Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Era como se aquele beijo tivesse me condenado à prisão dos teus lábios; sou réu culpado desse amor proibido.
O amor e inesperado e, às vezes, é tão intenso que nos entregamos sem nos importarmos com sua real profundidade...
Me disseram que o amor é uma "plantinha" que você cuida todos os dias. Que você aduba, limpa, rega, etc.
A pessoa que cuida desta "planta" (amor) tem que estar bem para poder cuidar bem dela. Então, este homem ou
mulher que cuida da "plantinha" também precisa ser bem cuidado(a) pelo seu companheiro(a).
O amor é uma via de duas mãos, ida e volta. O amor é sentimento que existe entre duas pessoas onde os dois são responsáveis em o manter bem.
Se, quando um deles estiver mais frágil e precisar da força do outro e for abandonado ali não há amor. Mas egoísmo e falta de coragem em ajudar o seu próximo.
É fácil ajudar quem não convive com você ou simplesmente querer que o outro seja perfeito. Difícil é amar o outro quando lhe é revelado o humanismo. Pois o humanismo é imperfeito.
Você já viu amor jogado nas ruas? Eu já, vi também a alegria, o companherísmo inabalável, exemplos de uma vida simples e o fim da solidão. Tudo isso e muito mais embalados em um triste cão abandonado louco pra fazer aquilo que ele mais sabe, fazer alguém feliz.
" - Procura viver. Lembrar é para os mais velhos - dizia ele.
Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora e nos torne jovens quando a juventude já passou"
Se o amor é um verbo comece conjugando na primeira pessoa do singular, e depois acrescente o meu nome.
Faz parte da jornada ter que encarar decepções, mas faz parte também se vestir com a couraça do amor!
Permaneci
Estes dias, fomos amor.
A quilómetros de distância, no meio de uma pandemia
Despimos a alma
Deitamos as entranhas de fora, para amar.
Acreditamos estar certo que o longe era, na realidade, perto
e que podíamos germinar.
Apostamos. Jogamos tudo. Por dentro das horas da noite.
Através de plásticos brilhantes
ouvidos atentos e corações quentes.
E achamos que era o verdadeiro eu que estava no centro.
Mas não é a distância que mata. Não é o vírus que tememos.
É a fuga das palavras pesadas que magoam.
É a perda do tino por dentro.
É o confronto gratuito e vazio.
É o desrespeito que poderia ter sido eterno destino.
E então…
estes dias, estive contigo, dor.
Entrei dentro de ti e senti-te a fundo.
Ouvi-te e percebi o que querias dizer.
Ouço-te plenamente. Sinto-te profundamente.
Contudo, não entrarei nas tuas estranhas entranhas, façanhas.
O meu eu permanece. Tu não és o EU.
Eu tenho-te, dor. Eu não sou a dor.
Pela primeira vez consigo te avistar sem me perder em ti.
Saboreio-te, porque és dor de amor.
Talvez a melhor dor de sempre para sentir.
Perdi amor, ganhei dor, mas permaneci em mim.
Patricia Araujo,
Portugal In Antologia "Quarentena-Memorias de um país confinado" - Chiado Editora
