André Luiz Santiago Eleuterio
Ser decepcionado por alguém é uma experiência que todos enfrentam em algum momento da vida. A primeira vez costuma ser inesperada, quase como um choque. A decepção chega de surpresa, porque ainda acreditamos na imagem que criamos da pessoa. Na segunda vez, já não há o mesmo espanto: é um aviso. Um sinal claro de que algo não está em equilíbrio. Porém, quando a mesma situação se repete mais de duas vezes, já não estamos mais diante de um simples erro do outro, mas diante de uma escolha nossa.
É duro admitir, mas a insistência em permanecer em um ciclo de decepções revela mais sobre o que aceitamos do que sobre o que nos fazem. Quando alguém mostra repetidamente quem é e ainda assim escolhemos ficar, a dor que sentimos deixa de ser apenas consequência do comportamento alheio. Passa a ser também o resultado de nossa permissão silenciosa. Nesse ponto, não se trata mais apenas do outro, mas do limite que colocamos , ou não colocamos em nossa vida.
Decepções que se repetem são lições não aprendidas. Elas carregam a mensagem de que precisamos olhar para dentro de nós mesmos, identificar o porquê de tolerarmos atitudes que ferem, e entender que não merecemos menos do que respeito e verdade. Continuar em um vínculo que machuca é como insistir em uma porta que já demonstrou estar fechada. A cada tentativa, a frustração aumenta, e o coração se desgasta.
É natural querer acreditar que as pessoas mudarão, mas a transformação não acontece pelo nosso desejo. Cada um só muda quando reconhece a própria necessidade. Enquanto isso não ocorre, a escolha de permanecer se torna um fardo que carregamos sozinhos. Por isso, compreender o valor do “basta” é um ato de coragem. Ele não representa desistência, mas sim a defesa da própria dignidade.
O coração pede, em silêncio: “me escolha desta vez”. Escolher-se significa priorizar a própria paz, mesmo que isso implique deixar para trás quem gostaríamos que tivesse ficado. É doloroso, mas também libertador. Quando aceitamos que não temos controle sobre os atos do outro, mas temos total controle sobre o que permitimos em nossa vida, damos um passo rumo ao amadurecimento.
A repetição da decepção serve como um espelho. Mostra-nos nossas próprias fragilidades, nossos medos de estar só, nossas esperanças insistentes. Mas também nos convida a romper o ciclo, a reescrever a história a partir de uma decisão consciente. Afinal, permanecer onde não há reciprocidade é se condenar a reviver a mesma dor inúmeras vezes.
Aprender a se escolher é, portanto, uma prática de amor-próprio. É entender que a verdadeira lealdade deve começar dentro de nós. Quando decidimos dar prioridade ao que nos faz bem, abrimos espaço para relações mais saudáveis, autênticas e respeitosas.
Ser decepcionado não é o fim. É um chamado para enxergar a verdade, para aprender sobre limites e para crescer. A vida não se resume àqueles que nos ferem. Pelo contrário, ela se expande quando entendemos que merecemos vínculos mais sinceros. E, quando escolhemos a nós mesmos, não perdemos , ganhamos de volta a liberdade de viver em paz.
Por André Luiz Santiago Eleuterio.
O Valor da Dúvida e o Perigo das Falsas Certezas – Andre Luiz Santiago Eleuterio
Em qualquer tempo, mas especialmente nos dias de hoje, há um contraste visível entre dois grupos de pessoas: aquelas que refletem, questionam e convivem com dúvidas, e aquelas que exibem certezas absolutas sem qualquer base sólida. Esse contraste gera um problema social sério, porque enquanto os que pensam estão em constante busca de conhecimento, os que não refletem agem de forma precipitada, impondo opiniões sem critério.
Nem toda dúvida é sinal de fraqueza. Pelo contrário, ela pode ser um indício de inteligência e maturidade. Pessoas que se permitem questionar revelam que não aceitam respostas prontas, querem compreender melhor antes de agir e reconhecem os limites do próprio saber. Essa atitude demonstra humildade intelectual, além de abrir portas para o crescimento. Afinal, quem tem coragem de duvidar, tem coragem de aprender.
Do outro lado, existem indivíduos que carregam uma falsa confiança. Falam com firmeza, impõem opiniões e defendem ideias sem nenhum fundamento. Muitas vezes, não estudaram, não buscaram informação e nem se preocuparam em verificar se o que acreditam faz sentido. Esse tipo de certeza vazia pode ser perigoso, porque convence os mais ingênuos e cria ambientes de intolerância. Quem não aceita questionamento fecha portas para o diálogo e para o desenvolvimento coletivo.
A dúvida pode gerar desconforto, mas é justamente ela que move o pensamento crítico. Imagine um cientista que nunca questionasse os resultados de um experimento ou um estudante que aceitasse qualquer informação sem refletir. O avanço da humanidade só aconteceu porque pessoas inteligentes decidiram perguntar “e se…?”. Cada passo importante na história foi marcado pela coragem de enfrentar incertezas e desafiar verdades aparentes.
Já as certezas sem fundamento levam à estagnação. Quando alguém acredita que sabe tudo, deixa de aprender. Esse comportamento cria barreiras e distancia a pessoa da realidade. É comum encontrar quem fale com convicção sobre assuntos que desconhece, repetindo informações superficiais ou até mesmo falsas. No entanto, a força da palavra dita com segurança, mesmo sem base, pode confundir e até enganar multidões.
Por isso, é preciso aprender a valorizar a dúvida. Ela não significa falta de direção, mas sim abertura para explorar novas possibilidades. Ao mesmo tempo, é necessário desconfiar das certezas rígidas, principalmente quando não vêm acompanhadas de argumentos sólidos. A verdade não teme ser questionada; quem teme é a mentira.
No convívio social, essa reflexão se torna ainda mais urgente. Pessoas que reconhecem suas limitações tendem a ouvir mais, respeitar o outro e buscar pontos de equilíbrio. Já aquelas que vivem de certezas absolutas tendem a se fechar, criar conflitos e impor julgamentos. A convivência saudável só é possível quando há espaço para a humildade e para o diálogo.
É importante lembrar que ninguém sabe tudo. Carregar dúvidas é humano, e reconhecer isso é sinal de maturidade. A inteligência não se mede pela quantidade de respostas prontas, mas pela disposição em refletir sobre perguntas difíceis. Do outro lado, a arrogância de quem acredita estar sempre certo pode se tornar uma prisão, impedindo qualquer forma de evolução.
No fim, a mensagem é clara: é melhor viver com dúvidas honestas do que com certezas vazias. Quem duvida aprende. Quem questiona cresce. E quem se abre para novas possibilidades encontra caminhos que a falsa confiança jamais permitiria enxergar.
Por André Luiz Santiago Eleuterio.
