolhi.
Saul Beleza
Eu sou uma gramática completa,
com ponto final onde tem que ter,
vírgula onde precisa respirar,
e reticências só quando a saudade pede.
Minha oratória é simples,
mas é verdadeira.
E no mundo de hoje,
verdade simples vale mais que discurso bonito e vazio.
não enfeito.
Eu sinto. E digo.
E é por isso que quem me lê,
fica.
(Beleza de Freitas)
Hoje tomei posse de mim.
Sem festa, sem juiz, sem plateia.
Só eu e a cadeira
que já me viu pequeno.
Resolvi me escolher.
Não por orgulho,
por cansaço de me encolher.
Eu semeava nos outros
e me deixava em pousio.
Queria colheita
com o terreno vazio.
Hoje não.
Hoje eu fico comigo.
Me rego.
Me espero.
Me tenho.
E se for pra ser talvez,
que seja talvez meu,
inteiro,
eterno.
(Saul Beleza)
Eu não queria escrever versos de adeus.
Deus sabe que não.
Eu queria os versos de ter ficado.
Mas ficar está longe,
é travessia,
é escolher todo dia.
E o adeus?
O adeus está raso,
qualquer pé descalço toca o fundo,
qualquer mágoa afoga nele.
Eu queria o profundo do ficar,
mas me deram o raso do adeus pra nadar.
Me ensina a ficar?
Fica comigo aqui,
só mais um pouco,
nesse banzeiro que vai deixar saudade.
(Saul Beleza)
"*Sei que vai me deixar"*
mas por favor,
saia aos poucos,
nunca de uma vez,
para que eu não sinta tanta dor."
E eu saí.
Aos poucos,
como se pede pra chuva parar,
como se reza.
Primeiro tirei a voz.
Depois o corpo.
Por último, o prato azul ficou na mesa,
sozinho.
Pensei que aos poucos doía menos.
Mentira.
Aos poucos a dor aprende seu nome,
seu endereço,
sua cadeira vazia em um canto da sala.
Você me pediu pra sair aos poucos,
e eu,
maluco sensato,
obedeci.
Até hoje estou saindo.
(Saul Beleza)
Hoje o céu tá mais sertanejo,
e a terra mais silenciosa.
Que o Rick descanse com os dele,
com viola no colo,
com chapéu na mão,
com a voz que agora vira saudade
mas não morre.
A voz sertaneja nunca morre,
Ela só muda de palco.
Sai da rádio e vai pro céu
cantar pro povo que já foi.
Fica aqui o nosso
"obrigado, Rick"
cantado baixinho,
como se fosse moda antiga.
Meus sentimentos pra família dele e pra todos nos que sentimos.
(Saul, teu fã)
*Vou dizer o que eu acho da vida:*
A vida não é longa demais,
nem curta demais.
Ela é do tamanho exato
do espaço que nos foi dado pra caber.
Ela não é o que deixamos de fazer.
Se fosse, todo mundo era fracasso.
Ela é o que fizemos com o que tínhamos, com o que sobrou de dinheiro no fim do mês.
E se a vida é amar,
por que tanto ódio?
Porque amar dá trabalho, Gente.
Ódio é fácil, é preguiçoso.
Amar é levantar cedo, perdoar, dividir o pão, ouvir de novo a mesma história.
Muitos escolhem o ódio porque cansou.
E gente cansada morde.
Mas eu não.
Eu com quase 65 anos ainda pergunto sobre amor.
Isso já é resposta.
Escrevo assim, então:
"A vida é o espaço que me deram,
e o amor que coube nele."
(Saul Beleza)
Com 20 anos a gente quer tudo.
Com 40 a gente quer metade.
Com 65, a gente quer o que é de verdade.
Então me diz, vamos descobrir juntos:
Você quer barulho ou quer sossego?
Quer gente nova ou quer os de sempre?
Quer ir ou quer ficar?
Às vezes o "eu quero" da nossa idade
não é querer mais coisa,
é querer menos peso.
Talvez você queira:
um dia sem dor na perna,
uma conversa boa na varanda,
a vida rindo sem pressa,
e saber que ainda cabe.
(Saul Beleza)
LUX
.
No início o Universo era uma luz infinita
Que emanava da essência do Grande Deus
Éramos apenas centelhas da glória Divina
Então corpos espirituais Eles nos deu
Para que pudéssemos adquirir identidade
Individualidade e personalidade
E assim escrevermos a nossa própria história
Ele Criou a energia da essência de tudo
Mas não criou a matéria dos mundos
Porque a matéria não suportaria a Sua glória.
.
Depois de ter criado as energias sutis e vitais
Deus criou espíritos com maiores porções do Seu poder
Aos quais chamou de Seus primeiros filhos imortais
Que como Semideuses passaram a viver
Sendo responsáveis pela criação da matéria
Assim Eles criaram os corpos celestes e a Terra
E Deus para não destruir tudo o que foi criado
Concentrou em Si a luz e tornou-se escuro o Universo
Foi quando os Semideuses criaram os diversos
Sóis que passaram a manter o Cosmo iluminado.
.
Os Semideuses habitavam planetas distantes
Constituídos de matérias incorruptíveis
E tinham como a Sua missão mais importante
Permitir que nos tornássemos seres indefectíveis
E para desenvolvermos as nossas potencialidades
Precisaríamos experimentar a mortalidade
Então prepararam a Terra para a nossa morada
Criaram os animais, os vegetais e tudo o que existe
Sob o solo que pisamos e sobre a superfície
E para tudo o que teria vida a energia vital foi dada.
.
Passaram-se muitos milênios e em ciclos
Animais e vegetais surgiam e desapareciam
E quando o nosso Planeta mostrou-se propício
Os Semideuses ainda no mundo em que viviam
Criaram milhares de corpos físicos
Que trazidos à Terra receberam os espíritos
Que abriram os seus olhos como seres mortais
Totalmente ignorantes quanto à sua criação
Sem linguagem, sem lembranças tendo a intuição
E o instinto como dispositivos naturais.
.
Por serem os únicos capazes de raciocinar
Reinaram sobre as outras espécies
Com as quais aprenderam a caçar
Colher frutos e apanhar peixes
Usavam uma linguagem rudimentar
Que se resumia em balbuciar
E fazer variados sinais e gestos
Assim começaram a se comunicar
E quando passaram a se dispersar
Surgiram os variados dialetos.
.
Os Semideuses agradaram ao Deus das alturas
Ao ofertarem a chance de crescimento interior
Aos Seus filhos que por serem criaturas
Passaram a desejar se reaproximar do seu Criador
Dessa maneira surgiram as diversas formas
De religiosidade que desde outrora
Têm permitido ao homem se conectar
Ao Grande Deus que espera pelo reencontro
Com os Seus filhos desenvolvidos e prontos
Para assim como Ele em glória brilhar.
MABUJES
No deserto quando eu era menino
Uma voz bem ao longe sussurrava
Que a verdade não estava no destino
Mas em cada passo que eu dava.
Cresci sobre dunas de areia
Aprendi com a observação
Segui a luz que clareia
Na candeia da intuição.
Vi homens brigando por certezas
Que julgavam ser a única verdade
E outros chorando de tristeza
Por terem confiado em falsidades.
Não estão no fim da jornada
As respostas que tanto procuro
Elas estão nas várias pegadas
Que deixo nos longos percursos.
E a voz que me chama
É o outro eu que reside
No âmago das entranhas
Que minha mente não atinge.
Vi impérios desmoronarem
E o poder deixar os poderosos
Vi pessoas se digladiarem
Por conceitos religiosos.
Servi sem esperar recompensas
Ouvi opiniões contraditórias
Aprendi sobre os pais das crenças
E sobre personagens da história.
Mas foi no templo do silêncio
Que encontrei as respostas
Aos muitos questionamentos
Que pesavam em minhas costas.
A luz que o peregrino
Anseia encontrar
Só estará no destino
Se lá ele a colocar.
O viajante que junta azeite
Nos trajetos que permeia
No destino encontra deleite
Ao ver brilhar sua candeia.
Limpe o vidro do espelho
Até que ele consiga
Revelar o ser mais belo
Que seu interior abriga.
E caso ele se quebre
Não interrompa a viagem
Porque o que ele reflete
Vai além da sua imagem.
Ele exibe o outro eu
Que sua essência ilumina
E que o liga a Deus
Por ser centelha divina.
Não no fim, mas no caminho
Está a chance de redenção
Para quem nos pergaminhos
Anota sua evolução.
Se a noite roubar as cores
Das flores que você plantou
Deixe o sol devolver às flores
As cores que a noite roubou.
Seja guia e inspiração
Para quem caminha a esmo
Porque no fundo todos são
Peregrinos de si mesmos.
Eduardo de Paula Barreto
02/04/2026
Muitos tratam o anarquismo como sinônimo de caos. No imaginário popular, a ausência de um Estado significaria que as pessoas passariam a atacar umas às outras e que massacres se tornariam inevitáveis.
No entanto, historicamente, regimes autoritários foram responsáveis por massacres em larga escala. A própria democracia, embora baseada na vontade da maioria, também pode gerar divisões constantes, levando milhões de pessoas que representam uma minoria a viver sob decisões com as quais não concordam, sendo obrigadas a obedecer e a contribuir financeiramente para sustentá-las.
As democracias podem alimentar ressentimentos e conflitos entre pessoas que, apesar de suas divergências, compartilham a mesma sociedade. Em determinadas circunstâncias, essas tensões podem resultar em violência e, nos casos extremos, até em guerras civis. Afinal, o conflito entre semelhantes parece ser uma característica inerente à convivência humana, independentemente do sistema político adotado.
Além disso, as pessoas são capazes de praticar a caridade e ajudar umas às outras sem a necessidade de um Estado. Este, por sua vez, recorre à coerção para arrecadar recursos e financiar políticas cujos custos e cuja legitimidade podem ser questionados. Em nome da assistência aos necessitados, por exemplo, arrecada-se dinheiro que também pode ser destinado a guerras, armamentos e projetos motivados por paranoias relacionadas à segurança nacional.
Não raramente, o Estado ainda envia pessoas que nunca se conheceram e que não possuem necessariamente qualquer desavença pessoal entre si para matar umas às outras em conflitos motivados por interesses políticos que pouco ou nada têm a ver com suas necessidades e seus interesses diretos.
"NADA É PARA SEMPRE, NEM MESMO O NOSSO SOFRIMENTO"
"O TRISTE NÃO É A MORTE DE UM HOMEM OU UMA MULHER, MAS O QUE MORRE;COM ELES" Ademar de Borba
