As Pessoas Sao como Ondas

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Um grande homem é aquele que morre duas vezes. Primeiro, como homem; e depois, como grande homem.

Não damos nada tão generosamente como os conselhos.

Os maldizentes, como os mentirosos, acabam por não merecer crédito ainda que digam verdades.

Folgamos com os erros alheios como se eles justificassem os nossos.

Vida mal soletrada
a beleza continua a viver
como tatuagem

Foi de um rei que nos ficou este princípio augusto. Que jamais se é tão grande como quando se é justo.

Acossados pela cobiça, os homens correm como lebres perseguidas pelo caçador.

Vivemos com os nossos defeitos como com os odores do nosso corpo; não os percebemos, e só incomodam aqueles que vivem connosco.

Os vícios entram tanto na composição das virtudes como os venenos na dos remédios.

Até mesmo num casebre se pode ter a doença da riqueza; assim como num castelo se pode encontrar alguém no caminho da cura.

Partem os barcos -
Como ficam distantes
Os dias de outono!

Se os homens soubessem como as mulheres passam o tempo quando estão sozinhas, nunca se casariam.

A discussão, da forma como habitualmente é gerida, é o pior desporto da conversa, tal como nos livros é geralmente o pior tipo de leitura.

A liberdade, como a felicidade, é nociva para um e útil para outro.

O louvor não merecido embriaga como o vinho.

sob o sol se pondo
como alfinete no lago
descansa a garça

Os governos tendem à monarquia, como os corpos gravitam para o centro da terra.

A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

(Trecho de A Máquina do Mundo).

Os vícios, como os cancros, têm a qualidade de corrosivos.

O amor, tal como existe na sociedade, não passa da troca de duas fantasias e do contato de duas epidermes.