Areia
Tempo é areia, se não se aproveita escorre entre os dedos, ai nunca mais? Não, ela pode ser apanhada outra vez, mas jamais será tão "limpa" como antes...
Céu azul. O Sol querendo transparecer ao meio das nuvens brancas. Areia escaldante. Mar agitado. Pessoas correm de um lado para o outro para não queimar seus pés. Crianças brincam no razo do mar. Casais passam abraçados a minha frente. Fico com saudades do meu amor que aqui não está. Sinto o sol queimar, porém ele custa a me deixar marcas. Mulheres de todas as idades com o bubum para cima para pegar uma corzinha. Os Homens dentro da água batendo papo furado. Alguns vovôs e vovós jogam frescobol. Outros lêem livros enquanto esperam a sol se pôr. Final da tarde, as famílias pegam suas coisas, desarmam seus guarda-sois, fecham suas caixas de isopor, chamam as crianças para lavarem os pés, e vão para casa. Todos começam a deixar a praia vazia. A areia passa a esfriar, e o mar a se acalmar. Ali fica um Deserto frio, a espera de um novo inferno tropical chegar pela manhã.
Sapucaia
Em meio aos pés de criulis,
Na areia da vertente
Vendo as lindas borboletas,
Ouvindo o cantar dos bem-te-vis!
Saudade da Sapucaia!
Terra que me criou!
Terra das belas estórias,
Que contava meu avô!
Sapucaia querida!
Ah se eu pudesse ao tempo voltar!
Pra nas tuas terras correr,
Brincar à luz do luar!
Pescaria na vertente;
Farinhada na casa da madrinha;
Só quem viveu é que entende,
Essa epopeia minha.
Quando será que as pessoas vão parar de construir suas vidas em castelos de areia em meio a tempestade...O drama não é uma qualidade, mais é sim uma pessoa pedindo piedade a alguém muito pior que ela.
Aos poucos a areia cobre as pegadas antes feitas;
Certos caminhos precisam ser refeitos para não sumirem;
Não há como voltar quando não se vê o caminho de volta;
A cada segundo que passa menos um segundo pode passar.
Quando tudo que idealizamos se desfaz em nossas mãos como areia é fácil notar que algo ficou para trás, que deveriamos ter idealizado o caminho e não o seu final, pois somente em histórias existe um final feliz, que os caminhos se diferem e o final é sempre o mesmo.
Areia no Vento...
Que saudade da minha infância...
Tudo era maior: o tempo, o mundo.
E hoje, só correndo pelos dedos...
Escolher o caminho da mentira é tentar andar na areia movediça, pois a mentira não se sustenta diante do peso da verdade.
O gostar é como encontrar conchas na areia da praia. Amar é mergulhar fundo no oceano e encontrar a pérola mais preciosa da nossa vida!
Provavelmente, uma formiga nunca parou para se questionar sobre a Terra ser um grão de areia na imensidão do universo. Ela simplesmente carrega o mundo nas costas e sai andando, sem parar para pensar no quanto ela é pequena.
Morte por entre dedos
É ver areia fina escoar entre dedos
E o relógio que não pára de andar!
Apontam os ponteiros cruéis torpedos
A horas que não páram de contar
As areias finas dos meus medos
Que a mão da esperança quer fechar!
Será que mão fechada o tempo segura
E a esperançosa vida nela perdura?
As vezes me pego pensando nessas águas. Chego a sentir
o cheiro da areia molhada.
Outrora parece que ouço a sinfonia da correnteza...
Saudade boa do rio corrente.
Vem a mim igual vento furioso varrendo areia do deserto, amor forasteiro quente poderosa mulher, de olhar encantadora firme de alma corajosa es tu mulher virtuosa.
Enche uma cabeça de areia joga na água a cabeça vai afundar, do mesmo modo é a vida a consciência pesa quando a maldade não encontra resistência num lago de caos.
'INIMAGINÁVEL'
Escrevo o inimaginável como quem compõe esboços na areia,
solto nos grãos,
livre de quedas,
Amparo-me às tantas luzes que se sacrificam,
homogêneas e dispersas,
luas lêvedas.
Imagino o mar acuando montanhas,
abatendo e aliviando correntezas.
Aconchego de calmas,
libertando prisões,
ventanias!
Assim crio,
sem tantas alegorias ou parâmetros,
figurado,
mortal...
Sucinto o inimaginável que peçonha o peito,
e rói uma habitude sempre infinda.
Posso ser íntimo,
campestre.
Rei,
miserável.
Os cárceres perguntam algo totalmente desfigurado,
invital.
Sou inimaginável,
mas cultivo existência.
Apascentando os supetões dos grande e pequenos alpendres,
avanço calmaria,
sem ode,
ou tesouro algum...
