Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
O TEMPO E O MOMENTO.
Quando é que o tempo vai passar
Sem a gente perceber
Que as dores são menores
Que o sofrimento.
Quando é que o tempo vai mostrar
Que o choro e as lagrimas
Não acontecem
Somente no relento.
Quando é que o tempo vai voltar
E assim vermos que a saudade
Não vem do passado e que a
Lembrança não é um pensamento.
Quando é que o tempo vai parar
O relógio que bate em nosso pulso
Que pulsa na nossa vida para
Vivermos o momento,
Passado, presente e futuro.
O tempo tem seu momento.
Autor: Cássio Charles Borges
Título: Amar Duro Ser
(por Jerfferson Helton da Silva Almeida)
Amadurecer requer tempo e energia,
pois a flor, em seu broto tão jovem,
demora-se em brotar e em "a" "flor" "ser".
Ao anoitecer, leva-se o vento frio às suas raízes
e, ao amanhecer, consegue ver
a alvorada de um novo sol a brilhar.
A gota do orvalho cai,
e o tempo — "amar", "go", "ser" —
é o que nos faz reconhecer o poder que tem,
mostrando que vivemos mais no passado do que no presente,
e esperando um futuro incerto, que só a ele pertence...
Ele nos trouxe a este mundo como crianças
e nos fez jovens; porém, através dele e por ele,
nos tornamos hoje adultos.
Mas por que ele nos tirou a amorosa fantasia do amar?
De acreditar que existirá o amor
e que — se envelhecermos —
teremos o amor para nos acalentar?
Será que o tempo faz com que aprendamos,
à base das lapadas da vida,
que não existe o amor de filmes
e que não iremos envelhecer com o amor da vida?
Custo a acreditar, neste ponto...
Não quero acreditar...
Não irei.
Todavia, por que mais perdemos do que ganhamos?
E "Amar Duro Ser" é assim?
Mas o amadurecer me parece mais dores do que sorrisos...
Novamente, me recuso a acreditar nisso.
Dito isso, afirmo e reafirmo:
serei feliz, mesmo que sozinho o caminho percorrer.
Mas o universo, amigo, será meu
e trará o amor da minha vida.
E, quando eu partir, aliviado serei,
pois consegui comprovar que o tempo também me ajudará,
e no porto seguro estarei a me ancorar....
SÃO LEMBRANÇAS DO PASSADO
O tempo muda as pessoas
O povo de antigamente
Eram sábios por natureza
Sabiam viver contente
Amizade valia ouro
Era tão diferente.
X
Nas noites de Lua cheia
O povo se encontrava
Uma prosa boa
De tudo se falava
Mas uma coisa era certa
Nunca faltava alegria.
X
Não existia separação
Das empregadas as professoras
Nem do trabalhador e o patrão
Lavadeiras e ou agricultoras
E nas horas de brincadeiras
Todas viravam cantoras.
X
Eram momento de descontração
Em um dia da semana
Lavavam roupa no tanque
Enquanto trabalhavam
A prosa era bacana
A merenda se dividia
Seja farofa ou banana.
X
Cada uma com sua profissão
Tinha Zilda a costureira
Ninguém fazia melhor
Dona Nita era rendeira
Trabalhava bem nos bilros
E Edite a melhor engomadeira.
x
Lembro bem dos artistas
Seu Juvenal era sapateiro
Deixava tudo novinho
Pedro era barbeiro
Estevão na cozinha
Era um bom cozinheiro.
x
Autoria-Irá Rodrigues
Aprendi com o Tempo
Aprendi com o tempo
que o perdão não é um laço,
não é um nó que te prende
a quem rasgou teu espaço.
Não é um sim ao erro,
nem um cheque em branco,
não apaga a cicatriz,
não devolve o que faltou.
O perdão é uma ponte
que se constrói por dentro —
para que eu atravesse
sem levar o fardo pesado,
sem arrastar a corrente
do ódio envenenado.
Não é para quem feriu,
não é para aliviar sua culpa,
é para que minha alma
não vire terra arrasada,
para que eu não carregue
a sombra da espada.
Aprendi que perdoar
é fechar a porta do inferno,
é seguir sem olhar pra trás,
livre, inteiro, sem guerra.
Porque o perdão não cura quem errou
cura quem sobreviveu.
Livre, enfim, de ser juiz.
TEMPO
É o que não temos, mesmo que seu dia seja chato e quer que passa, e passou você sobreviveu da sua vida meio cansativo, mas outro dia você dar de conta que já tá perto de acabar o ano, e o que levamos? Dinheiro, móveis, uma casa ou sua vida confortável que temos nesse mundo, mas parece que é vida se você não tiver um teto sobre sua cabeça ou comprar comida nesse mundo você não sobreviver... se vamos acabar debaixo da terra e não levamos nada, porque corremos tanto, se vamos perder tudo.
Cada alma tem seu tempo
E não há por que exigir.
A vida, com discernimento,
Ensina o momento de florir.
Você está reacendendo tudo.
Eu pensei que talvez o tempo, o silêncio, ou o bom senso te fizessem recuar.
Mas não. E eu sinto que você quer mais do que nunca.
Eu sinto, na pele, que você quer esse perigo.
E eu não deveria gostar de correr perigo. Mas eu quero.
Quero esse arrepio de te olhar sabendo que não devo, e mesmo assim não desviar.
Quero essa sensação que grita dentro de mim
toda vez que você chega perto.
Quero o incômodo gostoso da sua atenção.
Quero essa provocação que você lança com o olhar, com a escolha exata das palavras,
e do momento certo de se aproximar.
Quero a sua presença atravessando o espaço,
como se o ambiente inteiro soubesse o que a gente sente mas ninguém ousasse falar.
Porque seria loucura pensar que isso acontece entre nós. Mas é.
A loucura mora aqui, quieta, disfarçada.
Na troca de olhares que dura segundos, mas diz muito. E nos entendemos muito bem.
É isso que me prende.
Essa atração no secreto.
De sentir toda a sua vontade me consumindo por dentro, enquanto por fora fingimos normalidade.
É delicioso saber que somos só nós dois
nesse nosso lugar escondido entre o possível e o proibido.
A fantasia de se encontrar no meio da rotina,
de se provocar com palavras comuns,
mas carregadas de intenções.
De existir um mundo só nosso: invisível, proibido, sufocante, quente, e inevitável.
E ninguém vê. Ninguém sabe.
Mas eu vejo. Eu sei.
Você vê. Você sabe.
E isso basta.
O tempo tá fechado, eu sei...
A mente tá pesada
Eu fecho os olhos e sinto Ele...
Minha morada.
Vivendo a vida, cada passo é tensão,
Mas Ele manda a tropa,
Me tira da escuridão.
Quanto mais o tempo passa e você continua inerte, mais a certeza sobre o seu destino fica evidente. 04/08/2025
O HOJE É IRREVOGÁVEL
Amanhã ou depois
o tempo espreita entre frestas de silêncio
e eu vago no vão das escolhas
como quem não quer
nem a margem
nem o centro
Agora ou não
há sempre um não sei
com cara de espera
um gesto suspenso no ar
como folha que dança sem rumo
refém do vento
e da própria hesitação
A indecisão é um campo sem trilhas
onde o passo recua do próprio eco
é mirar o abismo e temer tanto a queda
quanto a ponte
é desejar o fogo
mas temer o fósforo
Filósofos dizem que o ser se realiza
no ato
que não há existência sem escolha
e até o não fazer
faz-se ser
porque não decidir
é uma decisão encoberta
pálida cambaleante
mas ainda assim
um passo
mesmo que para longe de si
O tempo esse mestre impiedoso
não espera os indecisos
segue
marca
conduz
E então aprendemos
que o caminho não se abre sozinho
que a dúvida adoece a alma
e que viver
plenamente
é optar
é perder algo para ganhar outro tanto
Decidir é cravar estaca no chão do mundo
é desenhar o próprio contorno
é ser
Recusar a escolha
é deixar que a vida escolha por nós
com mãos alheias
e olhos fechados
E o que se decide
não se decide amanhã
nem depois
se decide hoje
A gota de orvalho cai, e o sopro do vento revela que o tempo segue seu curso, um novo dia está por nascer. Ainda que a noite traga dores e o frio da madrugada nos envolva, persista. O amanhecer não apaga o passado, mas oferece a chance de recomeçar com mais sabedoria.
(Izaias Afonso)
Onde foi parar
O tempo que eu perdi
Longe da sua boca? (...)
Temo admitir, mas não nego
É você que me invade a noite toda
Devo admitir que eu te quero
Sem pressa, sem ego e sem roupa
A paciência do tempo em preparar tuas recompensas não se dobra à tua impaciência em exigi-las de imediato.
Herbert Saavedra
A família não precisa ser sacrificada no altar do chamado; Deus sabe unir propósito e lar no tempo certo.
trecho do livro Lá em casa
