Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
O tempo passa rápido, mas,
Não tenha pressa de viver...
Não tente ser feliz...
Simplesmente,
Seja o motivo de alguém sorrir...
Passei tanto tempo colocando a dor no bolso, escondendo meus próprios problemas, porque os meus nunca pareciam prioridade. As circunstâncias sempre faziam da necessidade do outro algo maior, mais urgente, mais digno de atenção.
Até que veio o acúmulo. E com ele, a implosão
silenciosa, mas devastadora, causando danos profundos.
Agora estou aprendendo qual é o meu lugar de prioridade dentro da minha própria vida. Aprendendo a dar passos que antes nunca me foram permitidos.
Mas hoje surge um novo dilema nas circunstâncias da vida: minha dor já não cabe mais no bolso. Ela transborda, aparece até no silêncio. Tento guardá-la em uma gaveta, mas até essa gaveta está quebrada. E, ainda assim, a prioridade segue sendo cuidar de uma dor física, visível, aquela que todos conseguem enxergar.
E a que ficou em mim?
A que implodiu por dentro?
Existe forma de impedir que os danos ultrapassem os limites do aceitável, quando se viveu tanto tempo sem saber se colocar no próprio lugar?
Depois de um certo tempo,
Passei a me cobrar menos
e a deixar pra lá o que não me soma.
O que me soma, acrescenta, me transborda é DEUS.
No mais sigo despertando minha luz diante das escuridões que tentam se aproximar.
“Sabedoria é a arte de traduzir a dor do tempo em uma paz que ninguém consegue roubar.”
Suedson_Corey
"Retomar o projeto não é admitir o erro; é avisar ao tempo que a ideia sobreviveu à tempestade.”
@Suedson_Corey
“Meu foco é trabalhar e fazer dinheiro, falar mal dos outros
eu deixo pra quem tem tempo.”
@Suedson_Corey
“Você ainda tem tempo suficiente para se tornar tudo o que deseja ser na vida; vá mais além do que se pode imaginar.”
- Mas você é como vinho. Quanto mais o tempo passa, melhor fica!
- Pode ser...Mas quanto melhor o vinho, mais alto é o preço! Daí...
Eu sou como um livro
Eu sou como um livro esquecido na estante do tempo, com páginas amareladas pelo que senti demais.
Nem todos leem a capa, poucos chegam ao índice, mas cada palavra minha carrega um silêncio que só o coração atento consegue decifrar.
Há capítulos escritos à lápis, cheios de dúvidas, outros gravados à tinta forte da paixão.
Entre linhas tortas, guardei nomes, promessas, e um amor que virou poesia quando não coube mais no peito.
Algumas páginas estão rasgadas pela ausência, marcadas por lágrimas que borraram o sentido.
Mas até os erros têm sua narrativa,
pois é no conflito que a história respira e aprende a continuar.
Nem todo parágrafo é alegria,
há noites inteiras escritas em prosa escura.
Ainda assim, sigo aberto, página por página, porque quem ama de verdade não pula os trechos difíceis.
E se um dia alguém me ler até o fim,
vai entender que não sou só palavras.
Sou memória, sou estrada, sou entrega.
Um livro que não termina na última página, mas recomeça em cada amor que ousa me ler.
Porque as vezes é viver
Ele senta no escuro
como quem conversa com o próprio tempo,
a lua não responde,
mas também não vai embora.
O violão descansa no colo
sem pressa de ser tocado,
há noites em que o som é pensamento
e o pensamento já basta.
O céu espalha estrelas
como lembranças soltas,
nem doem, nem alegram,
apenas existem.
E ali, sem promessas ou pedidos,
ele fica mais leve,
porque às vezes viver
é só estar.
A Oficina dos Dias
Somos retalhos de vivências
alinhavados pelo tempo, sem pressa.
Cada um carrega no avesso do pano
o mapa de uma guerra, o sal de uma promessa.
Não nascemos inteiros. Fomos feitos
na oficina de perdas e achados.
Um pedaço veio do primeiro tombo;
outro, do beijo que ficou calado.
Buscamos sinais no passado
como arqueólogos de nós mesmos.
Escavamos a argila da memória
para entender o molde do que tememos.
E o que achamos? Um baú sem chave,
onde o riso dorme ao lado do pranto;
onde o nome que não dissemos
ainda ecoa num quarto.
Reciclamos paixões, sim.
Somos mestres em alquimia tardia.
Pegamos a cinza de um amor que não vingou
e fazemos dela nova poesia.
Tiramos do mar do esquecimento
náufragos que julgávamos mortos:
uma carta, um cheiro, uma música antiga,
e o peito vira cais, vira porto.
Nos deleitamos com as lembranças
não por fraqueza de quem não anda,
mas porque toda raiz precisa
da água escura que a expande.
Guardadas na alma, elas fermentam:
são vinho velho em pipa de osso.
Quando a vida aperta a garganta,
um gole de ontem desfaz o nó grosso.
Injetamos vida no que foi
com a agulha da insistência.
Ressuscitamos instantes banais
e os coroamos de transcendência.
Porque viver não é linha reta:
é espiral que volta e avança.
O menino que fomos nos olha
e cobra do homem a mesma esperança.
Somos feitos de fins que viraram meio,
de adeuses que aprenderam a voltar.
Cada cicatriz é uma costura
onde a luz resolveu morar.
E se alguém perguntar do tecido
que veste a nossa humanidade,
responde: é colcha de mil histórias,
remendada com dor, com fé, com saudade.
No fim, quando o corpo cansar
e a linha da vida se romper,
que nos enterrem com essa colcha:
pois fomos tudo o que deu para ser.
' Sei muito bem meu limite de ser sincera
e ao mesmo tempo sarcástica com alguém.
Minha grande definição da diferença;
é que minha sinceridade começa,
onde meu sarcasmo termina.'
—By Coelhinha
