Às Vezes
Quem Bavárias vezes chama
tem amor; Cintra o que digo;
sendo assim não faça Brahma
-Por favor, Kaiser comigo!
Não critique tão duramente a mulher vitima de maus tratos. Ela muitas vezes tem,antes de covardia,medo.E será que todos sabem o que faz o medo?.Não é somente o medo do agressor, mas, medo do que pensam ou pensarão a seu respeito.Ela tambem tem uma história que desenvolveu esse medo.A crítica é fácil.o dificil é compreender e ajudar. Não ter pena, mas desenvolver nesta mulher, condição para deixar de ser vítima.
PELA ÓTICA DA ÉTICA
Na maioria das vezes, ética é a lei da consciência. É aquele sentimento que nos faz classificar o certo e o errado, sem qualquer influência das leis formais ou escritas. Quem tem ética sabe, por exemplo, que pelas leis formais poderia colher as frutas do quintal vizinho, que estejam em galhos pendentes para o seu quintal. Porém não as colhe, porque apesar das leis, as frutas não são suas. Para ele seria roubo. Legal, mas roubo.
A outra face da ética é a lei do bom senso. Raramente alguém tem. Ela se manifesta, entre outros casos, quando esse mesmo indivíduo que não colhe as frutas do vizinho, mesmo amparado por lei, também não exige que o vizinho corte o galho. Nem o corta ele próprio, e não é por medo, mas porque o galho não o prejudica e não vale a pena estremecer a convivência - ou a não convivência - por um detalhe sem relevância, em nome do mero exercício do direito.
Lei da consciência ou do bom senso, a ética sempre aponta o dedo para o indivíduo que a tem. Cabem a ele os cuidados com o outro, para que a vida em todos os setores da sociedade seja saudável. Nestes tempos em que a ética é artigo de luxo, quem a pratica faz contorcionismo para não se aviltar, pois exige muito esforço e caráter. Ainda assim vale a pena, pelo quanto a virtude o engrandece, apesar das injustiças e do muito que cede aos invasores, maledicentes, folgados e desonestos.
No dia em que não a ética, mas a sua falta for exceção, a justiça é que será regra. Tanto quanto será regra sermos felizes, porque viveremos no tal mundo igualitário, fraterno, bem melhor... Ou sustentável, como temos que nominar por força e lei da mídia, para que os textos e discursos contemporâneos mereçam espaços e acessos.
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Perdi a soma de quantas vezes venci a morte por doença, inanição, assassinato, acidente, vício... Depois de tantos anos e muitas voltas por cima da quase morte, sei que será difícil, mas vencerei meu maior desafio: Não morrer de amor por você.
VOLTA INTERNA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Desisti muitas vezes.
Mas logo depois
decidi que o depois
decide por mim.
Foi aí que voltei
do caos, da sombra,
do próprio fim
traçado e pronto.
Converti muitos pontos
em reticências;
voltei a sorrir;
persisti, desisti
das desistências.
VOCÊS UM
Para Rodrigo, Alice Lobo e elas
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tudo vezes dois
pra vocês um:
emoção e certeza
do agora e depois,
da vida em comum...
Tudo vejam duplicado,
como quem bebeu;
e desta vez
"vós bebês"
do melhor vinho;
mais doce rum...
E a vida, o mundo
são de vocês...
quatro; três...
vocês um.
FÚRIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Às vezes, por mais que tentemos não deixar, o pior de nós se afigura com a força brutal da fraqueza que nos faz esquecer o mundo à volta. Quando isso acontece, quebramos toda frágil certeza do que buscamos. Ferimos a nós próprios, pela ciência do quanto estamos aquém do nosso ideal. De quem achamos que somos ou tentamos ser... do nosso eterno sonho de paz interior, pela conquista do equilíbrio.
Sentimos um peso inexplicável. Um cansaço desmedido. Queremos, mas não há como escapar da consciência. Ficamos presos, e cada passo é pro nada. Pro vazio que habita em nós. Nesse ponto, só nos resta esconder... ou pelo menos tentar, por mais um tempo, engambelar esse bicho acuado, por isso mesmo feroz, que mora nesse vazio. Nessa falha de humanidade que desde sempre conheço, pois a tenho.
CACOS DE ROTINA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Às vezes, o grande problema de se quebrar a rotina é fazê-lo de forma tão radical, que depois não haja como juntar e colar os cacos.
POR NADA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O nada nunca existiu,
se nada vezes nada
ou sobre nada,
nada seria...
Nem haveria ninguém;
alguém me responda,
se for capaz,
e de boa fé...
Afinal nada é nada,
e nada mais...
é ou não é?
ANTIMITO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É muito fácil me achar;
meu quatro é dois vezes dois;
meu já não demora...
E caso queira ligar,
eu não retorno depois;
atendo na hora...
Serei de acesso irrestrito,
se quem vier for sincero
e trouxer carinho...
Fui sempre humano antimito;
apenas quero ou não quero;
sou flor ou espinho...
MEDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A coragem de temer,
muitas vezes nos convém;
tenha medo de não ter
medo de nada e ninguém.
Respeite autorias. Sempre cite o autor.
PREFÁCIO DO QUE FAÇO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Às vezes me sinto incomodado ao escrever sobre temas como amor ao próximo, perdão, justiça, temperança... Reconheço imediatamente que, não tão depois, posso vir a contradizer tudo isso com uma prática desumana. Um não perdoar ou pedir perdão. Com a injustiça, o egoísmo e a indiferença que deprecio em prosa e verso.
Peço ao leitor de minhas páginas, que não me abandone por causa das minhas eventuais contradições. Pode até parecer hipocrisia, mas não é. O fato é que ao escrever como quem o faz para o mundo, escrevo para mim próprio. Tento me transformar em alguém melhor, e ao mesmo tempo, contagiar mais alguém.
VIVEDOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Vim ao mundo pra ser o que me cabe,
mas às vezes me cumpre descaber,
pra saber que não basta estar quem sou;
é preciso criar a própria história...
Se brotei, não me furto ao crescimento;
minha luz não fluiu pra dar um curto,
meu circuito alimenta os dons e os sonhos
que não posso deixar de construir...
Sou do tempo e já fiz a minha hora,
ela espera o seu dia no silêncio
e nos braços do agora que virá...
Não pré-dato, meu fim pertence ao fim,
dei meu sim ao convite pra viver,
mas morrer é sigilo de contrato...
DISLEXIA SOCIAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muitas vezes o amigo oculto em fim de ano, revelado como alguém especial cujas virtudes sublimam os eventuais defeitos, é exatamente o desafeto suportado no decorrer do ano. Aquele sujeito indesejado, cujos defeitos inaceitáveis enterram as eventuais, escassas e questionáveis virtudes.
Não é uma crítica. É um elogio sincero à insondável capacidade humana de assumir a cor do ambiente, o ritmo da música e a filosofia da ocasião. Saber exatamente onde ganha, perde ou empata o que tem para investir no campo das relações humanas, muitas vezes com vistas a um futuro bem próximo.
Mais do que um elogio, é uma inveja de quem nasceu aleijado neste aspecto. Sem esse dom natural e obrigatório à sobrevivência de seres sociais. Alguém que tentou, fez o curso, mas nunca teve sucesso nas provas de única escolha que o mundo aplica nessas horas cruciais.
REVIVÊNCIAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Comecei outra vez quantas vezes nem sei,
minha lei sempre foi me replantar pro mundo,
foram muitas as mortes pra saber viver
como ainda pergunto se alcancei meu alvo...
Sou as peças montadas pelo meu caminho,
venho todo refeito, mas não sei pra quê,
cato espinhos cravados por todos os cantos
deste ser e não ser que me deixa sonhar...
Inventei muitas formas de lidar comigo,
quando eu e meu eu nos ferimos de nós
ou perdemos abrigo pra tanta incerteza...
Começar outra vez é a ordem do fim,
onde o nosso verdor apodrece no pé,
mas não é nossa hora de cair do galho...
PODERES ALÉM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Acho às vezes que ateu não é termo pra mim;
nem qualquer nominata que se predisponha;
sou apenas alguém que nem sonha que sabe
quem é Deus, o que faz, o que aprova e condena...
Creio até que meus textos não são heresias,
mas apenas delírios, licenças de vate,
são aquelas poesias que vagam sem rumo
e não acham a rota pro planeta céu...
Não consigo alcançar esse Deus dissecado;
sobre o qual sabem tudo, apesar de ser Deus;
Criador recriado pelas criaturas...
É um Deus do tamanho das conveniências
de ciências, de credos e todos poderes
que terão mais poderes quanto mais o usem...
NADA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muitas vezes ensaio reaver teus olhos,
uma breve atenção que sinalize um sim,
que me chame do fim para novo começo
e me deixe feliz por pensar que já sou...
Logo acordo e me vejo tão fora do sonho,
tão real no vazio, tão corpo sem alma,
ponho todas as forças num sono forjado
pra dormir pro que sinto e me livrar de mim...
Nada salva esta nau à deriva no ermo
de qualquer esperança, de alguma utopia
menos vaga e vazia dentro do meu ser...
Se remar é preciso não é neste caso;
tenho rumo impreciso na fuga traçada
que me leva pra nada em busca de ninguém...
CEDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre cedo...
nem sempre cedo,
porém o faço.
Se às vezes tarde,
sem tanto alarde
ou em segredo,
pouco importa.
Por concordata,
por solidão,
vontade ou medo...
na hora exata,
cedo ou tarde,
tarde ou cedo...
sempre cedo.
CRONIQUINHA GASTRONÔMICA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Como tantas vezes me ocorre, hoje acordei desejoso de comer umas porcarias. Antigas porcarias que marcaram a minha infância pela junção de magreza, barriga estufada, olhar dilatado e pele amarela.
Creio que não estou sozinho nessas esquisitices pontuais da vontade humana de comer. Gente come por fome, gulodice ou mania, e por motivos mais fundos, como saudosismo; nostalgia; memória.
MENTIR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Custa caro viver a qualquer preço;
é morrer muitas vezes até lá;
ter apreço excessivo por sentir
se apagar; derreter; perder a cor...
Meu amor pela vida não é tanto
que me faça cavar um poço fundo,
dar o mundo que nunca tive à mão,
pelo tempo estendido além de mim...
Só é justo viver enquanto a vida
não é fardo pra nós ou para os nossos;
para os olhos, os ossos nem a alma...
É injusto passar do fim da estrada,
pelo simples capricho de sentir
que mentir é melhor do que morrer...
