Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Viver é a arte de tornar imortal na memória os momentos de felicidade consigo e com as pessoas que te amam.
Bem vindo julho
com suas paisagens lindas, frias, geladas... e sua paisagem branquinhas em neve,
seu vento gelado que bate forte até na porta da alma.
É o convite para se olhar para outros
que desprovidamente são órfãos da inclemência do tempo
e, que nos pedem para abrir o coração...
e à eles oferecer dádivas e doação sem que se faça
menção ou distinção
se merecem ou não, sua abertura de mão;
O ser em sua suprema carência vem fortemente munido
de vergonha e de sabida rejeição...
não tem coragem de estender a mão.
Espera até sem esperança que o céu se rasgue em pedaços e por suas frestas
se lhe escapem gotas de misericórdia e amor,
que aliviem não apenas o tempo de escassez
mas também encontrem misericórdia que não conhecem
e nem sequer sabem onde se buscar;
mas aguardam com aquela esperança que mais se assemelha,
a um fino fio de fim do fim do que jamais se pudesse imaginar.
É o tempo...
Se o tempo é de peso ou de pesar,
com certeza sempre trará motivos para amar e repensar.
Amar não apenas o que nos toca o coração,
mas acolher a mão ao que nos estende na ocasião que mais necessita
e não possui forças para elevar os olhos,
pois o peso de seu fardo turva-lhe a visão e lhe encurva o corpo.
tirando-lhe a noção e brilho do significado de humanidade.
Julho aconselha aconchego, carinho e muito amor
Bem vindo julho!
ahhh...de preferência, munido de um abraço bem quenteee,
de calor, fulgor e claro...muito amor!
Fale, que te ouço
Fale,
sobre o que gostaria que te ouvissem
das coisas que sempre te incomodaram,
mas foram relevadas a segundo, terceiros, "n" planos.
Conte o que te incomoda hoje ou incomodou no passado,
ou o que imagina ocorrer no futuro.
Suas dúvidas são minhas preocupações,
suas certezas... minha estabilidade
e suas imaginações também caminharão juntas às minhas realizações.
"Ao longo do caminho, duas almas confiantes, andavam em busca do elo perdido imaginando ser este o caminho que conduzia à chave ou segredo da eterna felicidade.
Dias e dias se passavam e tudo se tornavam tão iguais que mais parecia representação do que se ocorria a cada par de momentos, sem saber se distinguir o quê ou quem era quem...
tudo o que imaginava era de que alguma coisa bombástica ocorreria quando se avistasse ou tocasse o tal elo, mas que nada, tudo parecia vão.
Sol e sóis se punham, num eterno ciclo vicioso de manhã, tarde e noite.
Num determinado momento resolveram parar e descansar e, no descanso já exaustas adormeceram
e foi então que o inusitado aconteceu:
uma luz de forte intensidade girava entre os plexos: solar e cardíaco delas, proporcionando-lhes uma calma e tranquilidade nunca antes experimentada.
Perceberam então que a tal felicidade que sempre buscaram e desejaram sempre esteve ao lado delas,
nutrindo desejo ardente de as abraçar e as envolver
mas foi desdenhada tal a simplicidade e facilidade com que se apresentava.
Então...vamos falar de quê agora?...
...ou melhor, deixe a fala para depois e vamos abraçar a tal felicidade!
"Dona Felicidade gruda ni nóis e não se aparte jamais!"
Gostaria por um dia saber expressar a minha nostalgia em forma de poesia com rimas ricas sem usar o clichê do amor pra rimar com ardor na constante forma interminável do substantivo com substantivo, adjetivo com adjetivo e do verbo com verbo que me torna um servo do meu restrito vocabulário sem saber se uso as palavras de uma forma racional ou se é um sentimento voluntário na mais pura forma animal que age pelo instinto e ao mesmo tempo vestindo me com o manto da razão que devora insistentemente a minha devoção pelo culto do sentir e não pelo pensar onde apenas sinto o vazio das palavras lançadas ao vento frio que congela a semente da esperança e a impede de germinar no solo seco por onde a tempestade de sentimentos nunca mais regou com suas gotas deixadas apenas em forma de saudade e essa atrocidade perdura, açoita e nos torna impiedosos na forma mais obscura de enxergarmos a sinceridade que há dentro de nós e que nos faz divagar por entre as palavras ditas sem um real sentido em busca de algum objetivo para proporcionar a verdadeira forma de expressão em nossas vidas.
Cada segundo da vida é surpreendida por uma tempestade de ações que provoca uma imensa inundação de intensas sensações transbordando pelos olhos as lágrimas que escorrem pela face inexpressiva e congelada por não entender o que realmente acontece quando um milhão de sentidos se chocam causando assim um conflito de idéias e ideais onde a razão devora a emoção em uma forma voraz de sobrepor a frieza do cérebro ao pensar que um coração pulsa apenas por uma mecânica da natureza humana e não porque ele o faz pulsar também pela forma abstrata da pura essência humana conhecida pelo nome de sentimentos.
O amanhã há de chegar e nada o fará desistir de sua existência, não há como fugir e nem se esconder, palavras ditas não podem ser apagadas da linha do tempo e se alguém lhe ferir com gestos, pode ser que a ferida cicatrize no amanhã, mas as lembranças da dor e do sofrimento hão de seguir te por toda vida, será a única vez que o passado viverá no presente e em um tempo que ainda há de ser construído chamado de futuro.
Quem apenas enxergar o que queres imaginar irá olhar insistentemente para o vazio na esperança de encontrar algo que existe somente no imaginário individualista da obsessão.
O amanhã é como uma estrada escura onde não se pode ver os buracos e pedras que existem em todos os caminhos pelo qual caminhará independente das escolhas feitas no decorrer do presente e a cada pulsar do relógio a vida se torna passado.
O presente vencerá sempre essa batalha do tempo, pois o passado é apenas uma marca deixada por um presente onde tudo se concretiza de um futuro que ainda não existe.
Toda essência humana está na demonstração do afeto e essa forma de expressão é retribuída com o sentimento mais cobiçado pelo ser humano que busca no seu interior e no exterior explicar o inexplicável e que procura em sua razão o irracional de uma emoção que deve ser sentida e não teorizada com palavras para a inefável sensação que brota da alma e é transpirada pela pele causando o deleite dos corpos que se tocam alucinadamente no seu ritual instintivo e animal da preservação de sua espécie e do prazer que preenche todas as lacunas deixadas em seu âmago libertando o da sede de palavras que secam a sua boca para poder demonstrar verdadeiramente o seu amor...
Antíteses
Sorria com essa triste alegria.
Das dores marcadas a ferro
Que hoje esqueço lembrando de ti.
Saúdo a chegada de uma despedida
Encontro na dor a alegria esvaída
O doce sabor, amargo da ilusão
A minha culpa de um perdão
Que você não mereceu
Não valorizou o que era seu.
Estava a sua frente
Mas você foi atrás
Quer de volta o que se foi
E o que não volta nunca mais.
A vida é feita por escolhas
Você quis tudo escolher
Acabou sem nada ter.
O seu altruísmo egoísta
Fez o bem querendo o mal
Com o seu crer pessimista
Você começou pelo final.
Do amor só sobrevive a dor
Um samba pra se compor
E uma melodia pra te tocar.
Te fazer entender
Que ao seu lado eu sofri
E vivo bem sem o teu amor.
Preservação
O povo que não preserva a sua raiz, extingue-se por não saber cultivar a semente que lhe proverá o fruto para os que hão de nascer, perdido no purgatório sem rumo nem identidade própria, transforma a sua terra em um aterro sanitário, onde outros povos que se alimentam de seus próprios frutos gerados pelo cultivo de suas sementes, depositam os seus resíduos nessa terra que perdeu a sua raiz pela falta de preservação, os que sobram são obrigados a consumir os dejetos gerados por outras culturas, sem obter uma escolha de aceitar por ter uma vontade própria e não porque são obrigados pela sua escassez cultural.
Aquele que não preserva a sua própria cultura silencia a voz da razão, não sacia a fome de justiça, torna se cego para a ignorância e surdo para as mentiras.
Nunca foi errado admirar outras culturas, pois a evolução está na mistura, é apenas incorreto deixar morrer a própria.
O nosso idioma reflete em nossa musicalidade, a nossa paisagem na maneira de pintar e fotografar, o nosso jeito caloroso de ser na forma de atuar, por essa razão não podemos deixar nossas raízes secarem, pois um país sem personalidade artística não tem valor e o seus habitantes não possui o tal do respeito próprio de que tanto desejam, mas nada fazem por merecê-la.
