Antigo
É preciso entender esta filosofia. Isto não é um conhecimento moderno — é antigo. Mas vocês diabolizam tudo que vem dos nossos ancestrais, diabolizam tudo que é da raça negra, porque estão colonizados mental e espiritualmente. Ou seja, tudo o que falam é a pura manifestação do colono.
No coração de um mosteiro antigo, onde os sinos ecoavam como lembranças de séculos passados, dois olhares se encontravam em silêncio.
Não eram palavras que falavam, mas o desejo contido, a respiração suspensa, o fogo escondido atrás das paredes frias de pedra.
Eles se viam o tempo inteiro — nos corredores iluminados por vitrais, no refeitório austero, no jardim onde as flores desafiavam a disciplina do lugar.
Cada encontro parecia uma cena de filme, uma ficção projetada na tela invisível da mente.
Mas era real: a visão que compartilhavam era deles, e ninguém mais podia decifrar.
O mosteiro, com suas regras e votos, era o cenário de um amor impossível.
E, no entanto, quanto mais tentavam fugir, mais os olhares se buscavam, como se o destino tivesse escrito essa história nas pedras do claustro.
No fim, não havia fuga.
O desejo não era pecado, mas poesia — e naquele espaço sagrado, eles descobriram que até o silêncio pode ser cúmplice de uma paixão.
No silêncio antigo daquele mosteiro, onde o tempo parecia rezar junto com as paredes de pedra, nossos olhos se encontravam mais do que deveriam. Não era toque, não era palavra — era desejo contido, um incêndio discreto aceso apenas pelo olhar. A gente se olhava o tempo inteiro, como se cada segundo fosse uma confissão muda, um segredo dividido sem absolvição.
Entre cânticos e passos contidos, o desejo caminhava conosco pelos corredores frios. Era estranho e intenso: amar sem poder, querer sem permitir. O mosteiro, feito de regras e silêncio, tornava-se palco de uma ficção viva — como se estivéssemos presos dentro de uma cena projetada na tela da própria alma.
Às vezes, eu pensava que aquilo não podia ser real. Parecia cinema: dois corpos imóveis, duas almas em tumulto, e um amor que não pedia permissão para existir. Nossa visão se cruzava como quem escreve uma história proibida sem usar palavras, como quem desafia o sagrado não por rebeldia, mas por humanidade.
E assim seguimos, desejando em silêncio, vivendo na fronteira entre o que é permitido e o que é verdadeiro. Se aquilo era ficção, então a realidade tinha aprendido a sonhar. Se era pecado, era também a forma mais pura de sentir. Porque naquele mosteiro, onde tudo deveria ser ausência, nasceu um amor inteiro — visível apenas no encontro dos nossos olhos.
“É importante proteger os nossos idosos, nutrir e sustentar aquele que é precioso, antigo e cheio de sabedoria, oferecendo ajuda, dedicação e cuidado para que continuem existindo e florescendo.”
A meditação sobre a cruz não é a simples lembrança de um patíbulo antigo, mas a revelação mais pungente da lógica divina, que o Amor, para ser completo, precisou do maior dos sacrifícios. Penso nas incontáveis glórias que adornavam a Divindade e na Sua voluntária renúncia a toda majestade, trocando o esplendor eterno pela fragilidade humana e, finalmente, pela dor do lenho ensanguentado, um ato de desprendimento tão radical que redefine o conceito de misericórdia. Não existe medida humana para calcular a profundidade desse abismo de Graça, é um amor que se fez ponte, custando a própria Vida, e que por isso exige, da minha alma resgatada, o tributo eterno.
O amor-próprio é o alicerce mais antigo da alma, o único lar seguro e o primeiro ritual ao cruzar essa soleira é o perdão visceral que demola todas as acusações.
Amor de amigo
O meu peito arde num fogo que não consome — ilumina.
É um ardor antigo, anterior às palavras, mas reconhecível nos gestos simples da vida.
Não se vê, mas respira-se.
É emoção que caminha descalça pelos sentidos, deixando marcas invisíveis no tempo.
Há uma harmonia boa que me sustém, como a presença silenciosa de uma amiga justa e fiel.
Aceito-me nos dias que passam, e os dias, por instantes raros, aceitam-me também.
Pairam tempos em que és mel no meu sangue, doçura que dá sentido ao acto de viver,
e nesses instantes reclamo ao universo:
— não deixes que o caos me devore.
Venho de um ponto infinito, de um sopro cósmico sem nome,
atravessei constelações para chegar a este eu profundo,
onde o teu balanço oscila na balança da justiça cega,
essa que diz igualdade mas pesa com dois pesos e duas medidas.
Mesmo assim, permaneço.
Olho o todo.
Beijo o céu.
E no azul distante reconheço Vénus, Deusa-mãe,
ventre da razão de existir, espelho do desejo e da consciência.
Nela me deleito, não por vaidade, mas para compreender a origem,
para perscrutar o rasto antigo dos Neflins,
essas criaturas entre a luz e a queda,
sinais de que somos mistura, travessia, contradição viva.
Procuro a razão de sermos unos,
ligados por uma corrente que pulsa entre o vivo e o morto,
entre o amor que arde e o silêncio que ensina.
E nesse fio invisível descubro:
existir é arder sem se apagar,
é amar mesmo quando o cosmos treme,
é continuar —
com o peito em chama e a alma em vigília.
Flores, Espinhos e a Luz de Tutancâmon
A saúde mental floresce como lótus no Nilo antigo, mas carrega espinhos que ferem a alma. Tutancâmon, menino-faraó de ouro e maldições, viveu frágil e real ossos tortos, intrigas palacianas, provando que viver é melhor que sonhar; Sonhos são vapores, de névoa; a vida, com espinhos, corta fundo, mas liberta.
Liberdade não é palácio vazio, ecoando ausências. É escolher espinhos para colher flores: enfrentar ansiedade, restaurar a mente com coragem cotidiana. Neste Natal, sob luzes como estrelas do deserto, celebramos a vida palpável, dor e graça, onde esperança brota entre provações. Viver é erguer-se, livre e inteiro.
Cuide da mente como uma coroa, colha flores sem temer espinhos.
Há um ruído antigo em mim — não sei se nasce do peito ou das paredes internas. Um som que pergunta, sem mover a boca, se minha presença é respiro ou incômodo. Não pergunto aos outros; pergunto ao silêncio. E ele sempre responde: depende.
Depende de quê?
Talvez da sombra que ainda carrego — essa que aprendeu a duvidar do que é oferecido com ternura, como se o afeto tivesse validade curta.
E não é por falta de amor; não faltou.
É que, em algum ponto sensível da minha história, aprendi que tudo pode virar silêncio sem aviso. Cresci assim: não desconfiado das pessoas, mas das marés. Meio alerta, meio cético, inteiro faminto do que é seguro.
Há em mim um eco que hesita diante do amor mais evidente — não por falta de provas, mas por excesso de memória. Uma parte minha vigia a porta mesmo quando não há perigo.
E o curioso é que eu sei que sou querido.
Mas há uma porção antiga — leal às dores que sobreviveram — que pergunta: “e se for só gentileza?”
Às vezes imagino que essa dúvida é um animal. Mora em mim. Cheira o amor antes de deixá-lo entrar. Rosna quando alguém chega perto demais — não por recusa, mas por medo de desmanchar.
E a cura?
Talvez seja deixar esse animal cansar.
Permitir que o amor chegue devagar, até o corpo entender que não é ameaça: é colo.
Ou aceitar que essa dúvida é profundidade — alguns de nós amam em camadas, e o afeto precisa atravessar labirintos para chegar ao centro.
E no meu centro existe um lugar que sempre soube que sou amado.
Mas às vezes ele cochila — e o mundo fica estrangeiro.
Basta um olhar verdadeiro para tudo despertar.
E eu lembro, mesmo que por instantes:
não estou sendo tolerado, há morada nos amores que me abraçam.
(“O lugar onde o amor cochila”)
Se você se orgulha de ler e estudar a Bíblia Sagrada, pegue o Antigo Testamento, rasgue, jogue no Lixo e taca Fogo nele, deixe somente o Novo Testamento inteiro.
MANDACARU NO MEU PEITO
Teu nome mora em mim como verso antigo em livro novo, em poesia que pulsa entre o início e o agora.
No teu Nordeste, o mandacaru vigia a seca, feito espada verde erguida contra o impossível.
Em mim, teu amor se faz guardião que resiste ao deserto das longas esperas.
E quando floresce...ah meu bem!
É feito a flor branca da noite sertaneja que se entrega ao infinito estrelado.
Na hora em que o silêncio é mais profundo, e a alma aprende a ficar sem falar.
Teu amor em flor do Sertão, nasce onde poucos acreditam.
Cresce sem pedir licença, rompendo barreiras com raiz teimosa e beleza que não se explica, apenas se sente.
Flor do mandacaru tão rara e breve, que se entrega inteira sem medo do fim, porque sabe que o amor verdadeiro tão somente permanece entre estações.
E eu, que te leio com o corpo e com os olhos, sei que teu coração floresce na mesma coragem branca, pura, luminosa e resistente.
Pois tu és fortaleza de afeto que abriga permanentemente.
Se o amor em meu peito tivesse forma! Seria mandacaru.
Firme, persistente e verde esperança do dia.
Amor que se revela em beleza delicada para a noite.
E se tivesse morada, seria o espaço exato entre o teu peito e o meu.
Trovadorismo para o Vale Europeu Catarinense
Nas linhas do meu caderno
antigo encontrei um poema
que estava em completo
que resultou numa cantiga
nesta tarde na minha Rodeio,
e enquanto eu escrevia
entrou uma borboleta
pela janela do meu quarto,
Que inspirou a escrever um belo
Trovadorismo para o nosso
Vale Europeu Catarinense
que cerca de inspiração
a vida da nossa gente,
Gratidão é para poucos
que orgulhosamente
tem um coração que pulsa e sente.
Encontrar o Vinhático
antigo para curar
por dentro e por fora,
vigiando qual é a hora.
Entrar em acordo
com cada aurora,
enquanto outubro
segue e se desdobra.
Silenciar as armas,
desarmar as bombas,
e mandar cada tropa
voltar para casa agora.
Servir à poesia mais
do que ser servida,
olhos nos olhos dizer:
- A vida merece ser vivida.
Trocar o dia pela noite é o meu abrigo,
contra o medo do mundo, esse antigo inimigo.
Exigem que eu me prove, que eu mostre o valor,
como se a maturidade fosse um erro, uma dor.
Construí minha estrada com estudo e suor,
para ser lida em uma palavra, do jeito pior.
"Incapacitada" — sentença vazia e injusta,
para quem tem uma história que tanto custa.
Não sou o status que tentam me dar,
sou quarenta e oito anos prontos para voar.
Ass Roseli Ribeiro
No templo do tempo
No silêncio antigo da tarde, dois olhares se cruzam sem pressa, são ecos de promessas caladas, amores que o mundo não confessa. O espaço é sagrado, suspenso, onde o toque é mais que pecado. Ali, o tempo curva-se manso ao reencontro tão desejado.
São mãos que se lembram do gesto, são vozes que tremem no ar. E o proibido, por um instante, parece enfim se libertar. Há um perfume de saudade pairando entre os corpos imóveis, como se o tempo, em reverência, parasse para ouvir seus nomes.
Os olhos dizem o que os lábios temem, e o coração, inquieto, reconhece o caminho antigo. Não há culpa, só memória, um amor que não se apaga, apenas se abriga no abrigo do tempo.
E quando o sol se despede, tingindo de ouro o instante, fica no ar a certeza: o que é verdadeiro, mesmo oculto, sempre encontra um jeito de voltar.
Quando voltar a relacionar-se com alguém, tome cuidado para não comparar com seu antigo amor, são pessoas diferentes, o tempo é outro e a história será também outra. Agora se a comparação for inevitável, nem prossiga, seu coração ainda é daquele que sua boa gosta de chamar de ex.
