António Lobo Antunes

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António Lobo Antunes (1942-2026) foi um escritor e psiquiatra português, que atuou como médico militar durante a Guerra Colonial. Com mais de 30 romances publicados, foi consagrado com o Prêmio Camões em 2007. Entre suas obras se destacam trabalhos como "Memória de elefante" (1979), "Os cus de Judas" (1979), "Não entres tão depressa nessa noite escura" (2000) e "Eu hei-de amar uma pedra" (2004). Morreu em março de 2026, aos 83 anos.

Pela minha ligação à terra pago a liberdade dos meus olhos.

Por vezes o que desejo e o que não desejo fazem-se tantas concessões que se tornam parecidos.

Se amamos choramos muito, odiando jamais sorriremos.

Há aqueles cujos desejos se cumprem. O que interessa é desejar, por mais que nada haja de concreto.

Por vezes o entendimento descontrai-se para que a esperança se divirta com o que a imaginação sonha.

Para me libertar do que vivo, vivo.

Agora é diferente
Tenho o teu nome o teu cheiro
A minha roupa de repente
ficou com o teu cheiro

Agora estamos misturados
No meio de nós já não cabe o amor
Já não arranjamos
lugar para o amor

Já não arranjamos vagar
para o amor agora
isto vai devagar
isto agora demora

SOB ESCOMBROS

Um tempo houve em que,
de tão próximo, quase podias ouvir
o silêncio do mundo pulsando
onde também tu eras mundo, coisa pulsante.

Extinguiu-se esse canto
não na morte
mas na vida excluída
da clarividência da infância

e de tudo o que pulsa,
fins e começos,
e corrompida pela estridência
e pela heterogeneidade.

Agora respondes por nomes supostos,
habitante de países hábeis e reais,
e precisas de ajuda para as coisas mais simples,
o pensamento, o sofrimento, a solidão.

A música, só voltarás a escutá-la
numa noite lívida,
uma noite mais vulnerável do que todas
(o presente desvanecendo-se, o passado cada vez mais lento)
um pouco antes de adormeceres
sob escombros.

Mais afronta a mesura de um adulador, que uma bofetada de um inimigo.

Cheguei demasiado tarde
e já todos se tinham ido embora
restavam paeis velhos, vidas mortas,
identidade, sujidade, eternidade.

Comeram o meu corpo e
beberam o meu sangue; e, pelo caminho, a minha biblioteca;
e escreveram a minha Obra Completa;
sobro, desapossado, eu.

Resta-me ver televisão,
votar, passear o cão
(a cidadania!). Prosa também podia,
e lentidão, mas algo (talvez o coração) desacertaria.

Pôr-me aos tiros na cara como Chamfort?
Dar em aforista ou ainda pior?
Mudar de cidade? Desabitar-me?
Posmodernizar-me? Experienciar-me?

Com que palavras e sem que palavras?
Os substantivos rareiam, os verbos vagueiam
por salões vazios e incendiados
entregando-se a guionistas e aparentados.

Cheira excessivamente a morte por aqui
como no fim de uma batalha cansada
de feridas antigas, e eu sobrevivi
do lado errado e pela razão errada.

“Que dia? Que olhar?”
(Beckett, “Dias felizes”)
Que feridas? Que estanda-
te? Que alheias cicatrizes?

Estou diante de uma porta (de uma forma)
com o – como dizer? – coração
(um sítio sem lugar, uma situação)
cheio de palavras últimas e discórdia.

Deseja tudo, espera pouco, não peças nada.

Junto à água

Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas, à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.

Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!

E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos

e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.

Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia.

Nem me seduz o vício, nem adoro a virtude.

Tirar a batuta de um maestro é tão fácil quanto difícil é reger com ela a quinta sinfonia de Beethoven.

Três mais há neste mundo pelos quais anelam, pelos quais morrem e pelos quais matam os homens: mais fazenda; mais honra; mais vida.

Acordei de um sonho sombrio e me arrependi, pois vi uma realidade mais sombria ainda.

Hoje acordei essencialmente para te desejar uma boa semana. Tenha força e perseverança. Acredite em você mesmo, pois é só você que pode criar o caminho pra vencer. Ouse, arrisque e nunca se arrependa de ter tentado. Não desista jamais dos seus sonhos e desejos e saiba valorizar quem te ama, esses sim merecem seu respeito!

A Adriana

Amada por sua simpatia
Demonstrada pela empatia
Rindo sempre com alegria.
Irmã que todos querem ter
Aguardamos só para te ver
No sucesso que merecer
Amiga animada sempre crescer.

Só Você

Relembrar uma injustiça sofrida
Esperando que a outra pessoa sofra
Sempre fará você mesmo sofrer
Só você não consegue esquecer, já passou
Estar comentando o tempo todo
Não deixa que você esqueça
Tudo acontece dentro da sua cabeça
Importância demasiada ao que aconteceu
Momento algum lhe deixará feliz
Esperar que o outro reconhecesse que errou
Não vai acontecer ele vai só esquecer
Tudo a sua volta pode melhorar
Onde só depende de você perdoar.

Precisamos de direitos humamos para os humanos direitos