Amor Sem Sofrimento
Se Deus é nosso pai, por que ele nos deixa sofrer?
Essa pergunta é legítima. E talvez a primeira verdade dura seja esta: nós não somos filhos de Deus, somos criaturas. Segundo a própria Bíblia, o único filho de Deus aqui na terra foi Jesus. Nós fomos criados, não gerados por ele como filhos íntimos.
E sendo criaturas com livre arbítrio, colhemos as consequências das nossas próprias escolhas, e também das escolhas dos outros. Se Deus interviesse toda vez que o ser humano cometesse uma injustiça, o mundo seria feito de robôs, não de consciências livres.
Deus não é o pai humano idealizado que impede todo sofrimento. E talvez o silêncio dele seja exatamente o teste: ver o que fazemos com a liberdade que nos deu.
É duro aceitar, mas se existe um Deus, Ele nos criou, não para sermos mimados por sua proteção, mas para sermos responsáveis, até mesmo quando sofremos por erros que não cometemos
Não sou o que sofri, sou o que floresceu depois, uma história reescrita com a tinta invisível da resistência, um rosto onde cada cicatriz desenha o mapa secreto da coragem de recomeçar.
Diante de qualquer grande sofrimento, se houver tempo pedimos perdão mesmo que não nos julguemos culpados. A dor de quem sofre, encobre os limites da humildade, da razão e da sanidade sendo assim cabe a quem se aproxima, por compaixão exercer uma dose bem maior de generosidade. Não existe certo ou errado e sim abandono, solidão e cumplicidade. Todos nos precisamos um dos outros, indivisivelmente, para que tenhamos a certeza que vale a pena, viver.
O ser bom, sabe na carne e na alma o que é sofrer pelas injustiças do mundo. Por isto ele generosamente, fica sempre do lado do humilde, do indefeso, do pobre, do fraco, do desamparado, do esquecido e de tudo que é pequeno mas que por vida tem todo o direito de existir e ser feliz.
Eu sabia, dês da primeira vez que você pôs os olhos em mim, o quanto você me odiava. Odiava minha voz, meio jeito de sorrir, minhas piadas sem graça, odiava o modo como eu pensava, como eu gritava, e insistia que sabia cantar. E talvez se na quela época eu parasse para pensar um pouquinho mais, teria chegado a conclusão de que você me odiava até quando eu respirava. A gente não se dava bem, não se completava, nem ao menos se suportava. E bem eu até poderia dizer que também te odiava. Suas palavras sempre coincidiam com suas ações, suas verdades sempre eram verdades, e o resto bem, que se tornasse mentira. Você não se importava, nem ao menos um pouco ligava. Porque eu não conseguia ser assim? Porque eu não conseguia jogar no mesmo jogo que você? Porque eu ligava e me importava? Você me dizia, tanto fazia. Dizia que o mundo não estava nem aí para ninguém e que eu provavelmente eu iria acabar sozinha. E que você provavelmente também. Dizia que pessoas como nós nasciam para viver sozinhas, e terminarem sozinhas. Fazia horrores com minha mente, trazia e criava lembranças das quais eu queria esquecer, você tornava o mundo mais difícil para mim. Você odiava meu cabelo. Não suportava vê-lo solto, dizia que o irritava. Não gostava quando eu começava a falar e sempre mandava eu calar a minha boca. E eu pensava, uau, que submissa eu. Me calando por um homem qualquer. Eu estava enlouquecida. Você estava me enlouquecendo, e me perguntava até aonde essa loucura iria. Até onde você chegaria com essa história mal terminada, até onde você me controlaria, até onde você iria me fazer agir sempre pensando em você, até quando você me deixaria, ou me agarraria para sempre. Você criticava meu modo de viver, e me dizia que eu iria morrer sem nada ter feito, enquanto na verdade eu pensava constantemente em que você iria morrer sem nada fazer. Eu criticava o seu jeito, seus defeitos, minha mente estava sempre posta para apertar o gatilho em sua direção. Meus medos de todos o maior era terminar sozinha. De envelhecer, e no fim de tudo, nada viver. Eu corria sempre para o inevitável, e queria mudar ser a mudança, e como sempre você me criticava dizendo que eu sonhava demais. Você afirmava que sim, eu não era ninguém. Mas bem, dias depois você me disse que eu estava te deixando louco, e que não aguentava mais dividir o mesmo comodo que eu por muito tempo. Você me odiava, me desprezava. Engraçado, achei que você tivesse dito que eu era um ninguém, gritei uma vez para ele. E bom, ele gritou de volta: “Você sabe e sempre soube que você não é nada, uma ninguém, mas isso só quando não está comigo.” E eu pensei, meu deus como eu odeio esse tipo de cara. A gente não se completava, não se controlava, nem se suportava. A gente não servia para nada, muito menos para ficar juntos. Mas bem, tínhamos algo em comum, nós dois odiávamos seguir regras.
Outrora doce, outrora amarga. Outrora sua, outrora nada. Outrora quente, outrora fria. Outrora noite, outrora dia. Outrora, outra hora, outra alma, outro alguém. Outro dia, outro não. Outro amor, quem sabe, outro coração? Outrora amada, outra hora desarmada. Outrora desejada, outra hora despejada. Outrora loucura, outrora amargura, outra hora viver, outra hora existir. Outrora querida, outra hora esquecida… Outrora já fora alguém, hoje apenas um ninguém, outrora já sorriu com alma, Hoje apenas com os lábios. Outrora corria perigo. Mas quem sabe se salve outra hora?
Ascendência
Eu, filho do caos e da isolamento,
faço deste pequeno e ínfimo verso
nascido em meu lúgubre universo,
meu último testamento.
Meus sentimentos jamais serão perdoados.
Detentores de natureza renitente,
Estes são meus pecados.
Quando elas me gritam,
meu peito dói.
Não suporto mais isso.
Quero acabar com essa dor que me destrói.
Eu, filho do amor e da exaltação,
hei de enterrar em meu túmulo
todo sentimento que em acúmulo
me levou a pecar contra meu coração.
O céu jamais se fez azul sobre minhas pestanas.
Mas quando o encaro, peço que me mate.
Que em meu túmulo se enterrem mentes insanas,
e assim como meu sangue se façam escarlate.
A constrição aumenta em meu peito.
Em meu quarto se mostra desconfortável sensação.
Recende a solidão.
E mais uma vez, a morte atavia o meu leito.
Eu, filho do rancor e da ardente paixão,
Renuncio toda dor.
Amaldiçoo todo amor
que me levou a cair em depravação.
Quando tamanho sofrimento
descera sobre minh'alma,
senti o último momento
em que me fora roubada a calma.
Abnego minha existência.
Já não sinto mais inevitável
vontade de com meu eu ser afável.
Em meu calvário se pagara a penitência.
Eu, filho do ver e da verdade,
através de meus versos encontro piedade.
Oriundo da terra, verdadeiro colo,
anuncio meu retorno ao solo.
Meus olhos, frutos da própria terra,
vis criaturas peçonhentas
que na verdade encontram tormentas,
sua Ascenção encontram na guerra.
Se ao teu ver, minha existência enfraquecida,
em meus olhos, expressão da realidade,
se encontre tamanha debilidade,
toma tua foice, ceifa a estéril vida.
Eu, filho da vida e da própria morte,
a quem rejeitara a própria sorte,
tornara-me da dor, escravo passivo.
À noite, sofredor cativo.
Quando em meu andar
eu hesitar em dar o primeiro passo,
deixe que em meu penúltimo ruflar
se desfaça esse eterno laço.
Elas, cujas lâminas marcam em meu braço
a falta de um único abraço
gritam o notar da minha ascendência.
Seu nome, depressão.
Incerto acerto
Há erros cometidos em momentos certos
Capazes de colocar sua vida de pernas pro ar
Mostrando que há acertos em momentos incertos
Te tornando tão leve ao ponto de achares que pode voar.
Transformando um simples momento em algo inesquecível
Um abraço em fortaleza
Dando formas ao que até então era invisível
Me fazendo ver além da sua beleza.
Abrindo meus olhos para algo mais importante
Te proteger tornou-se realização
Deixando de lado o que é insignificante
Hoje é o teu sorriso que traz paz ao meu coração.
Resposta eu não estou procurando
Na naturalidade as coisas vão acontecendo
As preocupações do início não estão mais importando
Enquanto um grande sentimento vai crescendo.
Faça de tudo por quem você ama!
Viva por ela, ame, cuide, agrade, trate bem.
Pois o verdadeiro amor não espera nada em troca... apenas sofre, e muito, pois a
pessoa não faz o mesmo que você faz por ela!
Sem o teu abraço
Não sei o que aconteceu
Mas sinto sua falta
Você sumiu sem me dar adeus
Sem o seu abraço
Não to conseguindo pensar
Não consigo evitar
O que aconteceu vem à tona sempre
Não dá mais pra voltar naquele seu beijo
Que me fez tão bem
Como faz pra esquecer a nossa história enfim
Sem o seu abraço não consigo mais viver, mas vou superar
Vou pensando em nós dois, mas quando passa
Você vai querer voltar pra mim
E não vou querer mais saber de você
Não vou nem lembrar o que aconteceu
Sem o teu abraço, não consigo mais viver
Mas quando passar eu vou te esquecer
Não vou querer voltar
Vou me esquecer de tudo que aconteceu...
Hoje me sinto nublado
Em breve começo a chover
Meus olhos já estão mareados
É a dor que me faz sofrer
A dor irrompe
Seduz o meu peito
Sofro em silêncio
É tanta dor…
Que tenho medo de perder
E, não encontrar mais
Perder mesmo
A razão de viver
Chove demais
Arde, queima provocando sensações
Sentimentos de medo
Simples aflições
Resultado do amor
Que hoje parece sem sentido
Nem motivo há
Dor do fim
Do rompimento enfim
Sofrimento sem fim
Até o ponto final
DESEJO
O silêncio que brada, desnorteado
No cerrado, que a chorar me vejo,
O peito na dor que sofre, separado
Do outrora, na saudade me protejo.
Não me basta saber do passado,
Se, se amei ou fui amado; desejo
Mais que afeto simples e sagrado,
Quero olhar, laço e um doce beijo.
Ao coração que tolera, só ousadia
Não me acanha: pois maior baixeza
Não há que paixão sem ter o calor;
É a justa ambição que eleva a poesia
Ser poeta sempre e, na sua pureza,
Deixar seus versos cheios de amor.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
20 de setembro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
A bebida é a melhor solução para os seus problemas. Entretanto, ao mesmo tempo que é a melhor solução, ela acaba não resolvendo nada.
Eu não sei quem realmente sou, descubro um pouco de mim todos os dias, digamos que sou uma caixinha de surpresas...
