Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
Nota: Trecho adaptado e adulterado de poema de Veronica Shoffstall.
O tempo passa com uma rapidez absurda e deixa todos os tipos de marcas em nós. Uma linha de expressão ao redor dos olhos pode parecer 'o fim' em um primeiro momento, mas sei que nela estão contidas histórias que um livro todo não poderia contar. O tempo muda nosso corpo, nosso rosto, nosso jeito de ver a vida. E no final das contas de que importa um quilinho a mais ou uma ruguinha nova se minha alma está mais em forma do que nunca!
Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições.
Só o presente é verdadeiro e real; ele é o tempo realmente preenchido e é nele que repousa exclusivamente a nossa existência.
Eu vi o tempo passar, vi pouca coisa mudar, então tomei um caminho diferente.
Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar, pediu, para irmos às ilhas gregas como tínhamos combinado naquela noite. Se podia voltar, insistiu, para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim, e aquela voz repetiu e repetia que me queria desta vez ainda mais, de um jeito melhor e para sempre agora.
Procurei em “Vinicius”, passeei por “Drumond”, dei um pulo em “Chico” e voltei por “Camões”, tentei achar em “Gilberto”, por “Cazuza”, “Betânia” e “Gal”, mas não achei um pequeno verso onde eu encontre nosso plural, deve ser porque nós dois é impossível de explicar, cada vez eu que penso em ti sinto um cheiro novo, tão longe e tão perto, cada detalhe te traz mais certo, uma música, uma lua, um vento, uma fotografia, nos meus sonhos, na minha realidade também, eu sempre fui assim, sempre transformei em versos meus sentimentos, boba? Menina? Sonhadora? Pode ser, mas acima de tudo apaixonada por você.
"É difícil lidar comigo, é complicado me entender. Às vezes grito, outras vezes não suporto nem ouvir minha voz. Às vezes me acho sem graça e chata, outras vezes discordo disso. Às vezes rio à toa, outras vezes me dói à alma ter que sorrir a alguém. Às vezes não tenho o mínimo de vergonha, outras vezes não consigo dizer “oi” a um estranho. Às vezes odeio todo mundo, outras vezes acho que foi precipitado generalizar. Às vezes me acho cheia de amigos, outras vezes acho que sou a pessoa mais solitária. Às vezes acho que odeio, outras vezes acho que gosto e em ambas às vezes, quase sempre mudo de opinião. Às vezes me acho burra por ter errado, outras vezes me acho inteligente por ter aprendido com o erro. Às vezes me sinto carente, outras vezes não quero que ninguém nem me abrace. Às vezes não consigo dormir, outras vezes não consigo acordar. Às vezes acho que chegou ao fim, outras vezes acho que só começou. Às vezes sou insegura, outras vezes sou um poço de segurança e certeza. Às vezes sinto demais, outras vezes sou uma pedra de gelo. Às vezes acho coisas demais, outras vezes acho que não acho nada e me sinto muito confusa para entender isso. Às vezes fico me sentindo perdida, outras vezes continuo me sentindo assim. Odeio decepcionar, mas às vezes nem percebo o quanto consigo magoar alguém só com minhas palavras."
Tenho deixado pelo chão muitas sementes de mim e colhido pouco do que brotou de outras pessoas, porque sei que a cada mudança de estação sou mais o que doei do que aquilo que recebi, sem esperar por gratidão.
Para você ganhar belíssimo Ano Novo...
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependimento
pelas besteiras consumadas nem
parvamente acreditar que por decreto
da esperança a partir de Janeiro
as coisas mudem e seja claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e
gosto de pão matinal, direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça
este nome, você, meu caro, tem de
merecê-lo, tem de fazê-lo novo,
Eu sei que não é fácil mas tente,
experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
dorme e espera desde sempre.
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
Adoro teu jeito de falar comigo.
Teu sorriso, tua alegria, tua liberdade.
Adoro teu jeito louco de ser.
Tuas tatuagens, e tua pele encostando na minha.
Adoro os seus “sins” que fazem meus dias mais felizes.
E adoro até seus “nãos” que me fazem rir de mim mesma.
Rir da minha loucura de querer você a todo custo.
Adoro seu jeito esquisito e carinhoso ao mesmo tempo.
Essa mistura e dosagem que só você sabe fazer.
Adoro quando me faz pensar além.
Além do que posso ser.
E ainda mais quando me faz sentir.
Sentir além do explicável.
Adoro quando você chega.
Quando você vem mesmo por tempo determinado.
Minutos, segundos e gestos contados.
Adoro até quando você vai embora.
Pois gosto saudade que vOcê me faz sentir.
Adoro quando você fica desconsertado.
E quando me questiona o óbvio.
Adoro nossos beijos proibidos
Nossas pequenas aventuras
As suas caras e o jeito que me olha.
Acho graça do seu jeito de insistir em não querer
E ainda assim querer mais ainda.
O grande problema, agora, é que você já está morando em meus pensamentos.
A imagem do seu rosto está estampada em meus olhos.
Seu olhar me fala: "Não sei realmente o que sinto. Mas fica aqui quietinho do meu lado. Não vamos passar disso, ao menos por enquanto!"
Estou ciente de que tudo isso não passa de uma grande cilada, que armei para mim mesmo.
Estou me algemando em você cada vez mais (as algemas já me machucam)
O amor se multiplica a cada sorriso teu.
Me balanço de ouvir sua voz chamando meu nome - quão aguda que atinge meu âmago!
Sim. Me aprisionei nos meus sentimentos, e não sou nenhuma vítima.
O tempo vai me libertar, eu acredito!
Mas, se liberte de mim primeiro.
Não me perpetue com essa amizade toda bagunçada - como uma sala revirada por uma criança inocente.
Faça com que eu te odeie.
Cuspa em mim, me humilhe, chute minha cara...
Me mata de vez! Acaba com esse sofrimento contínuo, que parece sem fim - essa cava depressão!
Desaparece do meu mundo. Aliás, não seja o meu mundo.
Desaparece de mim, dos meus sonhos, dos meus planos futuros...
Ou senão se entrega de vez. Se joga em meus braços. Aprenda a me amar, assim como eu te amo.
Já estou cansado de disparar balas de canhão, e ser impedido por um grão vizir, assim como o Zé.
Estou cansado de atirar limões n'água e receber respostas de peixinhos consoladores, como Drummond.
Também me cansei de jurar tanto, como o saudoso Tim Maia. (Foram tantos "Por você", tantos... Não dá pra contar nos dedos).
Chega!
Chega de cegueira amorosa.
Chega de desamores.
Chega de você.
