Amor não se Pede
A minha felicidade é autônoma e independente.
Não pede licença,
não mendiga afeto,
não negocia solitude
em troca de migalhas emocionais.
Ela não se apoia
em promessas frágeis,
nem se pendura
no humor alheio dos dias.
Aprendeu a caminhar sozinha
sobre cacos,
sobre ausências,
sobre o que veio
e partiu para o além
e o que não veio...
Não confunde companhia
com salvação,
nem presença
com pertencimento.
A minha felicidade
não nasce dos sorrisos e risos,
não necessita de aplausos e frases feitas
nem morre na minha solitude.
Ela existe.
Inteira.
Mesmo quando algo me falta.
✍©️@MiriamDaCosta
"Caio já dizia..Tenho dias lindos, mesmo quietinhos, mas às vezes o coração pede pausas pra entender o que se passa lá dentro, o porque dessa inquietude, desse desassossego da alma.Se for para ouvir alguém, que seja o seu coração, só ele sabe dos seus sacrifícios e renúncias, das suas dores, das suas lágrimas, que vez ou outra molha o travesseiro pra desafogar o peito.Então daqui pra frente será ele que guiará meu caminho, pois sei o que carrego de bonito dentro dele, e se por acaso ficar um pouco distante, e parecer que desisti, não se engane, é só meu jeito amoroso de te esperar.
Deus nunca deixa de ouvir nossas orações; apenas nos pede paciência para esperar, e, se a resposta não vier como queremos, é porque Ele já preparou algo melhor lá na frente.
Que hoje Deus te conceda a bênção que você sempre pede nas suas orações, e que ela chegue mansa, como quem já conhece teu coração. Que ele te guie e proteja em passo do teu dia.
A Vontade e a Raiz
O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.
Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.
E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.
Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.
Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.
Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.
Domingo não pede pressa, o mundo desacelera só pra ver se você repara que viver às vezes é isso: um instante que, no próximo segundo, já é outro instante.
" A paixão não pede licença à razão. Ela entra como tempestade e permanece como chuva fina em destino. "
A DOR.
A dor não bate à porta; entra.
Não pede licença às alegrias, nem consulta os calendários da esperança. Vem quando o céu parece mais azul, quando a mesa está posta para a felicidade ou quando a alma, iludida, acredita haver encontrado repouso.
Há quem a amaldiçoe, chamando-a de tirana. Há quem a receba como sentença. Mas a dor, essa peregrina austera, nada possui de caprichosa. Caminha silenciosa pelos séculos, ceifando ilusões para semear verdades.
Ela derruba os soberbos, porque o orgulho não floresce sobre lágrimas. Cala os vaidosos, porque a vaidade se desfaz diante do túmulo. Desnuda os poderosos, porque a morte não distingue coroas de andrajos.
É no cadinho da dor que o homem conhece a fragilidade da própria grandeza.
Quantos ergueram palácios e não souberam construir um coração! Quantos ajuntaram moedas e morreram mendigando um gesto de afeto! Quantos venceram o mundo e perderam a si mesmos!
A dor contempla tudo isso sem escárnio. Apenas espera.
Espera que o orgulho se ajoelhe, que a revolta se canse, que o desespero silencie, para então revelar, entre os escombros da existência, uma centelha de eternidade.
Porque toda lágrima que nasce da consciência vale mais do que mil sorrisos comprados pela ilusão.
Bem-aventurado não é o homem que jamais sofreu.
Bem-aventurado é aquele que, depois de sofrer, tornou-se mais justo, mais compassivo e mais humano.
Se a dor visita teu caminho, não a transformes em ódio.
Transforma-a em luz.
Porque o sofrimento que apenas endurece o coração é tragédia; mas o sofrimento que desperta a consciência converte-se em sublime redenção.
E quando, por fim, a noite cerrar seus véus sobre a derradeira jornada, compreenderás que a dor nunca foi tua inimiga.
Foi a severa mestra que, sem promessas fáceis nem palavras lisonjeiras, ensinou tua alma a caminhar em direção ao infinito.
Hoje o brinde é diferente: é por quem segura os outros de pé e nunca pede pra ser segurado de volta.
Quem continua em pecado e pede desculpas não ama a Deus, ama a própria vontade.
Desculpas não limpam o coração!
Ás vezes a alma não pede respostas, pede descanso, dar-se pausa é escolha de sabedoria, no silêncio a força volta a nascer, descansar é preparar-se para recomeçar.
A resistência não é a ausência de dor, mas o ato de respirar fundo quando tudo pede que você desista.
Não há redenção sem um preço que se paga em silêncio. A voz pede espetáculo, mas a terra exige humildade. Quero pagar com gestos que ninguém registra. Com a moeda singela de cuidar de dias sem holofotes. E assim entendo que remissão é trabalho debaixo do pano.
A fé genuína é questionadora, não aceita respostas prontas. Ela pede provas, duvida e, depois, acredita com convicção medida. Essa fé é adulta: não precisa de cenários épicos para existir. Vive de pequenos milagres domésticos e de evidências quietas. E se fortalece no exame honesto dos próprios limites.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
A chuva hoje tocou a janela como quem pede licença para entrar. Dentro de mim há móveis que rangem com lembranças. As palavras saem mansamente, como se pedissem perdão. Às vezes penso que sou feito de corredores vazios. E nesses corredores ecoam os passos que um dia me ensinaram a voltar.
