Anjo de uma Só Asa
Não era compra
Eu não sei que gesto virou crime
nem em que ponto ajudar ganhou preço.
Só sei que estendi a mão
e alguém chamou isso de troca.
Não era ouro.
Não era dívida.
Não era laço invisível puxando retorno.
Era cuidado cru,
do tipo que nasce quando a gente ama
e vê o outro afundando
sem saber nadar por ele.
Não se compra afeto.
Não se negocia carinho.
Amor não aceita recibo
nem vem com prazo de validade.
Se dei, foi porque tinha.
Se ajudei, foi porque doía ver faltar.
Quem confunde presença com posse
nunca soube o peso de ficar.
Eu não quis ter.
Eu quis amparar.
E se isso virou suspeita,
que fique claro:
Pior que ser mal-entendida
é desistir de ser quem se é.
Quando você começa a gostar de estar só, algo muda de eixo.
As pessoas deixam de ser abrigo e passam a ser escolha.
E isso, goste ou não, é um tipo silencioso de liberdade.
Acontece.
E a vida não pede permissão.
Só segue.
Quem sente aprende a andar diferente.
Quem foge repete.
Refletir é aceitar que nem tudo precisa de resposta imediata.
Algumas coisas só pedem tempo, distância e honestidade suficiente para não mentir pra si mesma.
Crescer dói menos quando a gente para de brigar com o que já aconteceu e começa a escolher melhor o que fica.
Eu quis ficar,
mas ficar também cansa quando só um sustenta o peso.
Fiquei até onde deu,
até o limite do que ainda era cuidado e não abandono de mim.
Depois disso, não foi ir embora.
Foi sobrevivência.
Se achar mais e ser difícil não obriga ninguém a se diminuir para caber no seu mundo.
Só afasta oportunidades e expulsa pessoas boas do caminho.
O Altar do Impossível
Dizem que o amor só vive se for casa, Se tiver teto, mesa e pão repartido. Mas o que sinto por ti é o que vaza, É o que sobrevive por não ter sido.
Somos o intervalo entre o sonho e o despertar, Um silêncio ocupado por mil palavras mudas. É o desejo de ir, sabendo que é preciso ficar, Nesse labirinto onde as saídas são todas agudas.
Não te toco com as mãos, que o mundo não deixa, Mas te percorro em pensamento, centímetro a fio. A minha alma na tua, sem medo ou queixa, Como dois rios que se amam, mas mudam de desvio.
É um luto de alguém que ainda está vivo, Uma saudade de um beijo que a boca não deu. Sou teu prisioneiro, sou teu cativo, Nesse espaço sagrado que o destino esqueceu.
E se a vida for curta para o nosso encontro, E se o "impossível" for o nosso único chão, Saiba que em cada verso que escrevo e remonto, Tu és a única batida que faz sentido ao coração.
Pois o amor mais profundo não é o que se toca, É o que, mesmo proibido, insiste em brotar. É o grito contido que morre na boca, Para que a alma, em segredo, possa te amar.
Este poema toca em um ponto onde a dor e a beleza se misturam. Gostaria que eu gerasse uma imagem que representasse essa conexão espiritual e profunda entre duas pessoas que não podem se tocar?
A vida é uma só...
Aproveite!
Deleite-se!
Sinta a felicidade te chamando...
Não tenha medo...
aqui estamos, então,
sonhe, cante, dance e ame.
Quer mais?
Vá atrás!
Às vezes, você só precisa
calar, viver e sentir!
Evite falar demais
para que a maldade
não tente roubar
seus planos.
Versos Brancos
Para o teu corpo remar
no meu rio não precisa
ter só uma cor e nem rima,
Precisam ser somente
de todo o cor(ação),
Os versos brancos
explicam a magia
que existe entre
nós dois e a poesia.
