As vezes Basta ser o Colo que Aquece
A fé genuína se basta. Quando alguém dedica a vida a convencer ateus, talvez não esteja combatendo a descrença alheia, mas a própria dúvida que o corrói.
“A ditadura não precisa destruir todas as leis; basta escolher quais leis serão obedecidas pelo poder.”
Não basta libertar o homem dos velhos dogmas; é preciso ensiná-lo a caminhar sem precisar de correntes invisíveis.
A propaganda não precisa alterar os fatos para alterar a realidade percebida; basta decidir quais fatos merecem ocupar a memória.
O algoritmo não precisa ordenar que alguém pense; basta organizar o mundo que essa pessoa verá antes de pensar.
A ciência não precisa provar que Deus não existe; basta reconhecer que a ausência de evidência não autoriza transformar uma hipótese metafísica em fato científico.
A ciência não precisa matar o mistério; basta impedir que o mistério seja falsificado como conhecimento.
Há verdades que não precisam de censura para morrer: basta entregá-las a uma sociedade que desaprendeu a perguntar.
O século XXI sofisticou a mentira: já não precisa ocultar os fatos, basta inundá-los de versões até que a verdade pareça apenas mais uma opinião.
O Estado laico não precisa combater a fé: basta impedir que qualquer fé adquira o monopólio jurídico da consciência.
Quem rejeita toda forma de convivência social ou já se basta absolutamente a si mesmo ou deixou de compreender aquilo que significa ser humano.
Penso, mas quanto mais rigorosamente penso, mais percebo que existir não basta: é preciso investigar as razões daquilo que acredito ser verdadeiro.
Não basta possuir inteligência; é necessário aprender a governá-la, porque uma mente poderosa sem método pode produzir erros mais sofisticados.
O mal não precisa existir como substância independente para produzir consequências reais; basta que o bem devido seja negado onde deveria existir.
