Cleonio Dourado
Notas sobre mim.
Esse que você vai ler sou eu. Um homem, muitas vezes menino. Daqueles moleques faceiros que caem, sacodem a poeira e levantam sorrindo. Muitas vezes quis ser tudo. Outras, espaço vazio. Mas sou mesmo, um infinito a ser descoberto. Liberdade. Serei futuro, sou presente, fui saudade. O que vê é o que tenho, é que sou. Não muito, mas dono de tudo. Simples assim. Gosto do roçar das pernas no mato serenado, do amanhecer ensolarado, do café na soleira da porta, do cheiro da relva e do mugir do gado.
Sou muito mais que essa embalagem física, mais que esse olhar que imprime esperança colorida e empatia em preto e branco. Sou chuva quente. Agua fria. Sou fechado, mas sou franco. Por trás desse meu rosto e em frente meu coração, encontrarás meia dúzia de cicatrizes bem fundas, que talvez você possa não ver, mas te digo que elas me definem bem. Elas traçam meus caminhos, sem seguir planos iniciais, nem cartilhas ou calendários. O que planejo e desenho, vai além do programado, no perfeito não me encaixo. Dessas listas e metas, me esqueço. Mas não esmoreço e não me afasto dos desejos, por mais ilusórios que venham ser. Minha visão é limitada, enxergo pouco com os olhos, mas muito pela alma. Careço de desafios e, por sorte ou destino, tive os melhores que poderia ter. Me engrandeceram. Fui pequeno, me tornei gigante, na essência do viver. Disfarço e dissimulo meu cansaço, vou seguindo passo a passo, devagar quase sem pressa. Pra se tentar vencer uma corrida, a gente só precisa estar nela.
Passeio com o peso da honra de alguns merecidos troféus, que balanceiam essa vida e não me deixam tombar. Nem pra lá, nem pra cá. Não me julgue apenas pelo que vê, nem pense que me conhece apenas por ouvir, apenas por mergulhar nesse meu raso mar que mostro. Sou formado por meus muros, glaciado por meus tombos, liquefeito por meus sonhos, adocicado pela vida. Não se deixe levar pela aparência. Minha essência vale mais. É a imagem do espelho, as mal traçadas linhas que escrevo, meus versos, desejos, abraços, beijos, poesias e devaneios. Os avessos, uso para esconder a tristeza. Prefiro escancarar alegrias e explicitar meu acreditar. Pecador como todos. Servo como poucos. Sou da reza, sou do orar.
O que demostro é um punhado de sentimentos delirantes, que pego em fuga e os prendo coarando sob o sol. Quando vê esse meu meio sorriso, quase que imperceptível, é que fases duras já passei, algumas lágrimas enxuguei, muitos tombos já tomei, mas aqui estou porque venci. Sigo sorrindo para a vida. Inveterado sonhador. Imparável vitorioso. Incansável. Nem melhor, nem pior. Quero ser diferente. Poucas vezes vazio. Muitas vezes, infinito. Ganhador de mim. Retroceder nunca, render-se jamais é o meu lema. Sempre em frente, até o fim. Sou Inquebrável!
Hoje em dia, quando uma coisa quebra ninguém mais quer consertar. Ninguém pensa se ainda tem ou não tem conserto. Querem trocar. Substituir. Silenciar. Jogar fora. Quando algo quebra, o destino mais provável é o lixo, o abandono. Quando algo dá trabalho, o melhor é esquecer. E por mais triste que pareça, muitos querem impor esse comportamento, também, a suas relações de vida. Amizades, amores, namoros, trabalho, etc. Ninguém quer mais perder tempo: Quebrou? Joga fora. Deu trabalho? Não me serve.
É certo que ninguém é obrigado a suportar aquilo que não deseja. Todos têm o direito de ficar em dúvida quando não se sabe o que fazer em algumas situações. Uma das maiores características do ser humano é se acostumar a qualquer coisa. A gente se acostuma com o bom. A gente se acostuma com o ruim. A gente se acostuma a ser bom. A gente também se acostuma a ser ruim. Nos acostumamos a tanta coisa, a tanto sentimento vago, a tanta emoção vazia, que se desapegar tornou uma tarefa difícil, na maioria das vezes, até impossível. Devemos ter muito cuidado para não transformar essa rotina em um monstro que devore nossos dias, nossos sonhos e o valioso pouco tempo que ainda nos resta. Sair da zona de conforto não é nada fácil. Se habituar com o que é pouco e com os excessos acaba sendo uma cruel consequência. Resta jogar tudo para o alto e cair fora conforme a regra? Ou tentar consertar, arriscando repetir o erro? De tanto parar para pensar, a gente acaba aceitando algumas coisas, só por não saber como consertar. Só por não ter coragem de agir. Por não saber sequer por onde, nem como dar início as mudanças. Só por não querer jogar o que não serve mais no lixo. Temos que aceitar que algumas coisas não têm reparo, não tem restauro, não vão ter conserto nunca mesmo. Mas é preciso investir, até que a certeza de que não vale a pena seja plena. Daí não tem mais volta, o melhor é abrir a gaiola e voar. Ninguém precisa brigar pela felicidade, precisa somente ser inteligente.
Alguns sentimentos precisam de conserto, precisam de quem os ajude a fluir, precisam de alguém que não meça esforços e renúncias para fazê-lo surgir. Alguns sentimentos valem todo o custo para mantê-los vivos. Algumas pessoas valem todo o custo para mantê-las por perto. Se ser feliz é a meta não meça energias para conseguir, para conquistar. Elimine o orgulho que existe dentro de você. Às vezes é difícil, a gente falha, mas não ligue para o que vão dizer, siga em frente, porque a gente deve confiar e ser otimista e saber que o importante é entender que os momentos difíceis, de dúvidas e de fracassos, podem fazer surgir uma vida plena de felicidade, sem que haja a necessidade de se jogar nada fora. Consertar muitas vezes vale a pena, vale a outra chance.
Administrar a vida é uma arte e a gente não pode se esconder para sempre atrás das portas e no escuro com os olhos fechados para o espelho.Precisamos ter uma alma grande, não uma alma mesquinha que se submete aos caprichos alheios para satisfazer outros egos, depreciando a nossa própria imagem no espelho.Sempre. Só vale a luta e a dedicação se sentirmos que existe o amor. Sempre é de verdade quando há reciprocidade. Se esforce ao máximo para ficar do lado de alguém que te faz bem, mas dê mais valor as atitudes que saem do coração, do que às palavras que saem da boca. Não somos obrigados a aceitar tudo, a sorrir sempre, a agradar a todos e a ficar calados. Não adianta sonhar em consertar o mundo, se a gente não consegue arrumar nem a nossa vida. Nós não somos obrigados a ser o que não queremos ser. A ter o que não precisamos ter. A manter o que não é essencial. Não somos obrigados a consertar o que está sempre quebrando. Não somos. Nossa única obrigação é tentar ser feliz e quem deseja estar junto, que faça por merecer e venha com aquele sentimento que não precisa consertar. Que venha com aquele sentimento inteiro e verdadeiro. Que venha sabendo conjugar perfeitamente o verbo amar!
Recomeços, reinícios, mudanças e novas partidas, se tornam momentos únicos momentos de oportunidades de nova vida, de olhar lá para o futuro, de batalhar a esperança para que tudo seja do jeito do nosso melhor sonho. Põe Deus à frente, põe otimismo na mente e vamos em frente. O melhor de todos os dias vai chegar quando você aprender que é você que faz a diferença entre ter ou não ter, entre ser ou não ser, entre rir ou chorar. Há possibilidades incríveis a tua espera. Mas nada é tão simples igual a gente lê nas revistas, igual a gente escuta por aí, igual a gente ouve falar. E não há nada errado em não saber o que fazer. Em ficar perdido por alguns dias, esperando cansar de sofrer. Deixe a tempestade passar, deixa a poeira baixar, varra a sujeira que fica para bem longe e deixe seu caminho limpo para o os seus próximos passos. Você é o responsável por sair do lugar de onde não quer ficar. Lance os desafios, encare-os com seriedade, trabalhe para que aconteça e não se esqueça: Deus cuida com amor de todos os sonhos que temos, desde que coloquemos Ele no comando de tudo. O que tiver que ser será! Vá e vença. O que tiver que vir, virá. Vá e bênçãos!
CADA IMPERFEIÇÃO QUE OBSERVO NO OUTRO, DEVE SERVIR DE SINAL DE ALERTA PARA QUE EU FIQUE ATENTO AOS MEUS PRÓPRIOS DEFEITOS.
Cada imperfeição que observo no outro, deve servir de sinal de alerta para que eu fique atento aos meus próprios defeitos. Que eu nunca aponte os erros dos outros sem antes reconhecer os meus. Que eu nunca permita ser apontado por erros que são de outras pessoas. Cada um com suas culpas. Cada qual com seus acertos. Cada um com seus defeitos. Cada qual com seus espelhos.
Padrões não se encaixam nas mulheres lindas de verdade.
São muitas as mulheres que se sentem pressionadas pelos padrões de beleza cobrados pela sociedade. Chega a ser uma exigência sufocante, muitas vezes até desumana na cabeça daquelas com a autoestima fragilizada. Tem mulher que se enxerga de uma maneira totalmente distorcida do real, por conta das inúmeras vezes que se vê fora do contexto e não encaixada naquilo que dizem ser o bonito. Pessoas bonitas que andam com a cabeça abaixada e com o corpo escondido, sentindo-se como pedaços de jornal velho e amarrotado que ninguém mais quer ver. A autoimagem é a essência que faz uma personalidade forte ou fraca. Não adiantam enfeites. Não adianta elogio de ninguém.
A autoestima fragilizada derruba o ego, apesar de toda opinião sincera lhe dizendo o contrário. Mas na grande maioria das ocasiões esse “não se achar bonita” não condiz com a realidade externa e, sim, com uma ilusão que a pessoa carrega dentro de si, de que não é linda. Existem pessoas que tem repulsa, desprezo e indignação pela própria imagem. São reflexos quebrados em espelhos desprovidos de vaidades. Espelhos esses que são cofres de mentiras que elas contam para si mesmas. Acreditam ser telas de pintura vazias. São pessoas enfraquecidas, que carregam imagens distorcidas de si mesmas e que por razões diversas ainda não conseguiram encontrar a beleza existente em suas próprias formas. Algumas razões são estéticas, outras emocionais ou até mesmo psicológicas. Não se aceitar como é, é um problema do comportamento humano que não pode ser alimentado. É algo que merece atenção, pois pode destruir vidas ou relacionamentos. É preciso que se reconstrua a imagem real no espelho. É preciso que se reconstrua a imagem verdadeira na alma e no coração. É preciso aceitar-se mais, é preciso estar feliz consigo e rejeitar esses estereótipos padronizados que circulam na internet e na televisão.
São pessoas tão lindas, tão especiais, tão formosas em suas diversas qualidades que nem se entende porque elas pensam desta forma. A beleza está nos olhos de quem vê. Está nos olhos de quem enxerga. A beleza está nos próprios olhos. Dentro da alma e pulsando no coração. É preciso que encare o que não consegue encarar. É preciso ter a coragem e a ousadia de se encontrar em alguém totalmente original. A baixa autoestima é uma fraqueza que precisa ser transformada em força. Seus próprios pensamentos é que te deixam pra baixo. Olha pra você, carregue a verdade escondida no coração e deixe a realidade lá fora, pra quem quiser ver. Esquece esses exemplos impostos por uma sociedade doentia e faminta por marketing e lucro. Na hora certa você descobre que a aparência é o que menos importa. Se você acha o nascer do sol no horizonte bonito, espere até ver o sol nascer dentro do seu coração. Nunca deixe de procurar o amor-próprio bem dentro dos seus olhos, sem imaginar ilusões. Você deve primeiro se amar, incondicionalmente.
A essência do que somos e do que buscamos deve estar lá, encravada na alma, atemporal. Tempo nenhum é capaz de deixar marcas que a diminuam. A beleza real com o tempo só aumenta. Não navegue perdidamente na imaginação, viaje na realidade. Harmonize-se com suas verdades. Uma das maiores dores que alguém pode sentir é se olhar no espelho e não se reconhecer. É se procurar no espelho e ver uma imagem que não aceita. É não se reconhecer dentro de seu próprio ser. Pare de tentar impor o padrão cobrado. Pare de querer viver se comparando com outras. Não tem biótipo certo, não tem padrão errado. Tem quem se valoriza e não se intimida com rótulos. Tem quem se desgarra das amarras e se vê bela. Tem MULHER que se aceita! E mulher nenhuma pode se achar pior que qualquer outra. Todas são únicas. Todas são lindas. Todas são perfeitas. Não se deixem levar pela padronização que a sociedade atribuem a vocês, valorizem-se de verdade! Descubram-se! Tire essa cortina que te esconde e põe essa beleza toda pra desfilar! Você pode!
"Leões e Tigres são maiores e mais fortes, mas você nunca verá um Lobo trabalhando em circo."
Não é sua força, sua fama ou o seu tamanho que te trazem vitórias, são suas atitudes que te põem no lugar que você quer. Você tem todas as forças necessárias para chegar aonde quiser. Use-as! Tire um tempo só pra você. Cuide de seu corpo. Da sua mente. Do seu lado profissional. Do seu espírito. Focalize somente em você. Cuide muito bem da sua energia vital. Fortifique-se. O equilíbrio e a harmonia entre a mente-corpo-espírito te transformarão. Trabalhe sua paciência, pois nada é da noite para o dia. Trabalhe sua fé e seu poder de espera. Corrija os erros que hoje comete com sua vida. Corrija o caminho. Corrija os objetivos. Coloque os sonhos que têm, na realidade que você vive. Se esforce até perder as forças, por várias e várias vezes. Erre e desanime, por várias e várias vezes. Mas nunca desista. Em hipótese alguma. Os erros te fazem voltar maior, mais determinado, mais esperto e, principalmente, fazem você acreditar que já não pode pensar em desistir e que todo esse esforço será recompensado. Sim! Você renascerá! Ficará mais forte, mais paciente, mais intenso. Autoestima lá em cima. Você nunca mais sentirá falta daquela pessoa fraca e pequena que você foi um dia. Demora, é um longo caminho, mas vale toda a recompensa que ele traz. Movimentar-se é viver. Só morre em vida quem para. Não importa como, não importa quando, não importa com quem. Quer mudança de vida? Tenha atitude de lobo. Mova-se!
E hoje me notei sorrindo pelo meu reflexo em um vidro de janela. Não porque estou com tudo maravilhoso na vida. Não porque não esteja carregando uma ou outra tristeza. Eu sorri porque me vi emoldurado pelas luzes de um lindo pôr-do-sol. Como eu, é incansável. Sorri porque encontrei no riso a melhor forma para derrubar o peso dos problemas. Inabalável. Eu sorri porque a oração em minha cabeça me fez bem. Eu sorri porque a fé em minha alma me fortalece. Eu sorri porque os amores que tenho em meu coração me incentivam. No reflexo do meu rosto, eu percebi que rindo pareço mais confiante e essa certeza de força própria é quase tudo de que preciso para conquistar as coisas que quero. Porque apesar de tantos limites que a vida impõe, Deus é justo e abençoa com todas as recompensas merecidas. Só assim, a gente colore os dias tristes. Só assim a gente dispersa a nuvem cinza. Só assim, a gente entende que tudo é passageiro. Tudo é experiência. Tem sempre alegria depois da angústia. Tem sempre calmaria após a turbulência. Esses altos e baixos, essas idas e vindas, são como o pôr-do-sol, são como a história de qualquer vida. A luz uma hora vai e se esconde, mas outra hora ela volta e fica. Nunca está apagada. Quando uma janela fecha, uma porta é escancarada. Eu sorri, porque entre o brilho das nuvens, eu percebi Deus. Ele sabe quem sou. Ele sabe pelo que me doou. Ele me conhece pelas brechas das linhas do tempo e do destino. Ele sabe que não me entrego. Ele sabe que mereço. Ele sabe porque sigo sorrindo.
Tem alguns dias que só precisamos deixar o tempo passar por nós, assim, bem tranquilo. Parar na sombra de uma árvore e se deixar balançar na dança de uma rede. Pensar em bobagens, imaginar sonhos, viajar nas possibilidades. Navegando entre uma e outra vontade, a gente vai, se distrai e a vida, calma, passa. Nesse momento que estamos livres de amarras e relógios, rótulos e esperas, podemos encontrar paz.
Precisamos de bem pouco. Um cantinho pra sentar, um café pra tomar e a calmaria já invade. Não leve a vida tão a sério, mas a conduza com seriedade. Juízo é preciso. Mas também, alguns sorrisos. Nas contas da vida, na balança das lidas e nas horas vividas, nos descobrimos vencedores e cobertos de felicidade. O paraíso é aqui. Isso é verdade. Nós já estamos nele. Alguns é que fazem da própria vida um inferno. Seja a calma que você tanto busca, seja o sossego que você tanto quer. Seja o silêncio que tanto procura. Faça o próprio paraíso no lugar onde estiver.
Às vezes, só temos que escutar o vento e deixa-lo desarrumar nossos cabelos, bagunçar os pensamentos e apagar as marcas que deixamos de nossos passos pesados pelo chão. Quando paramos o mundo, algo se constrói e se renova, deixa o corpo mais forte e mais intensos a alma e o coração. As grandes decisões da vida não se resumem a um só momento. Há tempo. Os hábitos de vida é que são muito mais importantes que as decisões que você toma, são direções que te conduzem. Te expressam. Te resumem. Fique atento.
Quando puder, pare, se ouça, se veja, relaxe e se encaixe. Se deixe descobrir. Permita-se fluir e desacelerar. A gente precisa sim ter muitos sonhos e traçar vários objetivos. As vezes precisaremos muito correr ou ter alguma pressa. Mas é essencial você parar e respirar. Ninguém vai a lugar algum se não souber por onde anda. Ninguém acerta nenhum caminho se não sabe por onde começar. Ninguém chega a lugar nenhum se não souber onde se encontra. Tem dias que faz um bem enorme, apenas deixar o tempo passar.
Mãe por si mesma já é um poema, uma poesia, o texto perfeito. Mãe de barriga ou mãe de vida, mãe desde sempre ou escolhida. Aquela que conhece nossos sonhos, ouve nossas esperanças, conta e reconta nossas histórias. O nosso primeiro amor, nossa primeira professora, nossa eterna educadora, amada e protetora.
Mãe é capaz de dar tudo sem esperar receber nada. Ama com todo o seu coração, investe tudo e confia em seus filhos sempre. Os tipos mudam, mas o amor não. O amor e a coragem de uma mãe a torna mais poderosa que um Super-Herói, é a verdadeira Mulher-Maravilha. E como é maravilhoso a tê-la sempre ao lado, perto ou longe, a distância não importa, uma mãe está sempre com a gente, a geradora de nossa vida. De qualquer idade, de tantos ou único filho, de todas as graças, de todo os lugares. Mãe é a essência mais gostosa da palavra viver, mãe é a essência do verbo amar.
Mãe guerreira, batalhadora, lutadora. Ao mesmo tempo terna, meiga, dócil, carinhosa e companheira. Pessoa feita de luz, incansável. Sempre com um sorriso no rosto, uma palavra de conforto e um brilho especial no olhar. Mãe, esposa, avó, sogra, tia, irmã, amiga, filha, de todas as profissões, de todos os gênios, de todos os jeitos. Não existe nada mais bem feito por Deus. Mãe, um presente perfeito.
Que Deus sempre nos conceda esse presente, que é a oportunidade de tê-las em nosso convívio, em nosso coração, sempre nos amando, dando colo e ninando, pois quem tem mãe nunca deixa de ser criança, nunca deixa de ser amado. E quem, infelizmente, já não a tem mais, sempre sentirá o amor, a saudade e terá sempre a certeza de que a família é a coisa mais importante que existe, pois todos os momentos com ela são inesquecíveis, por mais simples que sejam. Saudade do abraço, da benção, do colo, da comida, da voz, do jeito. Saudade até dos pequenos defeitos que a gente aceita com paixão. Amor de Mãe é o que a gente guarda pra sempre, feito um tesouro dentro da gente, no cantinho mais lindo do coração.
Diga com toda emoção um EU TE AMO para a sua mãe, diga eu te amo para seu filho, diga eu te amo para a mãe de seus filhos e que tenhamos um domingo doce, lindo e perfeito, como o coraçãozinho enorme dessas mulheres-obras-de-arte, feitas com todas as bênçãos e sabedorias de Deus!
Feliz dia das Mães!
Levanto, olho a rua, olho o céu e tenho a certeza de que Deus é magnífico, pois enquanto todos dormem, Ele nos guarda e protege e quando todos acordam, Ele guia, abençoa, renova e ilumina o mundo. Deus é tudo!
Ignorar. Uma das palavras mais poderosas da vida. Um verbo que requer muito caráter para conjuga-lo em primeira pessoa. Ignorar é uma arte. Ignorar é a chave mais importante que tranca e destranca as portas que abrem várias passagens. Ninguém consegue ir para a frente sem ignorar muita coisa. Ninguém jamais será feliz se não aprender a ignorar. A gente deve começar a ignorando as pessoas que nos fazem mal, as dores que nos maltratam, os sentimentos que nos retardam, o passado que nos sufoca. Ignore esse barulho e esse silêncio que te massacra. Ignore essas declarações vazias. Ignore esse beijo sem graça, essa vontade que passa, esse medo de estar só. A gente precisa ignorar nossos medos, desconhecer os receios e se afastar dessa inseparável e mesquinha covardia. Ignore e se separe de tudo que embaraça, de tudo que complique, de tudo que só faz nó.
Ignore esse costume de sempre duvidar que pode. Ignore a preguiça, a falta de tempo, o lamento, o cansaço. Ignore tudo o que esteja te colocando pra baixo. A gente precisa ignorar essa mentalidade fraca de que não dá conta, de que não é pra gente, esse temor que nos impede de tentar. Não dê atenção às fofocas e aos fofoqueiros, às discórdias e aos briguentos e às mentiras e aos mentirosos. Nunca esteja junto aos de pouca fé, chorões e pessimistas. Não de ouvidos àquelas pessoas falsas, pessoas chatas e aqueles que só te procuram querendo te derrubar. Ignore caminhos tortos, olhares tortos, palavras tortas, sorrisos tortos. Ignore a inveja, a cobiça, a ignorância e a estupidez. Ignore a falta de amor, a pouca reciprocidade, a falta de verdade e as desleais amizades. Ignore essa pessoa que você não reconhece quando se vê no espelho. Ignore esse choro no banheiro. Ignore essa baixa autoestima que te destrói e essa falta de perdoar que te corrói. Ignore essa pouca esperança. Ignore a balança, a cobrança, seja mais desiniba, mais atrevida, se entregue para as coisas boas da vida.
Ignore tudo o que pesa no coração. Ignore essa cobrança de padrão. Passe longe dessa falta de paixão. Ignore tudo o que de ruim te faz ficar sem chão, tudo o que te aperta a alma. Ignore essa falta de paz, essa falta de paciência, essa falta de calma. Ignore a covardia em nunca saber dizer não. Ignore a timidez, a vergonha e a falta de voz. Ignore esse sempre pensar em “nós”. Pense mais em você. Ignore essa falta enorme de atitude. Ignorar faz com que quase tudo mude. Quando você aprender intensamente a ignorar, você redireciona o seu pensamento, os seus sentimentos, o seu olhar. Você aprende a, verdadeiramente, se amar. Você começa a conquistar a vida que foi feita para se viver. Ignorar faz bem. Se o que procura é a felicidade, aprenda a deixar passar, comece a ignorar e veja um grande milagre acontecer.
RELACIONAMENTO BLINDADO NÃO PRECISA DE CADEADO.
Tem gente que acha que relacionamento blindado é relacionamento com cadeado. Protegido para que ninguém veja. Pega o parceiro, amarra, prende e joga dentro de um baú. Sem liberdade. Um tesouro que a só pessoa pode ver. Relacionamentos não precisam ser assim. Nem devem.
Relacionamento, em sua essência, é a união de duas pessoas livres que se amam. E ambos têm essa liberdade de escolher estar ali. Só por vontade de compartilhar da companhia do outro. Só por amar. Por querer ficar. Por estar feliz. Amor envolve muitas coisas e nenhuma delas é a posse. Amor não é prisão. Relacionamento é a liberdade de permanecer por querer. De respeitar por amar. De confiar por amor. Relacionamento é confiança, é doar-se sem medo, é olhar nos olhos do outro e ter a certeza que o respeito e a verdade moram ali. Quando você encontra um lugar onde realmente gosta de estar, não há razão nenhuma para querer sair de lá. A vida a dois é essa arte do encontro. Procura, encontra, se apega, se apaixona, ama e decide ficar.
Casamento blindado, namoro blindado, união blindada são termos construídos, querendo nos fazer acreditar que basta colocar tudo dentro de uma caixa, encher a casa e a vida de regras, passar uma corrente e lacrar que estará tudo certo. Isso não existe. Existe, sim, relacionamento entre pessoas felizes, que se amam, se respeitam, confiam, planejam juntos e incentivam os sonhos um do outro. Esse sim, é revestido da maior força que o amor provê: A união. Quando um casal é unido, eles formam um elo que suporta qualquer coisa que o tente quebrar. Quando a união impera, cada um aceita o outro da forma que ele é, e tem gratidão por ser assim. Quando a união é forte, nenhum problema resiste e o amor verdadeiro se torna inquebrável. Tem que dar atenção, tem que corresponder, tem que ligar, tem que atender, tem que gostar de dar carinho, tem que gostar de receber. Relacionamento é cobrar, mas, muito mais é ceder.
Não há fórmulas para uniões perfeitas. As pessoas se juntam e a partir daí vão se adequando, se enquadrando, um à maneira do outro. Sem manuais a seguir. Sem regras ou receitas. Sem ninguém de fora dizendo o que se deve ou não deve fazer. O amor de verdade mora no simples. O simples é o amor despido. O simples é a vida sendo pura. A espontaneidade de cada um, aliado com a convivência harmoniosa e o respeito as particularidades do outro, é que fará com que o amor seja eterno e a paixão poderosa. A gente precisa estar sempre muito agradecido pelo amor que sentimos, ser correspondido por uma paixão recíproca.
Viver uma vida inteira ao lado de alguém não é tão fácil quanto parece. Um relacionamento fortalecido se dará através de muitos fatores. Quase todos internos, dentro da casa dos dois e dentro do coração de cada um. A beleza da gratidão por ter o amor do outro é que torna um relacionamento indissolúvel e inatingível por qualquer que seja a dificuldade. Quando a gente encontra a pessoa que considera ideal para passar a vida, é normal idealizar que encontrou um verdadeiro tesouro, mas nem por isso devemos trata-la desta forma. Não é um tesouro, é uma pessoa. Presente de Deus. Pessoa que foi criada diferente e agora convive contigo. E ela traz junto os seus gostos, suas manias, seus defeitos, vontades e seus problemas. Não tem como pular as partes ruins. A gente passa por exigências e provações, mas é o amor que deve reinar. As qualidades que a gente encontrou superam qualquer outra coisa. Relacionamento bom tem que ter essa sintonia entre dois corações diferentes se encaixando perfeitamente.
Um relacionamento dará certo quando cada um aceitar e desejar assim. Quando os dois disserem sim. Tenho defeitos e você também tem, tenho qualidades e você também tem. A gente se ama. Então a gente cede, ganha, recebe, perde, doa, dá, reclama, ouve, fala, perdoa e, enfim, a gente se entende. Te quero assim, você me aceita assim? Se sim, vocês acabaram de fazer de um relacionamento algo para toda vida, sem precisar blindar, sem cadeados, sem portas trancadas, sem caras amarradas. Tudo que a gente precisa para ser feliz a dois, está dentro da gente mesmo e só conseguimos sendo, antes de mais nada, feliz intimamente. A felicidade é a maior transformadora de pessoas. Quando nos é oferecido algo que a gente nunca havia experimentado antes, o amor verdadeiro, a gente se torna feliz e renasce. Depois que descobre a força desse amor de verdade, ficamos dependentes desse sentimento. Pense que é sempre sorte ter quem se ama ao lado. Faça dessa benção algo permanente. Faça dessa união algo belo. Faça de dois apenas um, mas cada qual com suas individualidades. Isso é relacionamento de verdade. Esse não precisa blindar. Já nasce eterno.
Há momentos na vida em que precisamos nos desligar de algumas coisas, de algumas pessoas, nos afastar de toda essa agitação e correria sem fim deste mundo moderno. O excesso de barulho, interações, conversas e distrações reais e virtuais nos desconecta das boas energias que precisamos ter para estar bem. É preciso filtrar, é necessário não absorver, é importante saber o que trazemos, deixamos, deletamos e arquivamos em nossa mente. Um tempo de vez em quando é preciso. Uma cabeça aliviada deixa a alma descansada. Um coração leve, deixa o sorriso doce. Um sentimento de paz, trás calma ao olhar. Desapegue do que não lhe traz benefícios espirituais e abrace mais as coisas que você sabe que só lhe fazem bem. De perto, de longe, sinta o amor das pessoas que lhe fazem sentir a plenitude do amor e da existência de algo maior no Universo. Tem dias que é preciso se desligar do mundo, para que surja um momento somente entre você e Deus. É nessas horas que nos reconectamos. É nessas horas que a alma agradece e o coração se alegra. É nessas horas de silêncio e solidão que nos reencontramos com nós mesmos.
Mais um dia que o Senhor nos oferece, como se fosse um eterno recomeçar. Cada raio de sol tem a força de cicatrizar as feridas, fazendo de tudo alegria. Cada brilho que adentra a janela é como um toque santo na face, a nos acordar. Mais um dia que o Senhor nos oferece, como se fosse um eterno abençoar.
Quando a gente acredita que o tempo ruim sempre passa, o tempo bom sempre chega. Quando a gente acredita que o amor prevalece, a gente nunca tem pressa. Quando a gente acredita que a fé traz boas mudanças, a gente nunca perde a esperança. Quando a gente acredita que jamais deve desisitir, a gente nunca deixa de sorrir.
Percebeu que o segredo de tudo é ACREDITAR?
Pois então, acredite!
Sua determinação dita o seu destino. Só haverá colheita daquilo que você plantar. O amor só brota onde a gente ama. O perdão é a gente mesmo que deve perdoar, tanto faz se você recebe ou se você dá. Vitórias? Você tem que conquistar. Desafios? Você tem que ultrapassar. Felicidade? Só não alcança quem não quer. No peito é que se cultiva a fé, num é? Tudo na vida é como um campo, a gente rega de lágrimas, a gente beija a semente, a gente acredita que vai germinar. A gente só colhe bons frutos quando plantamos com coragem, irrigamos com esperança e temos perseverança e paciência para esperar. O tempo que passa sem nada fazermos, engole nossos sonhos irmão. Plante, irrigue, cultive seu chão. Não abra buracos pra se enterrar. Não valorizar o seu presente é condenar o seu futuro. É construir o próprio muro que será sua prisão. Nada vai crescer, nada dará frutos se você não cuidar. Nunca provará do doce sabor de uma colheita, se ficar olhando por cima das cercas, admirando ou invejando árvores alheias. Se nunca sai do chão, procure forças para se levantar. O cheiro das flores, só virá com o vento lhe refrescar o rosto, se você mesmo as semear. Aprenda: Enquanto a chuva abundante não cai, é você que deve regar!
Ela sorriu se olhando no espelho e aceitou muito bem o semblante que admirava. Ajeitou seus cabelos de um jeito bonito, que lhe emoldurava lindamente o rosto. Um ou outro fio branco, ainda que insistisse em aparecer, não lhe incomodavam mais. Piscou para si mesma. Estava linda no auge de uma idade que fazia questão de não mais contar. Números não importam. Os dias felizes, sim. Era jovem de alma e só isso era importante.
Se observou feliz naquele olhar refletido. O brilho de seus olhos ofuscava qualquer lágrima que por eles já houvesse passado. Ela agora só vivia para o presente e fazia que seus dias, fossem também, belos presentes para si mesma. Vivia intensamente. Habitava um corpo construído por anos de experiências e sabedoria acumulada. Estava abençoada por suas próprias bênçãos. Ela sabe que venceu o tempo. Fazia coleções de bons momentos e ainda que carregasse algumas cicatrizes, não se deixava mais abalar por mais nada.
Nessas suas marcas de vida, plantou flores que agora exalam um perfume de plena alegria, que vai se fixando por onde ela passa. Cheia de graça. Cheia de si. Sagrada. Ela sabe o que significa cada traço da vida em seu rosto, mas não carrega mais nenhum desgosto e tem orgulho de as mostrar. Ela deixa a idade passar. Seja como for. A vida, essa sim ela agarra com força, a abraça e beija, como se fosse seu grande amor. O pente que lhe dá o desenho dos cabelos, sabe muitos dos segredos, que agora guarda nas memórias e sabe muito das histórias que lhe moldam esse rosto, o mais feliz que já teve.
Ela nunca se deteve, nunca ficou parada, jamais soube esperar por uma mão pra ser guiada. Essa mulher no espelho não tem idade, não tem números, nem pesos, nem medidas. Não conta dores, não conta mágoas. Conta sonhos, vontades, amores, é amada, é vivida. Conta a vida. Aprendeu a amar a própria existência, aprendeu a se amar pela sua essência, aprendeu a beleza de ver o tempo passar, aprendeu a apreciar verdades, almas e corações. Aparências já não lhe enganam mais, nem são mais tão essenciais. Aprendeu com seus desejos, venceu seus medos, derrotou os anseios e conquistou o direito de ser dona de si mesma.
Decidindo de pé no chão a própria vida, ela se guia, se dirige, se entrega a paixão que resolver querer. Ela voa alto. Ela navega mares. Mulher forte, decidiu ser. Aprendeu a sobreviver caminhando de salto alto sobre os problemas que no passado a faziam sofrer. Hoje quase tudo a faz sorrir e só consegue sentir, a plenitude de si mesma. Pois é da própria alma que tira o sossego. Da paixão que anseia, ela acende o desejo. Ela se tornou a paz e a calmaria que precisa ter. Hoje ela se vê diferente, se vê forte, se vê grande, se vê bela. Bem querer. Hoje a pessoa mais admirável de seu enorme mundo, é somente ela.
Tinha domingo que era dia de receber visita. E elas chegavam logo cedo. Parece que a mãe da gente tinha algum pressentimento nesse dia. Levanta que vai chegar gente! Ela falava enquanto preparava a massa para os beijus de tapioca. Acordava todo mundo logo cedo, dava café da manhã, ariava as vasilhas na pia, colocava naqueles suporte de ferro de pendurar panela e dava rapidinho aquele trato caprichado na casa. A mãe mandava o pai na feira comprar umas coisinhas, enquanto a gente arrumava as camas e dava uma "barrida" no terreiro. Era tiro e queda, não sei como ela acertava. Não tínhamos telefone, nem o fixo nem nada, e mesmo assim, ela parecia que tinha recebido um e-mail ou zap zap informando que fulano ia lá.
Umas 10h e pouco a gente ouvia o bater de palmas lá no portão. Chegavam entrando, assim, sem protocolo nem nada. Ô de casa! Eram o tio dela, ou primo do meu pai, ou irmão de alguém ou ex-vizinho... era alguém conhecido que chegava com a família pra passar o dia. À pés mesmo, nada de chegar de carro, desciam do ônibus em alguma parada próxima e iam cruzando a poeira solta, preocupados em chegar limpos. Chegavam cedo que era pra dar tempo de ajeitar um melhorado pro almoço. Põe água no feijão! Alguém já gritava lá do portão afora. A gente, menino do mato, ficava observando aqueles abraços e recomendações lá da janela, de butuca, igual bicho, morrendo de vergonha de depois ter que ir na sala pedir a benção. Era regra: Menino, pede bênção pra fulano. A gente estendia a mão ganhava a benção e uma bagunçada caprichada no cabelo, ia de brinde. Quando vinham outras crianças que a gente não tinha intimidade, era pior ainda. Mais bicho do mato a gente ficava. As mulheres se apressavam e já iam na cozinha ajeitar um cafezinho e uma água gelada pro povo e os homens ficavam na área da frente falando dos parentes distantes e ouvindo meu pai falar das futuras reformas que queria fazer na casa. Quase sempre, quem visitava levava uma "lembrancinha" que trouxera de algum lugar. Uma lata de farofa, uma rapadura, um queijo, um docinho de leite, uma linguiça caipira, um pedaço de carne de caça ou até mesmo uma carta de um parente distante...Essas coisas que a gente que é da roça dá valor.
Domingo era dia de visita. A casa ficava alegre com tanta gente. A gente ficava de ouvido ligado nas conversas e fofocas dos adultos se atualizando das novidades familiares. A gente podia até "assuntar" os assuntos, mas ai de nós se intrometesse na conversa, já ganhava aquele olhar de reprovação do pai. A mãe com a visita na cozinha já providenciava a tal "água no feijão". Era dia de almoço gostoso, com toda certeza. Os adultos falavam do dia-a-dia na lida da vida, ouviam umas modas no radinho, falavam de sonhos futuros, falavam mal do governo e iam emendando prosa atrás de prosa. A meninada ficava por ali na área da frente, jogando uma bola ou inventando alguma brincadeira em que todos pudessem participar. Apesar da "bichodomatice" a gente se introsava e fazia amizade bem rápido. Quando o cheiro de comida boa começava o tomar de conta, o pai ou, geralmente, a visita tirava uns trocados da carteira e mandava a gente ir comprar umas barés ali na padaria da esquina. Aí sim eu via vantagem. Almoço servido, conversa animada, panelas cheias. A gente era muito feliz com bem pouco. Não era raro o dia de duas visitas no mesmo dia, a casa enchia mais ainda. Onde comem dois, comem três e põe mais água no feijão. Nos dias de sorte, o senhor que vendia quebra-queixo ou o do algodão-doce passava gritando em frente às casas, meninada eufórica, adultos felizes, sobremesa garantida. Era baratinho, umas moedinhas e aquele doce que faz criança sorrir estava em nossas mãos. Acho que visitas só iam na casa dos outros em dias de pagamento, pois eram bem generosos.
Meio de tarde, tinha café coado, biscoito de polvilho frito, conversas, dominó, lembranças, uma foto na máquina "love" (que a gente só veria um mês depois) e por fim as despedidas. Desejavam boa semana uns aos outros. Agradeciam a Deus pela recepção. Agradeciam a Deus pela visita. Agradeciam a partilha do pouco que tinham, que se tornara fartura à mesa. Agradeciam pelos momentos de alegria. Com meu pai e minha mãe, aprendi a agradecer por tudo, pois era assim que eles faziam. Final de visita, pede benção pra se despedir, cabelo bagunçado de novo, alma abençoada novamente. Família feliz. Era o domingo da gente. Amém. Dia de domingo era dia de visita. Pães multiplicados, laços familiares ressuscitados. Tudo era bênção. Acho até que Deus nos visitava também.
Põe mais água no feijão minha gente!
Cada um tem sua caverna. Todo mundo tem aquele lugar na alma, escondido e escuro, onde cai e se machuca de vez em quando. E são tantas as vezes que a gente ainda se vê perdido ali, sem saber o caminho seguro pra voltar. A gente para, senta e chora, olha para cima e fica esperando uma mão amiga ou um fio de luz para nos salvar. Fundo de poço não é nosso lugar. A vida, muitas vezes, nos deixa sem rumo, assim meio confusos, desenganados, largados à própria sorte. Dores na alma ainda doem muito mais que cortes na carne. Mas ainda é vida, não morte.
Nesses buracos sem luz criados por nós mesmos, nos mantemos presos, engaiolados e enjaulados nesses refúgios psicológicos. O perigo é quando só se sabe entrar, mas não consegue sair sozinho. Esses escuros na mente tornam-se lugares de fuga da realidade e se transformam em um grande problema quando viram prisões emocionais. Prisão da autoestima, prisão da liberdade, prisão do pensamento, da ousadia, da voz ativa, coração, prisão do amor. Quando se embarca nessa viagem para a caverna escura sem saber como regressar, é preciso saber gritar e pedir por ajuda sempre que precisar. Depois da escuridão, você percebe que a luz não está no fim do túnel, ela está dentro de você e não se deve apagar a própria luz e desistir do caminho de volta para acendê-la. A chama da vida e do amor próprio deve estar sempre acesa. Esteja vigilante quando esses lugares vazios de sua mente e de seu coração estiverem a sua frente, chamando-os com a porta aberta, somente ansiando que entrem, pois pode ser um caminho difícil de voltar. Ocupe, invada e preencha essa falta de luz, coloque energias positivas, fé, esperança, amor, sol e flores no lugar. Saia da nuvem cinza, da caverna vazia e encontre um arco-íris de cores. A gente só carrega aquilo que pode suportar.
Levar uma caverna escura dentro de si é somente uma tentativa de escapar de alguma coisa que deveria ser combatida. Cabeça erguida, pois seu herói é você mesma. Desistir de se salvar não é atitude de gente de fé, de gente que mantêm a esperança acesa, de gente que acredita que em cada coisa há uma beleza. Quando precisar sumir, de um tempo, vá. Mas, esteja completamente ciente e fortalecida para o caminho de voltar. Tem muitas pessoas boas do lado de fora dessas cavernas da vida, que te amam, te querem bem e que por ti fariam a caminho mais difícil do mundo para resgata-la, apenas por um abraço de recompensa. Nem toda caverna é tão escura. Nem toda paulada é tão dura. Nem todo herói terá superpoderes. Alguns, aqueles maiores, terão apenas uma mão amiga, boa vontade e um sorriso. Entre em seus refúgios quando precisar, busque neles o tesouro que precisa ser encontrado. Mas, se deixe resgatar sempre e nunca aceite como natural aquilo que você sabe que é errado.
Procure sempre o Caminho, a Verdade, a Vida.
Procure sempre a Luz.
Noite de dia de São João.
Há muitos anos atrás, nessa hora a gente já estava todo animado pra acender a fogueira, já estava tudo pronto pra festa começar, faltava somente o sol se pôr pras primeiras labaredas começarem a dançar subindo ao céu. Ainda consigo ver as labaredas subindo e competindo com o brilho das estrelas pra ver quem iluminava mais a rua.
São João lá de muitos anos atrás, era bem diferente do que é hoje em dia. Os preparativos começavam logo no início do mês de junho. Cortar as bandeirinhas, feitas com folhas de revistas, jornal velho e papel de seda. Prepará-las no barbante, enfileiradas distribuindo as cores. A turma toda se reunia para isso. Meninas faziam o grude e iam colando as bandeirinhas, meninos iam ajudando os pais a suspender e amarrar nos telhados, atravessando a rua e colorindo lindamente a paisagem. No começo do mês, os pais já compravam nas compras de supermercado, os ingredientes para as comidinhas do dia da festa. Pipoca, arroz doce, canjica de coco, canjica de amendoim, bolo de fubá, de mandioca, pé de moleque e batata doce pra assar na brasa da fogueira. Uns e outros com um pouco mais de dinheiro, assavam carne. Era um dia de muita alegria. Os cheiros de coisa gostosa tomavam de conta de tudo.
A gente se preparava todo. Além da fogueira, das bandeirinhas e das comidas, a gente se enfeitava colocando retalhos coloridos nas roupas. As mães, quase todas, tinham máquinas de costura em casa e faziam isso pra gente. Com tudo preparado, a ansiedade pra chegar a hora de começar era grande. Fogueira pronta e acesa, forró raiz tocando na vitrola e o cheiro de pipoca tomava de conta da rua. A gente improvisava uma quadrilha, anarriê pra cá, avancê pra lá, a gente se divertia e comia coisa boa a noite inteira. Alegria de menino pobre é barriga cheia de coisa doce. De casa em casa, naquelas ruas de chão batido e poeira solta, a gente passava e ia provando um pouquinho de cada guloseima. A partilha era feita com amor e alegria por todos. Éramos vizinhos, mas parecíamos mesmo como uma grande e unida família. Os filhos eram filhos de todos. As mães e pais eram de todos também.
As fogueiras acesas iam iluminando as frentes das casas e iluminavam também os nossos olhos de criança. O calor daquele fogo aquecia nosso coração e trazia conforto pra alma. Pula fogueira, rodava bombril queimando (fazia um efeito espetacular de labaredas voando), soltava uns traques aqui e ali. Era um dia que a gente se esquecia das dificuldades da vida daquele tempo. Casas pequenas, famílias grandes, pouco recurso, pouco investimento do governo no lugar onde a gente morava. Mas era um povo tão forte, que haviam muitos motivos pra festejar, por mais simples que fosse o festejo. Em anos assim, que misturava São João com Copa do Mundo, a festa era dobrada, as bandeirinhas ganhavam cores em verde amarelo e a união daquele povo aumentava. Tempos bons. Quem sabe é quem viveu aquilo. Coisas simples, enfeitadas de retalhos de pano e papel velho, mas que tem cor de ouro e cheiro de doce nas memórias da gente.
"Olha pro céu meu amor, veja como ele está lindo!"
Viva as boas lembranças!
Valsava cheia de encanto, em rodopios ao escutar a melodia que tocava dentro de si. Se iluminava com aquela luz que lhe clareava mais ainda o brilho do sorriso. Era lindo. Era isso! Tinha se reencontrado com a criança interior, que contra a sua vontade, havia silenciado e escondido durante todo esse tempo. Com as mãos para o céu, fazia um suave movimento e seus dedos bailavam a tocar as nuvens alvas e os céus azuis de seus novos dias. Não era estranho aquilo? Alguém que mal sorria, agora desfilava alegria e cuidava de si como quem rega uma rara e valiosa flor. Seria amor? Sim! Amor próprio brotando! Mudança de planos surgindo, risos soltos aparecendo, novos momentos nascendo e felicidade a vir pela frente. Estava contente. Para quem já esteve vestida de tentativas e frustrações, agora se vestia de frios na barriga e calores pela vida. Mistura de mulher e menina. Guerreira e Princesa. Combinação de múltiplos sentimentos e reencontros. Ela era um abrir de janelas e luz do sol. Era ressurreição de alma. Era um jovem perfume no mesmo rejuvenescido frasco. Uma mistura de cor e desejo. Vontades e sonhos. Outra pessoa dentro de um mesmo coração. Aceitou os fatos, tirou novos retratos, cortou os cabelos e com os que fios que caiam pelo chão, caiam juntos os seus medos de mudar. Saiu por essa vida, porta afora, vidraças abertas, feliz foi se buscar. Foi se reencontrar. Foi se recriar. Foi se amar!
Me arrepia cruzar olhares com as nuvens, nestes dias em que espero alguma luz a vir do céu. Me alegro ao encontrar nestas nuvens o olhar de Deus. Nessa troca de sorrisos, um “estamos juntos” no olhar e a sensação de pertencimento que me dá coragem, me dá amor, me traz esperança e aumenta a minha fé. Ver nas nuvens, os braços do Pai a mim direcionados, os anjos dançando ao Seu lado, celebrando nossas vidas é muito bonito. Sentir-se amado é algo sagrado. Mais bonito ainda, é saber que tudo isso não é exclusividade de alguns apenas. Somos todos abençoados. Eu e vocês. Que maravilhoso é poder entender o direcionamento do Senhor e andar seguindo a direção que ele nos dá. Que abençoados somos, por juntos à Ele, sorrindo poder caminhar.
Quando penso em desistir eu olho lá para dentro de mim e revejo todas as vezes que já precisei parar contra a minha vontade. Acredito ser maldade querer fazer isso comigo. Me entregar não posso mais. Eu me pego dizendo lá para o meu eu interior. Vai! Não desiste! Hoje você pode vencer isso, ontem não podia, lembra? Aproveite as forças que tem agora, pois só precisa delas para seguir adiante. Se não quer o passado de novo não tente revive-lo no presente, não queira revisitá-lo toda hora, caminha para a frente e acredite que dá. A vida está além disso tudo que quer te travar. Quantas vezes seu sorriso já se escondeu? Já deu! Lute para sorrir, não queira mais estar aonde não consegue voar. Queira um mar para navegar. Um mar revolto, raivoso, onde você possa demonstrar para o mundo quem tu és, velejando contra as marés e chegando a terra prometida. Vá em busca do teu sol! Isso sim é vida: Ir devagar, aos trancos e barrancos, contra o mar que quer te afundar, mas nunca desistir, nunca cessar de remar, nunca pensar em parar!
