Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Depois de algum tempo aprendemos a tomar posse
de nossos sentimentos... como se de repente,
descobríssemos possível determinar a que dar
importância ou não. Eu escolho como me sentir
diante das adversidades e, aprendo a difícil
"arte de administrar" desencontros.
E as minhas cartas jazem lá esquecidas.
O tempo e a chuva as desbotou.
Ironia do destino...
não saber o que aconteceria?
se elas tivessem chegado às suas mãos....
Vivi muito tempo como uma borboleta atravessada por um alfinete... inexoravelmente impedida de ver o sol, sentir a brisa e saborear o néctar das flores....enfim liberta, treino as asas para voos mais ousados....
É preciso que o barco fique à deriva,
durante o tempo que for necessário,
para que, com a luz da manhã,
novas rotas e possibilidades se apresentem.
Acontecimentos que há algum tempo
eram tão importantes, de repente,
perdem totalmente a razão de ser.
Talvez isso seja o que chamam
"Maturidade"...
Amadurecer me parece, finalmente,
deixar de lado velhas mágoas,
esquecer no passado acontecimentos tristes,
e guardar apenas as belas histórias vividas.
É o sentimento de que está tudo certo,
de que nada há para se lamentar.
É caminhar, sem medo, rumo ao futuro
e bem velhinha, sorrir ao constatar
como terá sido pleno e lindo VIVER...
A vida é muito breve...
O nosso tempo por aqui é limitado demais
para que o gastemos com rancores e
desentendimentos que nos trarão
somente sofrimentos. Quando enfim
compreendermos a efemeridade da existência,
estaremos preparados para exercitar,em toda
plenitude, a tolerância e a paz.
Algo em mim
diz que é tempo de serenar...
Talvez seja a luz da manhã
com seus presságios de recomeço
ou, talvez, o tempo
já tenha decretado,
para essa dor,
o incontestável fim.
Cika Parolin
"Sempre é tempo para uma nova lição"
Essa é a sabedoria dos que reconhecem
seus erros com humildade e dos que procuram
corrigi-los, além dos discursos...
Cika Parolin
No tempo em que tudo eram possibilidades.
Não alimentávamos medos e dúvidas atrozes.
As coisas eram simples, fáceis e realizáveis...
Desconhecíamos as mesquinharias dos homens,
e o contentamento nos fazia companhia...
Hoje descobri que sou "antiga"... =D
Sou do tempo do reco-reco, que depois chamávamos fecho éclair, mais comumente chamado de zíper... também sou do tempo da calça brim coringa, calça Lee e que hoje é calça jeans...
Brincadeiras à parte, administro muito bem essa constatação
de que o tempo passa e leva com ele hábitos, dizeres e detalhes de cada época...além de tomar cuidado de assimilar as mudanças pois, não quero continuar falando como se vivesse ainda nos anos sessenta e tivesse parado no tempo. (risos)
Cika Parolin
Tributo às Mulheres nascidas há muito tempo atrás....
Cresci cercada de mulheres valentes!
Que não tinham tempo para vaidades...
cuidavam dos cabelos umas das outras;
não tinham perfume, nem maquiagem...
Sua vida ... cuidar dos filhos
e uma árdua rotina de trabalhos...
Tudo o que se comia vinha de suas mãos!
Das saladas cultivadas na horta, do pão feito em casa,
às geleias e aos queijos feitos com o leite
ordenhado ao nascer do sol, à lenha que aquecia o fogão...
Não era uma vida suave, mas aos olhos delas... feliz...
Era o que se esperava das mulheres da época,
que nem sonhavam com a tal emancipação...
Sua felicidade consistia em colocar
no mundo filhos sadios
e a sorte de encontrar um marido bom e trabalhador.
Claro que, com o avanço dos costumes,
hoje isso beiraria à escravidão...no entanto, quando converso
com algumas tias velhinhas percebo nelas uma nostalgia
de um tempo difícil, mas rico de histórias onde exerciam o papel
mais importante que poderiam exercer no auge da década de cinquenta... o de mulher e mãe... em tempos de submissão...
Busco a simplicidade de palavras
que falem de sentimentos singelos
de memórias de um tempo longínquo
onde não havia maldade;
onde se podia brincar livremente no campo,
onde a maior diversão era o banho de riacho,
onde o pouco que tínhamos era tanto
e onde éramos felizes com as coisas mais simples.
É essa singeleza que tento preservar viva na alma
e escrevê-la é uma forma de lembrar de onde vim
e de não esquecer minhas raízes.
Cika Parolin
Sempre que houver algum acontecimento desagradável e inesperado procure abstraí-lo, pois o tempo sempre mostra que aquilo aconteceu para o nosso bem, como se uma força misteriosa nos libertasse de algo que poderia nos fazer muito infelizes.
Cika Parolin
Olho o meu tempo com os olhos de quem sabe
que o tempo corre, que o relógio não para
e que sempre chega a hora...
Hora de sorrir, de sofrer, de amar, de perder,
de realizar e de morrer...
Cika Parolin
Num tempo qualquer, a menina
fingiu que espigas de milho enroladas num pano
fossem as mais lindas bonecas...
Os olhos tristes da mãe deixavam transparecer
que ela merecia bem mais... No entanto, era o que havia
e não se permitiam lamentações, apenas, esperança em dias melhores e mais felizes.
Cika Parolin
Através das "névoas do tempo" eu te vejo...
Vejo-te tão distante,
como se te ocultasses da minha alma faminta.
Insensível vives o teu momento
e pergunto-me até quando
verei tua figura envolta em nuvens de distâncias?
Cika Parolin
Tantas coisas já se misturaram no tempo
e, de quando em quando, o coração se aperta.
O passado se entrelaça, se ordena
e visita a menina que ainda habita a mulher.
Cika Parolin
Vivo o tempo dos significados!
Não mais tantas descobertas e dúvidas,
mas a ratificação das lições ministradas pela toda poderosa VIDA.
Talvez por isso eu me sinta tão integrada à serenidade
e receba o bom e o nem tanto, sem grandes alardes,
apenas grata.
Cika Parolin
Não temo a velhice física,
mas que o tempo me tire a capacidade de sonhar,
de realizar e escrever emoções.
Gostaria de partir, bem velhinha,
ainda com a caneta na mão, no meio de um cochilo,
mesmo que com uma frase inacabada
e que um ente amado a completasse por mim. Cika Parolin
Com exceção de acontecimentos inexoráveis, como a morte, quase tudo pode mudar, a qualquer tempo!
Não hesite em reconsiderar, tentar de novo;
perdoar-se, pedir perdão, perdoar e recomeçar.
Cika Parolin
