Caio Fernando

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"Antes de ficar feio, violento e sujo feito você anda, peço o desquite."

Para você, revelo humilde: o que importa é a Senhora Dona Vida, coberta de ouro e prata e sangue e musgo do tempo e creme Chantilly às vezes e confetes de algum carnaval, descobrindo pouco apouco seu rosto horrendo e deslumbrante. Precisamos suportar. E beijá-la na boca.´ De alguma forma absurda, nunca estive tão bem.

"Inconstante: é assim que sou. Nenhuma outra palavra poderia me descrever tão bem."

E sem ninguém saber, em segredo, cada vez mais: acreditava, acreditava.

Passaram-se meses, ela não o esquecia.

Tão simples, tão claro. E de alguma forma inequívoca, para sempre.

Quis precisar, sem exigências, E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende?

Eu estou apenas tentando suavizar oq eu não é suave.

É uma atriz, tão menina, e de vez em quando umas entonações sabidas de balzaquiana, ironias de diva, charme de gatinha.

nunca saberás quanto e como já conheço cada milímetro da tua pele

O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu

- Eu sabia. Não é verdade que você não me quer. - Claro que não é verdade. Claro que tudo é mentira. Vem, não se pode viver sem amor.

Sabe que, se há uns anos eu pensasse em mim agora aqui sentada com você, eu não ia acreditar?

Que seja ele, que seja exatamente este o porto. Mesmo para odiá-lo apaixonadamente algumas vezes (...)

É tão mais fácil aturar a vida sabendo que tem você.

Na minha cabeça, certo é tudo aquilo que dá prazer da gente fazer, desde – claro – que não prejudique ninguém.

A gente tem, e se não tem, Deus dá, e se Deus não dá a gente inventa, você sabe

Não era nada com você. Ou quase nada. Estou tão desintegrado.

Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:

- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.

"Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não sentíamos dor, mas aquela emoção daquela hora ali sobre nós, eu nem sei se era alegria, também não usava máscara. Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara, ainda mais no Carnaval."

(Mas finjo ser adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarso essa sede de ti, meu amor que nunca veio - virá? viria? - e minto não, já não preciso). Preciso sim, preciso tanto. Alguém que me aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa.

Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates… Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar!

Odeio muito os dias que não te vejo.

— Estou precisando de uma caixa nova.
— Pra quê?
— Guardar a minha coleção de decepções.

Quando o dia começa, junto dele continuo a construção e desconstrução de mim mesma... há dias que sinto ter encaixado peças importantes, definitivas e dali tenho a sensação de que tudo que há por vir é só lucro, mas no dia seguinte retiro tudo aquilo... Desisto daquela ordem de montagem e começo do zero... eu gosto muito de um trecho de uma música "prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".... é muito chato ter verdades absolutas, planos definitivos, enfim, nada como um dia após o outro para se ter sempre a chance do recomeço... de um novo eu... de um novo plano de vida... de uma melhor verdade...