Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
O tempo pode não curar a ferida, mas com certeza, ameniza a dor e te faz enxergar, no momento certo e com mais clareza, os porquês de tudo. E o mais importante; te faz sentir menos dó de si mesmo.
Viva seu luto,
mas não se entregue a ele!
É... O tempo está sempre se moldando , tirando ou colocando cada coisa , ser, deste mundo em seu lugar ... passos indo de encontro ou se afastando ,
E as horas ? Começaram a passar mais rápido ou ainda estão presas dentro dos pensamentos cotidianos mau resolvidos tentando nos libertar daquilo que mais tememos ?
Ouvi o espelho gritar pelo meu reflexo
Como a cede pedindo água
Mas nossos prazeres infundados nos fazem fechar as melhores portas e jogar a chave fora !
Razão invisível sobre os olhos de emoções módicas
Tudo normal pois
Cada contemplação exige sua
Intesidade , Cada mergulho exige sua profundidade
Ausência de profundidade
Não deixa saudade
Mas se cai no vazio do esquecimento eterno!
Entro num café em Coimbra, a atendente trabalhava e ao mesmo tempo chorava muito, um senhor pede uma cerveja e pergunta: Porque a menina chora tanto? Aquela pergunta foi como escarafunchar uma ferida, pois a mesma chora muito mais ainda.
Como uma fera enjaulada, sai o patrão da cozinha e lhe ordena que limpe o chão enquanto ele sai, pois voltaria dentro de duas horas e quando voltasse se o chão não estivesse limpo ele iria obrigá-la a limpar com a língua, entra em seu carro e arranca em alta velocidade.
Na hora me reportei as senzalas que era uma espécie de habitação ou alojamento dos escravos brasileiros, eram galpões de porte médio ou grande em que os escravos passavam a noite. Muitas vezes, os escravos eram acorrentados dentro das senzalas para evitar as fugas.
Costumavam ser rústicas, abafadas (possuíam poucas janelas) e desconfortáveis. Eram construções muito simples feitas geralmente de madeira e barro e não possuíam divisórias.
Os escravos dormiam no chão duro de terra batida ou sobre a palha. Costuma haver na frente das senzalas um pelourinho...
A atendente aproveita a ausência do patrão e desabafa com o senhor que pediu a cerveja, segundo ela entra no café as 6 horas manhã, faz toda a faxina, as 8 horas abre ao público, ela tem direito de tomar um café o que vier depois disso tem que pagar, mas para economizar seu mísero salário ela não come nada porque tem uma filha que depende dela.
Disse que o patrão é o diabo em pessoa, ela só sai para almoçar as 15:30 horas, retorna às 19 horas e o horário de saída só Deus é quem sabe, mas disse que já chegou a trabalhar 15 horas por dia e todos os dias é humilhada.
Eu na brincadeira disse: “Então você trabalha numa senzala, porém moderna, as correntes para não fugires são as horas que te prendem aqui, as chicotadas são os insultos do seu patrão.
Perguntei: Você vai fugir ou está a espera que seu patrão lhe der a carta de alforria?
Ela refletiu e disse emocionada: Após esta definição vou pensar muito na minha vida e quando voltares cá verás que aqui não estarei mais.
Quem gasta todo o seu salário no mesmo mês vive o tempo todo no presente, o que é um erro em termos de educação financeira.
Finalmente posso passar o tempo fazendo coisas que sempre adiei, como escrever e cozinhar.
Todo dia você dá um passo a mais pro tempo da sua inexistência, faça valer a pena o hoje, pra você e todos que te cercam de perto...
O tempo e o sentido das coisas.
Na obra de Dalí (A persistência da memória), nos deparamos com vários relógios retorcidos, quando buscamos a essência artística ali presente, entendemos que ele fala da necessidade do homem em controlar o tempo.
Por vezes, ao olhar para o espelho percebo que tudo é liquido e nada muda, apenas vem aquela sensação do "mais um dia".
Cansados do trabalhos e das pessoas, buscamos refúgio num espaço que destoa a realidade e imortaliza a nossa aparência no auge que gostaríamos de eternizar.
O capitalismo é hostil, trabalha a mente do indivíduo a ponto de fazer com que abra mão dos próprios propósitos de vida, oferece a eles a sensação de segurança e status social momentâneo, mas como disse lá em cima, é tudo líquido.
Abrir mão de propósitos e pessoas, corrobora para o senso consumista e imagético com aquela necessidade desenfreada de auto aprovação, validada por pessoas do outro lado da tela de um smartphone.
As lembranças se perdem num único clique, junto de sensações que evaporam ao simples trocar de aba.
Na vida tudo é transitivo, líquido... mesmo iluminado por essa ideia, faço-me consciente e sinto tudo evaporando dentro de mim, como a saudade, o amor, a admiração e por incrível que pareça, as mágoas.
Num mundo fetichista, o capital ostenta os sentidos e se esses sentidos da vida precisam de capital para serem sustentados, o que ganhamos é o arrependimento de abrir mão de mãos quentes e acalanto, por contatos artificiais que se preocupam com uma foto ao invés de um ser humano, amores se resumem a momentos físicos e a atenção ao que você pode proporcionar de engajamento nas redes.
E no fim, toca o despertador no dia seguinte, o mesmo ciclo, a mesma bajulação, as mesmas cobranças e o mesmo cansaço. Cansaço de tudo e todos. Esquecemos que para o sistema ninguém é insubstituível, mas entre as pessoas, somos o que construímos, os sentimentos podem até evaporar, mas num ciclo natural, formam-se as nuvens e chovem novamente. Eis aí a essência do tempo.
Independente de atmosférico ou cronológico, cabe a interrogação sobre o que fizemos com ele, quanto desperdiçamos, aprendemos e deixamos evaporar em busca de auto afirmação e constituimos, amizades artificiais, imagens deturpadas de si mesmo em prol de conquistar a tal amizade, o sentimento intrínseco de vazio e o arrependimento de derramar lágrimas de outras pessoas em busca da tal modernidade liquida.
No fundo sabemos, que no hoje tudo flui, amanhã as gerações mudam e aquele que hoje se fez um personagem "social", amanhã se torna um velho aos olhos da nova geração, careca, gordo, banguela e por fim, solitário.
O esforço e o cansaço constituído pela auto afirmação do sistema, te trará rugas e decepção, pois na vida, somos o que oferecemos aos outros, no capitalismo a bajulação aparece pela manutenção da posição e na vida pelo conforto oferecido.
Com o passar dos dias esquecemos das outras pessoas, mudam-se as prioridades é uma lei orgânica, diria. Mas efetivamente, o que difere as pessoas das coisas é poder que o tempo tem sobre a permanência nesse mundo, o sistema transforma pessoas em objetos e as próprias pessoas objetificam-se. Em miúdos, não trate pessoas pela sua utilidade momentânea, carência e necessidade, o tempo cobra na mesma moeda.
Cuidar da espiritualidade ao contrário do que muitos possam pensar é apenas reservar um tempo do próprio dia para fazer o que deixa a alma feliz e vibrante.
Você não precisa ser bom todos os dias.
1 dia é muito tempo, tem 24 horas.
Seja bom sempre que puder...
DEUS É BOM O TEMPO TODO
Nos afastamos constantemente de nossos
chamados mais profundos por bobagens
criando ou fortalecendo em nós próprios
pensamentos e ações afastados de Deus e
da simplicidade, descansamos em leito de pedras nas falsas imagens.
Com o tempo a gente aprende que amar não é um sentimento e sim uma escolha, ninguém começa amando, o amor vem do contato, do carinho, do cuidado diário,
da vontade de partilhar como foi o seu dia triste ou feliz, mas saber qual é os braços que você quer se debruçar.
Amar é poder partir, mas por opção querer ficar, amar é fazer e não somente falar, é escolher
a mesma pessoa todos os dias, é estar no mar e não ficar apenas as margens, mas se jogar sem medo, porque sabe que o outro vai te segurar.
Bolinha de gude
Encanto de crianças
Na roda do ganha e perde
A vida se desenvolvia
Tempo de alegria
Eram de vidro,
Desejadas, e disputadas
Algumas coloridas
Em cada jogada uma batalha vivida
Às vezes, motivos de brigas
Brigas entre futuros homens
Que no exercício do jogo
Aprendiam a defenderem sem medo, o que sentiam no coração
E cresciam descobrindo que na vida
Ganhando ou perdendo, todos somos iguais
E no final da brincadeira, amigos sem rancor
Infância intensa, feliz, e cheia de amor
E linda demais...
