Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Durante muito tempo, um ursinho de pelúcia era o que eu queria ter. Hoje eu quero mais paz, mais amor, mais solidariedade, eu quero mais.
Até quando vou ter que esperar? eu já não sei nem como fazer isso...
Porque esse tempo todo senti sua falta...mais com tempo a gente se acostuma...e eu não quero me acostumar a viver sem você
Rio do tempo
A sisudez do tempo não esconde o cansaço,
o desassossego da alma, mas
o lamento das coisas dissolve-se em lembranças,
que ainda guardam a limpidez das águas da infância,
reparando conquistas e derrotas ao redor dos dias.
Memória serena como a dos rios
que seguem eterna viagem para o mar,
mar que também é pura vivência,
sentinela de sonhos,
a guardar os segredos do vento.
Rio e mar são preces a decantar o tempo,
na vigília da memória e das trilhas percorridas,
um ofício íntimo a experimentar maturidades,
que fio por fio vai tecendo um poema de vida.
Não há pranto que aqui se demore,
assim como não há felicidade perene,
mas a vida é assim, esta água cristalina
a escorrer no leito dos rios,
lavando as ruínas deixadas pelo caminho,
espelhando amor de diferentes quimeras.
"Sou realmente amiga quando sento do lado e espero o tempo passar, mesmo quando não tenho nada a dizer, até assim estou sendo sincera".
E é meio tarde, porque tempo não é algo que eu tenho poder de comprar, e perder tempo é como perder a memória, fica só um vazio ocupando o lugar de alguma coisa que poderia ter dado certo, alguma lembrança que poderia ser eterna. Poderia.
