Juliana Vitoria
Resiliência – Aprendendo com cada passo
Na vida, todos nós passamos por situações que funcionam como estímulos aversivos coisas que provocam dor, tristeza ou frustração.
É natural que, diante disso, a primeira vontade seja evitar, fugir ou se proteger. E, às vezes, isso é mesmo necessário.
Mas a resiliência é como um repertório de respostas que a gente aprende e fortalece ao longo do tempo.
Ela não significa que a gente não sinta dor, e sim que, apesar da dor, conseguimos encontrar formas diferentes de agir, sem ficar preso apenas à evitação.
Quando enfrentamos uma dificuldade e conseguimos seguir adiante, estamos modelando novos comportamentos, aprendendo que existem alternativas para lidar com a situação.
Cada vez que encontramos uma solução mesmo pequena nosso comportamento de enfrentamento é reforçado, aumentando a probabilidade de que, no futuro, possamos agir de forma semelhante.
A resiliência também envolve flexibilidade: ajustar o que fazemos diante das mudanças do ambiente.
Às vezes, isso significa pedir ajuda, reorganizar rotinas, ou até aceitar que algumas coisas não estão sob nosso controle.
Assim como na aprendizagem, ser resiliente é um processo gradual: começamos com pequenas respostas, reforçadas aos poucos, até que, um dia, percebemos que conseguimos lidar com tempestades que antes pareciam impossíveis.
No fundo, a resiliência é um conjunto de comportamentos aprendidos, mantidos e fortalecidos pela nossa história de vida, pelas pessoas que nos apoiam e pelas consequências que nos mostram que vale a pena continuar tentando.
Culpa
A culpa não chega gritando.
Ela sussurra.
Surge como um pensamento repetido na madrugada:
“Eu deveria ter feito diferente.”
E quanto mais essa frase ecoa, mais ela pesa.
Não é apenas o que aconteceu que dói é a história que eu conto sobre o que aconteceu. Quando transformo o erro em sentença, a dor se amplia. Quando digo a mim mesma “eu estraguei tudo”, começo a acreditar que sou maior do que o próprio erro. E então a culpa deixa de ser um sentimento e vira identidade.
Mas se eu paro por um instante…
Se eu respiro…
Talvez eu consiga enxergar que, naquele momento, eu estava tentando sobreviver com os recursos que tinha. Talvez estivesse cansada demais, confusa demais, ferida demais para escolher melhor. Nós decidimos a partir do que conseguimos ver e às vezes nossa visão está turva.
O passado não pode ser reescrito.
E lutar contra isso só me aprisiona mais.
A maturidade começa quando eu escolho olhar para o que foi feito sem fugir. Quando reconheço:
“Eu errei.”
Sem justificar.
Sem dramatizar.
Sem me destruir.
Errar não me transforma em erro.
Significa apenas que sou humana.
Hoje, talvez o mais difícil e o mais libertador seja dizer:
“Há consequências. E eu vou encará-las.”
Não tenho poder sobre ontem.
Mas tenho responsabilidade sobre agora.
Aprendemos que o amor de mãe é incondicional. Aprendemos também que a vida deve nos servir que as árvores nos dão frutos, os mares e lagos nos oferecem água para saciar a sede, os peixes nos alimentam, a chuva faz tudo florescer. Mas existe um momento em que essa ideia se quebra. É quando a realidade encontra a fantasia. No inverno, não há frutos. A árvore não se importa se você está com fome, se tem filhos, ou se vai sobreviver ela apenas segue seu ciclo. A chuva, quando tarda, não se preocupa com suas plantações, com seus animais ou com o sustento da sua vida. E o leão não pergunta se hoje de manhã você fez caridade, ele apenas precisa se alimentar. A vida não gira em torno de nós. E é nesse entendimento que algo desperta. Percebemos que viver exige responsabilidade: planejamento, esforço, adaptação. Aprendemos a lidar com a seca, com a escassez, com a ausência e, principalmente, a não depender daquilo que não controlamos. Isso é despertar. Isso é sair da ilusão. Mas a natureza ensina, ensina a se respeitar. Eu dou o meu melhor fruto, mas quando chega o inverno, eu me recolho e me respeito, reconheço meus limites. É em silencio ela diz’’ assim como não esperei você vir me regar para gerar meus frutos, também não me espere para se alimentar.
