Amor Recolhido
Amei-te tanto que morri de amor, e toda vez que choras me plasmo em tuas lágrimas para aliviar a tua dor.
A verdadeira declaração de amor, é quando o coraçäo fala e você responde com um beijo e sorri com os olhos.
Trilhamos caminhos pelo amor ou pela dor, mas em alguns momentos levitamos por entre os atalhos enquanto o tempo fica cicatrizando as feridas que ficaram em nossas vidas.
O amor não pode ser exigido, temos o livre arbítrio de amar quem quisermos e vice e versa. Quando o amor é exigido, ele passa ser apenas "tolerado" e então passamos a ser aves bicando o que nos atiram pra comer (amor em migalhas) e esses que ofertam nos olham com compaixão (amor tolerado) e como gratidão bicamos essas migalhas e deixamos nossas "penas" espalhadas nessa mão.
Toque todos os dias o sino do amor, quem sabe numa capela
distante alguém esteja esperando ouvir os ecos que gritam
de seu coração…
O AMOR NUNCA MORRE...
Se nossa vida interna está como uma árvore desnuda sem o colorido das flores e frutos ainda bem que temos um coração que germina e floresce amor vibrante e rubro nesses galhos secos (sentimentos e emoções).
AMOR SUBLIMADO...
A perfeição só é alcançada onde o êxtase
simultâneo do amor acontece…
E é nesse momento que pára o mundo…
Aí as diferenças que existem da personalidade
um do outro, a gente esquece em segundos…
AMOR REQUENTADO...
Amor do passado que foi embora e que a gente tenta resgatar agora é como café requentado…
Nunca mais terá o aroma, o sabor e o frescor de um café feito na hora…
O DESPERTAR DO AMOR...
Zelo pelo teu sono acordada…
mas temo que desperte…
Por que?
- Pode já ter adormecido…
de tanto esperar, esse sonho em ti…
EVOLUÇÃO DO AMOR...
Amores de ontem eram reais puros e maleáveis…
Os de hoje são virtuais aviltados e descartáveis…
AMOR EM CONTA GOTAS...
Diga-me um não sonoro de uma vez…
do que me matar aos pouquinhos…
nesse sim que vem em conta gotas…
em uma substância chamada talvez…
Temos a mania de viver depositando nossa fé, nosso dinheiro, nossas esperanças no amor e tudo o que somos na poupança do "amanhã", como se por milagre, amanhã ou depois tudo mudasse, tudo fosse diferente. Sempre esperando que tudo mude em outro dia que não o hoje, vamos perdendo nossas vidas e os dias se esvaem na ampulheta da existência sem que nada tenhamos aproveitado. Hoje é o dia, hoje é o tempo. Gaste-se por amor, use com parcimônia esses trocados na carteira, viaje, aproveite. Acumule experiências, não bens. A vida está acontecendo agora mesmo.
Como se sabe quando o amor é real? Existe alguma coisa que identifique quando o sentimento mais sublime realmente está presente? Uns dizem que ele é como uma bomba atômica explodindo dentro da gente e, para desencadear a explosão, basta um olhar, um toque de mãos, um sorriso. Outros dizem que ele é algo sensível, suave como uma brisa que vem e balança os cabelos, trazendo uma sensação de plenitude e conforto como nada mais pode fazer. Quem tem a verdade? Os que falam do fogo consumidor ou os que defendem a brisa mansa? Haveria, talvez, uma terceira via para amar, onde nem fogo nem vento, onde nem terra nem água, nem sentimentos e nem palavras possam estar presentes? Quem saberá definir o incompreensível ou dizer onde o invisível estará, ou ainda, explicar o que o inexplicável é? Por que existem tantas perguntas para amar e tantas respostas por se dar? Porque ao fim das quatro letras "a", "m", "o", "r", sempre existe um ponto de interrogação e nunca um ponto final? Por que amor tem apenas duas vogais e duas consoantes, se nem todo nosso vocabulário o pode abranger? Por que o porquê de amar? E por fim, por que o porquê do por que de amar?
O amor é a coisa mais linda que existe, e também a mais irreal. É o sentimento mais profundo e ao mesmo tempo mais mentiroso que existe. Vivemos em busca dele, e quase nunca o encontramos. Quando o temos, finge que é eterno, mas foge assim que pode. Quando não o vemos, jura que vai aparecer na próxima esquina. Quando chegamos lá, o vento sussurra: é naquela outra esquina. E assim a vida passa, dobrando esquinas e fazendo promessas.
Por um amor vira-latas:
Nunca acreditei muito nessas coisas de pré-destinação escritas e descritas nas estrelas, também nunca acreditei no acaso. Inferno astral ? bobagem ! No entanto, no limiar dos meus 40 anos, tenho sido tomado por pensamentos que cumprem um pouco as previsões e pragas lançadas, há tempos, pelos mais velhos. Dentre esses pensamentos, um tem sido recorrente, se feito presente até em meus sonhos, que é o pensamento de que o mundo se descortinaria e todas as etiquetas, rótulos e pompas da juventude se mostrariam como dispensáveis, inúteis e cansativos e nesse momento sentiria falta daquele beijo envergonhado, dado pela mãe, na porta da escola, daquele cachorro vira-latas que tinha encontrado na rua, sem raça definida e que me esperava sentado na rua, ainda em chão batido, que quando me avistava corria em minha direção e pulava no meu peito, com uma alegria tão generosa, que sem se importar se minha camisa ou meu avental branquinho se sujariam, lambia minha cara e honesta e fraternalmente, abrigava-se ao meu lado para dividirmos um pedaço de pão com manteiga ou outro alimento qualquer, não fazia diferença. Minha mãe ?! Sim, esbravejava e maldizia o cãozinho, ao ver o estrago que causara em minha roupa, mas com seu jeito caipira e também muito honesto, pegava o avental ou minha camisa, dirigia-se ao tanque, com uma pedra de sabão Rio, lavava as roupas, as estendia numa corda, que ela chamava de varal, para "cuará"... enquanto isso, eu e meu leal e honesto amigo, nos aquietávamos em algum canto da pequena casa e esperávamos que a velha se acalmasse e fizesse suas previsões: - Um dia você vai sentir falta de tudo isso, sentenciava. É, minha velha estava certa, ela ainda está viva e ainda fazendo previsões. Meu amigo vira-latas morreu. Os vira-latas, nunca sabíamos de onde vinham, quem eram seus antecedentes, quais eram suas comidas preferidas ou quais cuidados especiais deveríamos ter com eles, eles simplesmente apareciam e ofereciam o que tinham de melhor, o AMOR, e esse amor era tão puro e tão verdadeiro que eles também nunca nos perguntavam quais eram nossas origens, quais eram nossos gostos pessoais, eles estavam sempre dispostos a dividir um pão com manteiga ou nossos chinelos. Os pães e os chinelos eram escassos, o AMOR, esse não, o AMOR era abundante. Hoje compramos nossos amigos, com pedigree e recomendações de cuidados, compramos nossos amigos com etiquetas e pompas, nos desumanizamos para humanizar os bichinhos e pagamos caro para disfarçar nossa desolada solidão, pois o pedigree, os mimos e bibelôs não traduzem o amor. Hoje, já me desfazendo das cascas douradas e inúteis das horas, como diz o poeta, desejo apenas e profundamente um AMOR vira-latas.
