Antigo
As vezes o processo de cura de uma ferida parece com o método antigo;
Cauterizar com ferro quente!
Ou pólvora e fogo!
DÓI, queima, mas estanca o sangramento e cicatriza!
Aguentar uma DOR alucinante para sarar de vez!
EM ALTA DEFINIÇÃO.
Narciso voltou.
Não das águas turvas do mito antigo,
mas do brilho polido das vitrines digitais.
Renasceu, qual fênix perfumada,
das cinzas do próprio reflexo,
com legenda estratégica e luz lateral.
Já não precisa inclinar-se sobre o lago.
O lago agora o segue, portátil e obediente,
no bolso da vaidade.
Multiplicou-se em telas,
em ângulos estudados,
em versões de si mesmo,
sempre a melhor, por certo.
Como dizia aquele,
“é preciso ter caos dentro de si
para dar à luz uma estrela dançante”.
Narciso levou ao pé da letra:
fez do próprio caos um espetáculo
e da estrela… um holofote.
E recorda, comovido, o outro:
“O poeta é um fingidor.”
Ah, mas Narciso superou o mestre:
finge tão completamente
que chega a crer na própria encenação.
Sua dor é estética.
Sua alegria tem enquadramento.
Seu abismo tem alta resolução.
Outrora morreu por não suportar
a distância entre si e a imagem.
Hoje morre aos poucos
se a imagem não recebe o aplauso.
Antes, o lago era silêncio.
Agora, o silêncio é algoritmo ingrato.
Pergunta-se, entre um elogio e outro:
o que pode detê-lo?
Talvez o olhar que não o reflita,
mas o confronte.
Talvez o amor,
essa imprudência que exige entrega
e não performance.
Ou, quem sabe, como sussurraria mais um:
“o inferno são os outros”,
mas apenas quando não o admiram.
Até lá, Narciso reina.
Imperador do próprio contorno,
devoto da própria imagem.
E aplaude-se com fervor,
sem perceber
que nenhum espelho,
por mais fiel que seja,
é capaz de abraçar.
Eu tava no cabaré enchendo a cara,
Afogando o peito no fundo do copo,
Ouvindo aquele brega antigo implorar:
“Amor, não vá, eu te amo…”
De repente um amigo senta do lado,
Com papo manso querendo avisar:
“Ela tá arrependida, tá sofrendo,
Falando que quer voltar.”
Amigo, pede outra garrafa,
Hoje a noite é por minha conta.
Mas não me traz esse nome
Que já virou página morta.
Ela foi garimpar outro brilho,
Procurou um ouro melhor que eu.
Quebrou a cara na própria escolha,
E agora diz que se arrependeu não dá.
Mas eu não sou curva de rio
Pra recolher resto da enchente.
Não sou porto pra barco perdido
Que só lembra de mim quando sente falta.
Não sou abrigo de ingratidão,
Nem refúgio de decepção.
Quem joga fora o que tem
Não encontra no mesmo chão.
Aqui não tem recaída,
Nem porta aberta pra ilusão.
Quem saiu buscando o mundo
Que aprenda com a própria decisão.
Hoje eu bebo, mas é por mim,
Não é saudade, é libertação.
Meu coração criou vergonha
E fechou a porta pra invasão.
Adeus quer dizer
Reproduza, restaure e traga de volta a realeza do antigo e simples, tudo que é bom pode voltar .
-Igo Couto
Folheando aquele antigo álbum de fotos que carregam mais do que somente imagens, lá, há uma vida vivida de forma tão única e linda que ofusca o agora. Deve ser por isso que quase não há quem pouco lembre e muito age, sempre terá aquele dia onde tudo dirá para você amar, viver e continuar; mas os restos dos dias continuam os mesmos: cinzas, frios e com o odor envelhecido do meu antigo perfume favorito, aquele que espirro pela casa para tentar me recordar por que ainda vivo.
Em falar em perfume, ainda me volta a memoria o cheiro que reverberava pelo ar na primeira vez em que te vi. O doce de seu sorriso imbuído no agridoce de seu perfume, a lembrança, ironicamente, ficando cada dia mais amarga e dolorida, trazendo consigo a verdade a qual tanto tento me esquivar, o som que tanto finjo não escutar, e a vida que invento para não admitir a que ficou para trás.
Não se pode perder a esperança de reencontrar um novo amor,só porque o antigo te decepcionou, na verdade não é amor que se nomeia é paixão o amor costuma permanecer.
Minhas emoções são lobos de pelagem densa e olhar antigo; conheço-lhes a sede e, com o peso da minha presença, transformo o caos da matilha em instinto e ordem permeia a sinfonia.
A paz é um desejo muito antigo da humanidade. A harmonia entre nós só existirá longe de nossos piores inimigos: nossos próprios pensamentos.🕊
"Não importa se é antigo ou moderno, para o homem a regra é:
Saber o que deve fazer e saber o que não pode fazer "
O impulso de reagir imediatamente a tudo que surge é um condicionamento antigo. Entre o estímulo e a resposta existe um espaço sutil que geralmente passa despercebido. A prática consiste em reconhecer esse espaço, habitá-lo, e permitir que a ação venha de um lugar mais consciente, e não apenas automático.
"A verdadeira nobreza começa no arrependimento sincero, onde o caráter antigo morre para que uma nova atitude, digna e honrada, possa nascer."
Pois trago no peito o fogo sagrado,
Onde o medo antigo se fez cicatriz.
Sou dona do agora, do meu próprio fado,
Guerreira da vida, plena e feliz.
------ Eliana Angel Wolf
Pelos caminhos da vida...
Noite passada assistir um filme antigo, produzido em 1990, esse filme foi um dos filmes mais lindos e mais emocionantes, que eu já tive o prazer de assistir.
Entre risos e lágrimas, fui me emocionando a cada cena, cada diálogo, meu coração disparava e meus olhos nem piscavam, foi uma mistura de emoções e sensações, raiva, ódio, alegria, felicidade, e muitos aprendizados. Uma das frases mais marcantes que levarei comigo;
“A vida te mostra muitos caminhos, e o caminho mais difícil é o caminho que te torna um ser humano melhor” – Pássaro Esperneante (Kicking Bird).
Filme, Dança com Lobos.
Sob a pena de Maat
No silêncio dourado do templo antigo,
Maat caminha com passo divino,
Sua pena ergue-se contra o destino,
Pesando verdades no fio do abrigo.
O escaravelho, com asas abertas,
Rola o Sol sobre a areia desperta,
Renascendo o dia, quebrando a inércia,
Guardião do ciclo, da alma liberta.
No tribunal do além, tudo é revelado,
O coração pulsa, o passado é pesado,
Se leve for, a alma é coroada,
Se não, Ammit espera calada.
Entre justiça, renascimento e fé,
O Egito canta o que Maat é:
Ordem sagrada, caminho e lei,
Na balança eterna onde tudo se vê.
Na água repousa um segredo antigo: ela guarda em silêncio o poder de destruir e de gerar vida, revelando o mistério divino que sustenta toda a criação.
Se o corpo é o templo mais antigo que você habita, como está o silêncio dentro dele? Há escuta ou apenas ruído? Aquilo que você chama de cansaço não seria, às vezes, excesso de palavras não ditas fermentando sob a pele?
