Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
AMOR,
Amar ontem , amar hoje, amar amanhã, ou simplesmente não amar!
Difícil ter a certeza de que se é correspondido, ou não, medo de errar, se decepcionar, ou magoar outro alguém, por depois ter a certeza de que realmente não o amava, e sempre se perguntar: é verdade a hipótese de só se amar uma vez na vida? Amar é como um único coração dividido em duas partes, cada uma com sua personalidade, e forma de entender o amor, que passam um bom tempo a procura da sua metade, e quando se encontram , descobrem o verdadeiro significado de amar.
Nos preocupamos em saber se é a pessoa certa ou errada,e tudo gira em torno de uma única pergunta, será mesmo amor ? não se deve ter medo de amar, se entregar, de dizer eu te amo, porém sabendo que o EU TE AMO, tem significado, não é como um bom dia, mais como saber se é realmente amor? PRESENÇA, FALTA, fizemos questão de sempre querer estar perto, de ligar quando sentir saudade, de dar um abraço bem forte quando passam algum tempo sem se ver, de não imaginar sua vida sem aquela pessoa, e o mais difícil saber seu real valor quando perdê-la. Você chora, sente saudade, porém isso não é o bastante para trazê-la de volta.
Aquele que você respeita, cuida, demonstra carinho, que briga se for preciso, mais minutos depois já estão se falando..; o que jamais enxugará sua lágrima, porém nunca deixando-a cair, a verdadeira razão é te mostrar o que é felicidade. Independente de tudo vendo seus avanços e tropeços que a vida te ensina,estando sempre ao seu lado, e lá no final vendo todos os seus sonhos se realizem.
Mesmo assim amar é muito complicado ou será que a gente que complica? Já refletia Drummond: Ah o amor ... um não sei o que, que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porque...
Um homem maduro é aquele em cuja alma todos os sentimentos e emoções — ternura, ódio, esperança, pressa, indiferença, todos eles — são balizados pela consciência da morte.
Nenhum amor é eterno certo? Isso significa que se Shakespeare, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade não fizeram poemas com juras aternas, nem amores eternos, quem criou essa coisa de pra sempre foi a gente e é por isso que sempre damos com a cara na parede né?! Nenhum amor é eterno, mais você tem que aproveitar todos como se fossem, porque cada amor é único, cada amor é um, tem que ser vivido da forma mais intensa possível, todos os dias tem que ser guardados na memória, e as lembranças ruins devem ser apagadas, e se deve aprender com os erros. Quando esse amor acabar, chore, mostre que realmente valeu a pena tudo o que vocês passaram. Depois que as lágrimas secarem siga a sua vida, um sorriso no rosto, e abra seu coração para um novo amor. Para viver tudo novamente. Para aprender com os novos erros, aprender com o outro novamente, para fazer loucuras, para rir, chorar, se emocionar, e enfim amar. É disso que a vida é feita. Quando dizem que o importante é ser feliz e ter saúde e que o resto não importa, eu te pergunto: Tem como ser feliz se não estiver apaixonado?
Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.
Para mandar muito tempo e absolutamente sem alguém é indispensável ter a mão leve e, nunca lhe fazer sentir, por pouco que seja, a sua dependência.
As épocas perturbadas fazem perder tempo. Só se pensa em salvar a cabeça, e não há tempo para fazer mais nada.
AMOR QUE NÃO COBRA
O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.
O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá. Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.
O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele.
