Amor Textos de Luis Fernando Verissimo

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Karolina com K

Karolinaaa..
Hahaa..
Karolina foi o maior estrupicio que encontrei na minha vida!!
ahh..mulé bagunceira da mulesta,mulé cangaceira..
Conheci Karolina num forró que eu tava tocando..
quando eu avistei aquela mulézona diferente no meio do salão
sem dançar com ninguêm,só mangando dos matutos..

Eu pensei comigo..
-aquilo deve ser um grande pedaço de mal caminho!!.
mulé bunita,morena trigueira,cabelo comprido,boa linha de lombo..haha..!!
Ai eu começei a caprichar no Fole vei pra ver se ela dava fé de mim..
mais ela nem fé deu..

E eu pensei comigo..
-Destá danada..deixa aparecer um colega pra me da uma ajuda,eu vou ai pra
tu ver o que é bom pra tosse!!..
Ai apareceu Ancermo..
-Ôh Ansermo!!..pega essa sanfona aqui..
Ancermo pegou a sanfoninha,ai eu fui na banda de Samarica

-Samarica tem celveja??.
-bote um caliçe..
-cerrejinha é essa Samarica??..só tem espuma..

-Oxente?!..celveja quente é assim mermo!!..

-Apois bote duas encangada ai no fundo do pote,que eu vorto mais tarde!!..

ai me butei pro salão com mais de mil!!..
xeguei perto dela e disse..

-Que mal pergunte..vois mi cê que é a Carolina??..
ela escorou na perna esquerda..descançou a direita..
botou as mão nos quartos..balançou,e disse..

-Perguntas bem..Karolina com K..

-Que dançar mais eu??..

ela disse..
-Só se for agora!!..

abufelei!!..e sai com essa mulé!!..
jogue ela pras direita,ela veio..joguei pra esquerda,ela tava ia..
mulé era adivinhona!!..chamei a mulé no vôo do karkará..
sabé comé o karkará né?..ele voa na vertical para no ar e fica penerando..
ai eu vim descendo com ela bem devagazinho nos meus braços..
quando ela triscou o chão..ela deu uma gaitada!..

-Hahaii!!..eh hoje..
eu digo é hoje mermu!!
ai saimos fazendo aqueles fuxico todo, a mulé pegou o cabelão enrrolou na mão..
ki nem o vaqueiro quando vai derrubar boi..pendeu a cabeça pro lado..
e saiu rodado..e eu rodando mais ela dando cheiro no kangote dela!!
nessa altura nois ja tava fazendo era triato..era o maior burburi da mundo!!

ai eu disse pra ela:
-Karolina vamu aculá??.

ela respondeu:
-Boraa..

Chegamo na banca de Samarica
-Samarica..cerrejinha..
ela butou uma..nois bebemu..
-Bote mais uma..
ela butou a outra..nois bebemu..
eu disse:
-Samarica..bote mais duas encangada no fundo do pote
que nois vamu vortar mais tarde!!..
ai vortemu pro salão..
ai eu num tava fazendo akela mizera toda mais não..
ai nois ja tava sereno..nois ja tava dakele jeito..maior felicidade..
ai zé do bainha xegou bateu a mão no meu ombro e disse:

-Gonzaga..acabou a festa..
eu digo:
-oxente??..acabou a festa??..

-acabou pra você!!..
-você agora vai tocar..
-você que é o tocador??
-você ta aqui fazendo arte..ta fazendo até triato..ihh..vá tocar!!

-Apois ta certu!!
ai cheguei perto do Ansermo e disse:
-Ansermo..passa a sanfona pra cá,e vá dançar com karolina..
-mais não vão pra longe não viu?..fica dançando aqui em vorta de mim..
ai Ansermo axou foi bom!!..
ai eu caprixei..
devez enquando..Ansermo passava por perto de mim assim..
karolina dava uma rabanada de vestido pra riba d'eu..
cubria a sanfona..ai eu só sentia aquele cheiro de fulô de amor..Haha!!..
maior filicidade..
ai Zé do bainha gritou de lá..
-é 5 mi reis..ta na hora da cota..
-é 5 mi reis..quem nun pagar nun dança..
-é 5 mi reis..
-nãooo!!..ta cunverçando homi!!
-Oxente!!
-num quero cocorê...nem xoro baixo!!
-é 5mi reis..é 5mi reis..é 5mi reis..

Também foi ligeiro..fez a côta,xegou perto d'eu e disse
-o teu ta aquii!!..
eu disse:
-Ansermo..passa a sanfona ai pra Pedro meia garrafa..
-Sanfona na mão de Pedro meia garrafa!!
ai eu saii..zé do bainha ganhou os quarenta..
ai eu sai com karolina e Ansermo!!..
-Vamu contar o dinheiro Ansermo!! é 20 pra tu..e 20 pra eu!!
-eu vou contar..prontu!!
-Um pra eu..um pra tu..um pra eu..
-Um pra eu..um pra tu..um pra eu..
Ansermo besta..com as butuca ensima de karolina..
nem presta atenção na minha contage..e eu tô lá!!
-Um pra eu..um pra tu..um pra eu..
-Um pra eu..um pra tu..um pra eu..
-Pronto Ansermo!!
-aqui ta o teu..aqui ta o meu..
-agora tu vai vorta a tocar até de manhã,guarda minha sanfona
que amanhã eu vou buscar..
e eu já vou com karolina..hahaii..

xegamos na banda de Samarica..
-Samarica..
-Cerrejinhaa..cerrejinha..
Samarica passou a cerrejinha pra eu..
nois bebemu..
ota cerrejinha..bebemu a ota!!
ai ja tava ali perto mermu do pé de sombrião
onde minha éguinha tava amarrada..
xeguei perto da éguinha,acoxei a cia,passei a perna,
joguei karolina na garupa,saimos escondidos pelos os fundos
e fomos simbora..

ai karolina disse pra mim:
-olha Gonzada,da uma buxa mermu que a cabruêira vem ai atraz..
parece que eles tão querendo butar gosto ruim no nosso amor..

-não diga issu karolina!!..
sapiquei a espora do suvaco no vazii dessa égua..
ai a éguinha se abaixou..saiu danada chega saiu baixinha..
-piriri..piriri..piriri..piriri..piriri..piriri..piriri...
-êpa!!!...
parei memu na beira do rio,o riacho tava cheiro rapaz!!
ai..a égua rifugou água..
-e agora karolina?

-vamu se esconder dentro das moitas!!..ai por dentro dos matos..
ai nos entremo nos matos..a negrada vinha atraz,riscou também na beira do rio..
ai nos escultamos foi o cunverceiro deles:

-eh..sumiram..se encantaram..se escafedeucem..
-vamu caçar eles?
-hoomiii..vamu vortar pro samba,que ainda tem umas 2 horas de forró..
-é mesmo..vamu vortar..

a cabrueira vortou..e nois 3 ali dentro da moita..
eu..karolina..e minha égua..
e ali nois 3..escultando a cantiga das águas..
tirei a sela..e lavei a éguaaa!!...
Hahaii...

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Orelia

Caminheiro sem destino
O destino é Deus quem dá
Sempre em paz comigo mesmo
Coração só pra cantar
Um xamego hoje aqui
Amanhã, um dengo acolá
E o pó das estrada apagando
Os xodós que eu tive por lá
Foi entonce que ela surgiu
Tava escrito Orélia chegar

Orélia, ai, ai, Orélia
Só de olhar teu olhar magneto
Vi logo o meu fim
Que paixão, foi um choque da peste
Meu corpo tremeu que nem curumim

Orélia, ai, ai, Orélia
Ai, bichinha, se tu me deixar
Vai ser muito ruim
Faço arte no leste e no oeste
No sul, no nordeste
Dou cabo de mim

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Ovo de Codorna

Eu quero um ovo de codorna pra comer
O meu problema ele tem que resolver (bis)
Eu tô madurão
Passei da flor da idade
Mas ainda tenho
Alguma mocidade,
Vou cuidar de mim
Pra não acontecer
Vou comprar ovo de codorna
Pra comer
Eu quero um ovo de codorna pra comer...
Eu já procurei
Um doutor meu amigo
Ele me falou
"Pode contar comigo"
Ele me ensinou
E eu passo pra você
Vou lhe dar ovo de codorna pra comer
Eu quero um ovo de codorna pra comer...
Eu andava triste
Quase apavorado
Estavam me fazendo
De um pobre coitado
Minha companheira
Tá feliz porque
Eu comprei ovo de codorna pra comer
Eu quero um ovo de codorna pra comer
O meu problema ele tem que resolver

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Pense N'Eu

Pense n'eu quando em vez coração
Pense n'eu vez em quando
Onde estou, como estarei
Se sorrindo ou se chorando
Se sorrindo ou se chorando
Pense n'eu... vez em quando
Pense n'eu... vez em quando (bis)

Tô na estrada, tô sorrindo apaixonado
Pela gente e pelo povo do meu país (olêlê)
Tô feliz pois apesar do sofrimento
Vejo um mundo de alegria bem na raiz (vamos lá)
Alegria muita fé e esperança
Na aliança pra fazer tudo melhor (e será)
Felicidade o teu nome é união
E povo unido é beleza mais maior.

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Respeite Januario

Quando eu voltei lá no sertão
Eu quis mangar(zombar) de Januário
Com meu fole prateado
Só de baixo, cento e vinte, botão preto bem juntinho
Como nêgo empareado
Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
Foram logo me dizendo:
"De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó, Januário é omaior!"
E foi aí que me falou mei' zangado o véi Jacó:
"Luí" respeita Januário
"Luí" respeita Januário
"Luí", tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, "Luí"
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

Eita com seiscentos milhões, mas já se viu!
Dispois que esse fi de Januário vortô do sul
Tem sido um arvorosso da peste lá pra banda do Novo Exu
Todo mundo vai ver o diabo do nego
Eu também fui, mas não gostei
O nego tá muito mudificado
Nem parece aquele mulequim que saiu daqui em 1930
Era malero, bochudo, cabeça-de-papagaio, zambeta, feeei pa peste!
Qual o quê!
O nêgo agora tá gordo que parece um major!
É uma casemiralascada!
Um dinheiro danado!
Enricou! Tá rico!
Pelos cálculos que eu fiz,
ele deve possuir pra mais de 10 ontos de réis!
Safonona grande danada 120 baixos!
É muito baixo!
Eu nem sei pra que tanto baixo!
Porque arreparando bem ele só toca em 2.
Januário não!
O fole de Januário tem 8 baixos, mas ele toca em todos 8
Sabe de uma coisa? Luiz tá com muito cartaz!
É um cartaz da peste!
Mas ele precisa respeitar os 8 baixos do pai dele
E é por isso que eu canto assim!

"Luí" respeita Januário
"Luí" respeita Januário
"Luí", tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
Nem com ele ninguém vai, "Luí"
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

Inserida por chachabrasil

Riacho do Navio

Riacho do Navio
Corre pro Pajeú
O rio Pajeú vai despejar
No São Francisco
O rio São Francisco
Vai bater no meio do mar
O rio São Francisco
Vai bater no meio do mar
Ah! se eu fosse um peixe
Ao contrário do rio
Nadava contra as águas
E nesse desafio
Saía lá do mar pro
Riacho do Navio
Saía lá do mar pro
Riacho do Navio
Pra ver o meu brejinho
Fazer umas caçada
Ver as "pegá" de boi
Andar nas vaquejada
Dormir ao som do chocalho
E acordar com a passarada
Sem rádio e nem notícia
Das terra civilizada
Sem rádio e nem notícia
Das Terra civilizada.

Inserida por chachabrasil

Seu Delegado

Seu delegado, digo a vossa
senhoria
Eu sou fio de uma famia
Que não gosta de fuá
Mas tresantontem
No forró de Mané Vito
Tive que fazer bonito
A razão vou lhe explicar
Bitola no Ganzá
Preá no reco-reco
Na sanfona de Zé Marreco
Se danaram pra tocar
Praqui, prali, pra lá
Dançava com Rosinha
Quando o Zeca de Sianinha
Me proibiu de dançar
Seu delegado, sem encrenca
eu não brigo
Se ninguém bulir comigo
Num sou homem pra brigar
Mas nessa festa
Seu dotô, perdi a carma
Tive que pegá nas arma
Pois num gosto de apanhar
Pra Zeca se assombrar
Mandei parar o fole
Mas o cabra num é mole
Quis partir pra me pegar
Puxei do meu punhá
Soprei o candieiro
Botei tudo pro terreiro
Fiz o samba se acabar.

Inserida por chachabrasil

Suplica Cearense

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Oh! Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Inserida por chachabrasil

Vem Morena

Vem, morena, pros meus braços
Vem, morena, vem dançar
Quero ver tu requebrando
Quero ver tu requebrar
Quero ver tu remechendo
Resfulego da sanfona
Inté que o sol raiar
Esse teu fungado quente
Bem no pé do meu pescoço
Arrepia o corpo da gente
Faz o véio ficar moço
E o coração de repente
Bota o sangue em arvoroço
Vem, morena, pros meus braços
Vem, morena, vem dançar
Quero ver tu requebrando
Quero ver tu requebrar
Quero ver tu remechendo
Resfulego da sanfona
Inté que o sol raiar
Esse teu suor sargado
É gostoso e tem sabor
Pois o teu corpo suado
Com esse cheiro de fulô
Tem um gosto temperado
Dos tempero do amor
Vem, morena, pros meus braços...

Inserida por chachabrasil

Pensando Alto
_______________
Pensando alto, fico trancado no quarto, observando de longe o quadro, vejo a chuva pela janela; A noite está muito escura... Oh agora como vou me iluminar? Vou fechar meus olhos e sonhar... Sonhar com uma luz, com o vento, com um amor de longo tempo, com o sol me iluminando. Isso apenas mesmo sonhando, pois a chuva não vai cessar e a vela não vai me iluminar, o medo não vai me fazer chorar; Por isso quero apenas sonhar e esperar. E você por quê também não espera sonhando?

Inserida por Daviluis

A Vergonha da Humanidade

Está chegando a hora... de colocar-me para fora. Sou a nuvem negra, sou peste da meia-noite, sou o sangue derramado no barro, sou o além batendo na porta, gritando altamente nas madrugadas, sou o barulho da fechadura, sou a bota batendo na escada, sou o gelo se derretendo, sou o recém-nascido morrendo, sou o grande dilúvio que leva moradias, sonhos e alegrias. Sou mal, não sei definir-me...

O que me resta é tentar ser um prelúdio, mas será muito difícil anteceder algo bom se gosto de atrocidades. Fui desenganado quase morri afogado na areia da minha ilusão, senti até parar meu coração, quase parou de verdade e a dor não cessou. Já matei e roubei tudo por amor, estou falando a verdade, A Vergonha da Humanidade é isto que eu sou.

Inserida por Daviluis

Um Grande Sol Amarelo

Um grande Sol amarelo está a brilhar lá fora.
Seu brilho é intenso, nós estamos vivendo e o amor está nascendo. Brilha tanto quanto seus olhos; produz uma melodia como seu pranto e só quem ama entende este canto. Amarelo como uma das cores da bandeira, brilhante como você toda inteira. Bonito como o porto e o teu corpo subindo a ladeira. Oh que olhar tão ardente... Minha pele se arrepia inteira.

Inserida por Daviluis

Sangue do meu Sangue

Escorres pelas minhas veias, És como cantos das sereias;
Força de uma família guerreira, vermelho muito vermelho...

Borbulhas e fazes bater meu coração, me dás toda a razão,
Me encorajas quando digo não, me dás forças nas minhas mãos, Vermelho muito vermelho...

Em comum com meus ancestrais, presentes no meu pai. Banda que mais se expande este é o Sangue do meu Sangue, Vermelho muito vermelho...

Inserida por Daviluis

A Tempestade

Olho para a janela vejo a chuva,
Olho para o chão vejo água.
Meu Deus que grande tempestade!,
Vejo pessoas saírem,
Fugirem da água.
Pois ela é muito forte,
Rega o Sul e o Norte.

A Ponte cai,
Você nela está,
O povo se preocupa,
Seu filho se põe a chorar.
Chuva maldita,
Levou mais uma vida.
Quando você vai parar?

Inserida por Daviluis

Jogando no Campo

Meninos com a bola,
Outros no Balanço,
Os pais estão observando-os
Jogando no Campo.

Todos muito felizes,
O Sorriso transparece,
Cada olhar, cada sonho
Ali resplandesce.
Pés pequenos,
Gols mansos...
O Melhor presente para eles é estar
Jogando no Campo.

Eis que surge um ferimento,
Escuta-se um grande pranto.
A criança se machucou...
Jogando no Campo.

Mas eles não param,
Aquilo foi só um susto.
A diversão continua,
Todos dançando um mesmo canto.
Mas mesmo assim ainda estão...
Jogando no Campo.

Eles só querem brincar,
Aproveitar o tempo santo.
Pelo visto querem continuar...
Jogando no Campo.

Inserida por Daviluis

Não tenho medo


Não tenho medo da vida
E com ela bato de frente,
Tenho a guerra em meu sangue,
Tenho um coração valente.

Medo um dia tive,
Mas medo terei jamais,
Pois hoje aprendi viver,
E vi quanto sou capaz.

Em guerras mergulhei,
E me afoguei na solidão,
Vivia sempre tristonho
Pois não tinha mas razão.

Hoje seu feliz ,
Pois na guerra não tenho medo,
De contar os meus segredos,
De tudo que um dia fiz.

Inserida por Wendelima

⁠Penitência e mudez

Tenho andado esmaecido, às voltas e voltas
Como quem deita fora circunferências perfeitas
E de tanto girar, embranquecido me tornei.
Se não te encontrares, procura-me,
Se o acaso deixar
E se quiseres.

Dar-te-ei
Sangue e fogo,
A veias frias que tenhas cansadas;
O céu e asas,
A penas que tenhas inacabadas;
Rios e mares de noites estreladas,
E todas as estrelas que vires,
Serão tuas,
Se quiseres.

Apressa-te!
Tenho só os anos que me faltam viver.
Os outros,
Foram apenas preparo para te alcançar.
Enfim,
Nos resquícios dos meus sonhos,
Como ainda dormes, afago-te o sono
Enquanto, da seiva que me resta,
Vou banindo folhas débeis do outono
E até lá, serei penitência e mudez
E talvez,
Os restantes poemas de amor
Sejam todos para ti,
Se quiseres.

Inserida por luismateus

⁠Namoradeiras a valer

Abri a namoradeiras passadas,
Janelas de candura e ousadia,
Mas as vigentes namoradas
Melhor seduzem a poesia!

Tenho enredos num armário
Embalsamados e esquecidos
De tais esculturas num diário
De reais versos e vividos!

Da minha herética janela,
Tenho de ser cautela!

Não vá quem não deve, perceber,
Que o pasto dado, que desminto,
É de quem, do que foi a valer,
Está constantemente faminto.

Inserida por luismateus

⁠Poetizando...

A chuva chora,
O vento assobia
À noite e à hora
Que um luar sorria
Ao poeta que namora
Uma fingida poesia.
Porém,
Se o negro acontece
E a claridade não vem,
A tinta implode, esmorece
E o poeta também!
Ou então,
Ele não acompanha
O que o pensar debita,
E o poeta estranha
Tão generosa escrita!

Ó poeta,
Bebe, fuma e come
Desamores e dilemas,
Cafeína, cigarros e poemas,
Senão morres à fome!

Inserida por luismateus

⁠Sete plantas do meu canteiro.

Quem não ama o verbo plantar
E não vê plantas a poder amar,
É porque é louco ou nunca amou!
Amar plantas não é coisa de doidos
E doido é coisa que eu não sou!

A todas dei nome.

(... Caetana...)
Era perfeita! Em bruto, um diamante!
Mil jurados lhe bateram palmas de pé!
Só que o problema do “para sempre”
É ser coisa, que nunca o é.

(... Surya ...)
Olha-me, como se, em câmara lenta,
Pudesse com tal dócil e forte vontade
Dizer ao tempo: “aguenta, aguenta!”
Para um dia sermos unos, eternidade!

(... Laura ...)
Não há espigões, nós ou embaraços
Que mais amei e alguns lhe dei,
Porque outrora dos meus braços,
Foste errónea planta que plantei.

(... Débora ...)
De talo estranho e folhas doentes,
Busca-me chorosa, de hora a hora,
Como quem perde coisas frequentes
E depois de ser ralhada, chora!

(... Pilar ...)
Doce governanta a tempo inteiro,
Do cuidar e cantarolar certeiro
E talvez pela sua posição
Namoro-a um dia sim, e três não!

(... Renata ...)
De fraco porte, altiva e risonha,
Com um olhar seleto a vir de cima,
Como se não houvesse melhor rima
Que a minha poesia componha!

(... Leonor ...)
Verte um tal odor no meu canteiro,
Como se tudo fosse nada e ela veludo
Que supera todas as plantas no cheiro,
Querer, saber, beleza e talvez em tudo!

Rego-as amiúde, uma a uma,
Com o amor que pude e tenho,
Porque me dou a todas e a nenhuma
Dou o meu coração frio e estranho!

Inserida por luismateus