Apagar a minha Estrela
Até hoje eu nunca soube descrever minha mãe, eu só sei que ainda a amo quase tanto quanto eu a odeio, ou vice-versa. Foi ela quem, direta ou indiretamente, me causou as piores tristezas que eu já tive até agora, mas, sem sombra de dúvida, as minhas melhores gargalhadas foram com ela. Caíamos na gargalhada por qualquer motivo, muitas gargalhadas, minhas e dela, e eu certamente sentirei falta disso.
Uma coisa que a minha mãe sempre me dizia, e que às vezes tem funcionado bastante pra mim, é: "Desarme-se, não leve a vida à ponta de uma espada".
Cheguei sem pedir licença
com minha rima pesada.
Meu cordel pesado tem
31 anos de estrada.
Tive meus altos e baixos,
mas estou na caminhada.
No profundo olhar, desvela-se minha sinceridade,
Intensa, sou feita de amor sem suplicar por reciprocidade,
Como o mar, deixo-me levar pelas ondas da vida,
Como o sol radiante, ilumino e aqueço com alegria.
Sou luz na noite escura, clareando caminhos na cidade adormecida,
A calmaria do mar em mim reside, desafiando os que buscam mergulhar,
Minha essência reflete pureza em cada traço,
Grosseria não encontra abrigo em meu regaço.
Assim como o girassol que segue a luz do dia,
E as estrelas que brilham na vastidão do céu sombrio,
Sou simplesmente eu, única e autêntica em minha essência,
Um universo de sentimentos, emoções e presença.
Na minha opinião, ninguém sabe nada de você de verdade. As pessoas criam versões na imaginação, com suposições. Elas inventam uma história, um personagem, e julgam o que imaginam.
Mas você não deve perder energia pensando nisso. Essas ficções não definem quem você é. A vida é agora, é real e está acontecendo neste exato momento. O que importa é o que você sente, faz e vive.
Não se aprisione às expectativas ou narrativas dos outros. Liberte-se e viva.
Alexandre Sefardi
Eu não sou poeta, porque é em você que meu ser, meu espírito e minha essência se alojam, e transbordam em cada palavra. Ao mínimo, ainda que haja esperança, persisto em escrever cada uma delas em seu corpo, esquecendo o vazio que eu era durante a noite, para me sentir rico novamente em você a cada novo amanhecer.
Eu não sou poeta, porque você é. É você quem escreve estas palavras. É você quem expressa sua sensualidade com letras como gotas de suor, sua pele nesta tela branca que representa meu coração, vaso da distância do seu aroma.
Eu não sou poeta, porque é você quem sempre me conduziu pelas fantasias do meu ser, em todos os versos que a você dedico, pois você tem essa rara faculdade de atrair tudo para si.
Não sou poeta, porque é você quem me acorda todas as manhãs para me fazer esquecer o que eu sou.
Alexandre Sefardi
Era melhor ter vestido os papéis que me ensinaram, mesmo que arranhassem minha pele. Melhor ter me aninhado na bolha protetora, na zona de conforto de um mundo redondo e raso, especialista em anestesiar dores e inflar egos da turma dos privilegiados.
São Paulo, minha vida. Despertar ao som do trânsito, o cheiro de café e pão fresco na padaria da esquina. O cinza dos prédios cortado pelo verde teimoso de uma praça. A correria da Avenida Paulista, sonhos pulsando em cada olhar. Noites iluminadas, o samba na viela, o livro no metrô. A solidão na multidão e a descoberta de um sorriso familiar no ônibus lotado. Chuva de verano alagando lembranças. É cansaço e eterno movimento. Minha história escrita no asfalto, nos muros, no céu que teimo em enxergar. São Paulo, não te troco por nada.
O desejo de morrer foi minha única preocupação; renunciei a tudo por ele, até à morte.
O segredo de minha adaptação à vida? Mudei de desespero como quem muda de camisa.
Minha avidez de agonias me fez morrer tantas vezes que me parece indecente abusar ainda de um cadáver do qual já não posso extrair nada.
Cada um com sua loucura: a minha foi julgar-me normal, perigosamente normal. E como me parecia que os outros estavam loucos, acabei ficando com medo, medo deles e, o que é pior, medo de mim mesmo.
Suportaria eu um só dia sem esta caridade de minha loucura que, diariamente, me promete o Juízo Final para o dia seguinte?
Você é a chuva caindo no meu rosto e deslizando em meus lábios não tenho coragem de passar minha mão quero sentir vc por inteira sentir a plenitude de sua alma
Me vejo embaixo de uma cachoeira, com os olhos fechados sinto a incolor água colorir minha alma com doses de coragem, pressuponho diversas sensações, diversos sentimentos, medo, felicidade, angústia e leveza. Minhas mãos ainda tremem, minha garganta ainda lateja, a mais profunda dor parece dá as caras, mas verdadeiramente, agora, começa a dissolver-se em brilho, como vagalumes em meio ao vento em uma noite de primavera.
Meu peito está apertado
Meus pensamentos perdidos
Minha alma chora rios
No escuro daquele vazio
Não me acho quando olho
Tudo aqui é incolor
Esse sentimento me frustra
Meu coração grita em dor
Quero um espaço na vida
Ter chance de se mostrar
Observo o vasto mundo
Mas não acho meu lugar.
