Ate o Mel mais Puro em um Recipiente
“O Infinito em Fragmentos”
Não quero ser um. Quero ser todos. Quero sentir como o místico sente Deus, como o pagão sente a carne, como o engenheiro sente a precisão dos números. Quero contradizer-me, porque na contradição habita a totalidade. Ser coerente é ser parcial. É escolher uma porta e fechar todas as outras. Eu quero atravessar todas as portas simultaneamente, mesmo que para isso precise me estilhaçar em mil pedaços.
Inventei-me vários. Não por loucura, mas por necessidade metafísica. Como poderia um só homem conter o universo? Como poderia uma só voz cantar todas as canções possíveis? Então fragmentei-me. Fiz de minha ausência de centro a minha obra-prima. Onde outros construíram identidades sólidas como fortalezas, eu construí um arquipélago de ilhas que nunca se tocam mas pertencem ao mesmo oceano.
Há aquele que nega o pensamento e vê apenas o que existe. Há o que exalta os deuses antigos e a beleza sensorial do mundo. Há o engenheiro das palavras, frio e preciso. Há o que escreve mensagens cifradas sobre ocultismo e hermetismo. E há eu, que não sou nenhum deles e sou todos ao mesmo tempo, o maestro invisível de uma orquestra onde cada músico toca uma partitura diferente.
Sentir tudo de todas as maneiras. Não é dispersão. É ambição máxima. É querer ser o universo experimentando a si mesmo. Cada emoção possível, cada pensamento concebível, cada filosofia imaginável - tudo isso precisa ser vivido, sentido, expresso. Não posso me limitar a ser católico ou ateu, monárquico ou republicano, clássico ou moderno. Preciso ser todos esses e seus opostos, porque a verdade não está em nenhum deles mas na soma impossível de todos.
Os outros escrevem o que sentem. Eu sinto o que escrevo. Ou melhor: invento quem sinta o que preciso expressar. É uma fraude? Talvez. Mas é a fraude mais honesta que existe. Porque reconhece que toda identidade é ficção, todo “eu” é personagem, toda coerência é máscara. Eu apenas tive a coragem de admitir que sou teatro, e de fazer desse teatro a minha verdade.
Não tenho biografia. Tenho bibliografias. Não tenho psicologia. Tenho dramaturgia. Minha vida não está nos fatos que vivi mas nas vidas que criei. Enquanto outros buscam encontrar-se, eu me perdi propositadamente em todas as direções possíveis. E nessa perda encontrei algo maior que qualquer identidade individual poderia oferecer.
A unidade do ser é uma prisão confortável. “Conheça-te a ti mesmo”, diziam os gregos. Mas e se não houver um “ti mesmo” para conhecer? E se formos apenas potência pura, possibilidade infinita que se trai cada vez que escolhe uma forma? Preferi não escolher. Ou melhor: escolhi todas as escolhas, habitei todas as possibilidades.
Minha ausência de identidade fixa não é falha. É método. É filosofia encarnada. É a prova viva de que podemos ser mais que nos permitem ser. Que podemos explodir os limites do eu e nos espalhar por todos os eus possíveis. Que podemos fazer da multiplicidade não uma doença, mas uma arte.
Serei lembrado? Talvez. Mas por quem? Pelo sensacionista? Pelo heteronímico? Pelo ortónimo melancólico? Por todos e por nenhum. Porque minha obra não é o que escrevi. Minha obra sou eu - ou melhor, a ausência de mim transformada em constelação de presenças.
Sentir tudo de todas as maneiras. Viver todas as vidas. Morrer todas as mortes. Ser nenhum para poder ser todos.
Esta é a única identidade que aceito: a de não ter nenhuma.
E assim me tornei múltiplo, para que na multiplicidade coubesse o universo inteiro.
Pessoa: o nome perfeito para quem escolheu ser todas as pessoas possíveis.
Há afetos que não se repetem.
Sentimentos que só vestem um nome, uma memória,
um instante eterno.
É quando o coração sussurra o que nenhuma palavra
explica.
Depois...
restou apenas o eco das ausências,
um vazio que corrói como ferrugem.
Os encontros se despedaçaram,osolhares se perderam,
as mãos nunca mais se reconheceram.O depois é cruel,um abismo que engole lembranças,
um veneno lento que apaga até o que foi belo.E no fim,o depois não é futuro,
é só a ruína do que já não existe.
É um susto doce, esse.No meio do caos do mundo, onde todos corr
em atrás de likes e telas frias,eu me vi offline, imerso no que é vivo.Estive com meus filhos,vivi o toque, o riso, a herança do afeto.Abracei meus netos — esses pequenos pontos de luz que carregam o meu DNA e o futuro nos olhos.E, de repente, o clique:enquanto o mundo busca o 'extraordinário',percebi que sou a elite do bem-estar.Minha conta bancária emocional transbordou.Sou, sem exagero e com toda a paz do agora,mais rico e mais feliz que 90% do planeta.Não é sorte, é conexão.É o luxo de ser amado por quem a gente ama.
Se os mitos que vivem na mente humana fossem eliminados, a humanidade sofreria um colapso total, nunca visto e jamais imaginado.
F. Meirinho
Haverá dias em que precisaremos sentar e olhar olho a olho e dizer um ao outro coisas que, diante da plateia, não poderão ser ditas.
Existe em cada um de nós reflexos de um passado cheio de cicatrizes, mas também de um futuro que nos reserva surpresas inimagináveis. Eu creio nisso!
Cuidado...
Não confunda sorrisos com caráter; às vezes, por detrás de um rosto bonito, há um veneno guardado. Judas ainda está vivo!
Anelante.
Não quero apenas um abraço!
Não quero apenas um sim!
Não quero apenas um "te amo"!
Não quero apenas um "gosto de você"!
Quero atenção, com reação.
Quero um abraço demorado.
Carinho sem proibição.
Quero amar e ser amado.
Quero...
Quero você em meus braços.
Quero longas viagens no espaço.
Quero... quero acordar e te ver!
Quero... quero tudo e mais um pouco!
Quero, no mundo, o olhar de menina me querendo em seus braços.
Eu quero!! E você?
Era apenas um bilhete.
Noite fria, e o choro não cessava. Medo! Reflexão me apavora. Calma, é apenas minha alma se mexendo na cama da tempestade.
Maltrapilho e esquecido!
Abandonado e desconfiado!
E nas andanças da vida, percebo a dúvida ao meu lado. Incansável e insistente, ela querendo saber mais das minhas Procrastinação.
Sombria e demorada.
Presa em castelos de papel timbrado. Ouso em dizer, são versos, são letras de um coração pensativo em meio as trevas da dúvida.
Quero, mas não posso!
Desejo, mas não compartilho!
Sinto, mas não permito avançar! Amo, mas dúvido desse amor! Investigada minh'alma, magoada por ter escolhido eu. Paradoxol me apavora, mas como tentar explicar a Carência e a solidão se não forem versos em caixão. Não me refiro a morte, mas o luto que inflamar ela.
Quero. Quero tanto!
Quero. Mas querer o quê
Quero ser feliz, amado, lembrado e admirado. Não pelas virtudes que insisti em não me querer, mas pelo simples fato de ser lembrado. E em meio a objetos duradouros. Estou eu, de vidro e porcelano. Aguardando a realidade me visitar.
Tesouro Escondido.
Há um tesouro escondido
que o mundo não pode comprar,
não cabe em cofres de ouro
nem se pode roubar.
Ele vive no silêncio
de um coração verdadeiro,
na mão que ajuda o cansado,
no abraço ao estrangeiro.
É feito de fé e coragem,
de esperança ao amanhecer,
de quem planta bondade
mesmo sem nada receber.
É a verdade que liberta,
a justiça que traz paz,
o perdão que cura feridas
e o amor que se refaz.
Muitos buscam riquezas
para enfim se completar,
mas o maior dos tesouros
está em aprender a amar.
Pois quem guarda a humildade
e caminha em gratidão
leva um brilho escondido
acendido no coração.
E ainda que venham tempestades
ou caminhos de solidão,
quem carrega esses valores
nunca anda sem direção.
Porque o tesouro de Deus
não se mede pelo olhar:
é eterno, puro e vivo,
pronto para transformar.
Momentos!
Às vezes, é preciso.
Às vezes, é importante.
Às vezes, é só um momento.
Às vezes, é o mundo inteiro cabendo em um segundo.
Outras vezes, não sobra nada além da lembrança.
Há dias em que entendemos.
Há dias em que apenas sentimos.
E talvez a beleza da vida esteja justamente nisso: nos seus incontáveis "às vezes".
Estou dando uma Pausa.
Por um tempo, escolho o silêncio.
Longe dos holofotes. Longe da correria. Longe de tudo aquilo que, aos poucos, foi consumindo minhas forças sem que eu percebesse.
Não é desistência. Não é fuga. Não é falta de amor pelo que faço.
*É cuidado*
É o reconhecimento de que existe algo mais importante do que continuar correndo: Cuidar da alma.
Passei anos vivendo para tantas responsabilidades, carregando pesos, enfrentando batalhas e tentando permanecer forte. *Sorri quando estava quebrado. Caminhei quando estava ferido. Permaneci de pé quando tudo dentro de mim queria desabar*
Travei guerras silenciosas que quase ninguém viu. E algumas delas ainda estou lutando.
Mas até os guerreiros se cansam.
Até os mais fortes precisam parar para respirar, se curar e se reencontrar.
A caminhada deixou marcas. Algumas profundas. Mas, pela graça de Deus, continuo de pé.
Não sustentado pela minha força.Não pela minha capacidade. Mas pela graça que me alcançou quando eu já não tinha forças para continuar.
Por isso, escolho parar.👇
Parar para orar mais. Parar para jejuar mais. Parar para ouvir mais a voz de Deus. Parar para voltar ao lugar onde tudo faz sentido: A Sua presença.
Porque ministério sem intimidade vira ativismo. Serviço sem descanso vira exaustão. E uma alma vazia não pode oferecer aquilo que ela mesma não possui.
Jesus também se retirava para lugares solitários e orava. Se o Mestre precisou parar, quem sou eu para achar que não preciso?
Então, esta não é uma despedida.
É apenas uma pausa de tudo o que me fez cansar em minha jornada. Agora, inicia-se um novo tempo. Quero ser usado e cheio da graça para apresentar Cristo ao mundo. Agora é tempo de ter mais intimidade com Ele, porque foi Deus quem me chamou e tem me cobrado sobre isso!
Uma pausa para reabastecer.Uma pausa para restaurar.Uma pausa para voltar mais forte, mais inteiro e mais perto de Cristo.
Às vezes, a maior demonstração de fé não é continuar correndo.
É ter coragem de parar nas mãos de Deus.
"Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava." — Lucas 5:16
Nossas casas estão edificadas, nossos vinhedos estão plantados em redor do sopé de um vulcão. Hoje podem ser belas e florescentes; mas amanhã cinzas é tudo quanto poderá restar. Portanto, abri bem as mãos, enquanto elas tiverem bênçãos a propiciar; pois, daquilo que derdes, jamais podereis ser privados"
Edward Payson, citado por Russell Norman Champlin, Novo Testamento Interpretado, volume 5, pág. 356
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