Este poema toca na ferida de qualquer... Jackpot

Este poema toca na ferida de qualquer relação longa: o desvanecimento da chama inicial e a transição da paixão avassaladora para o silêncio cotidiano. A metáfora dos "corpos celestes" é excelente, pois tira o amor do plano humano e o coloca na imensidão do cosmos, onde tudo é maior e mais trágico.


Aqui está a versão lapidada para elevar a intensidade e a melancolia do texto:


A Órbita do Desgaste
Será que a intensidade com que dois corpos celestes
colidem pela primeira vez
guarda a mesma força ao longo das eras?


O que acontece com a gravidade desse amor?
Ele se expande até o infinito ou se consome no vazio,
tornando-se menor com o passar do tempo?


Por que os diálogos se apagam?
Por que as palavras, que antes os mantinham em órbita,
agora são substituídas por um silêncio tão denso?


Onde foram parar os gestos, os presentes, os poemas,
o tempo que, insaciáveis, devoravam juntos?


Será que a chama ainda arde no núcleo desses astros,
ou restou apenas a cinza de uma estrela morta?
Como amar até o fim, sem se perder no caminho?


Como manter o brilho aceso,
até a última idade, onde finalmente os dois corpos celestes
não suportam mais a distância e, enfim, se apagam juntos?