Amor Impossivel por Causa da Distancia
A espera valerá bem
mais do que imagino,
Quando chegar
a nossa primavera,
Será em ti que vou
me perder,
E isso fará todo o sentido.
A NEGAÇÃO DO SENTIDO HUMANO E A PERDA DO PROPÓSITO CRIADOR.
Este artigo propõe uma análise acadêmica de natureza filosófica e antropológica da afirmação segundo a qual aquele que declara que nada somos no mundo distancia-se do propósito do Criador mesmo sem o conhecer. A investigação parte da compreensão do sentido existencial do ser humano ao longo da tradição clássica e espiritual, examinando as implicações psicológicas, morais e metafísicas da negação do valor ontológico da pessoa. Conclui-se que tal negação não constitui apenas um equívoco intelectual, mas uma ruptura profunda com a vocação essencial do espírito humano, que é a realização do sentido, da responsabilidade e da transcendência.
"PALAVRAS CHAVE"
Sentido da existência. Antropologia filosófica. Finalidade espiritual. Psicologia do vazio. Ética do ser.
"INTRODUÇÃO"
A afirmação de que o ser humano nada é no mundo tornou-se recorrente em discursos marcados pelo niilismo contemporâneo e por leituras fragmentadas da realidade. Tal postura não surge apenas como construção teórica, mas como reflexo de uma crise mais profunda de sentido, identidade e pertencimento. Ao declarar-se inexistente em valor ou finalidade, o indivíduo não apenas se descreve, mas redefine sua relação com o mundo, com o outro e com aquilo que transcende a matéria. A frase que orienta este estudo revela, em sua concisão, uma crítica severa a essa postura, apontando que a negação do próprio valor conduz inevitavelmente ao afastamento do propósito criador, ainda que este não seja conscientemente reconhecido.
"FUNDAMENTAÇÃO ANTROPOLÓGICA"
Desde a tradição clássica, o ser humano foi compreendido como um ente dotado de finalidade. Não se trata apenas de existir, mas de existir para algo. A ideia de propósito não é acessória, mas constitutiva da noção de humanidade. Negar o próprio valor equivale a negar a própria condição de ser, reduzindo a existência a um fenômeno acidental e desprovido de significado. Tal redução empobrece a compreensão da consciência, da moral e da liberdade, elementos que historicamente definem o humano como mais que um organismo biológico.
"IMPLICAÇÕES PSICOLÓGICAS DA NEGAÇÃO DO SENTIDO"
No campo psicológico, a afirmação de que nada somos manifesta-se como sintoma de vazio existencial. A ausência de sentido gera desorientação, angústia e apatia, conduzindo o indivíduo a estados de desânimo profundo e perda de responsabilidade sobre si mesmo. Quando o sujeito internaliza a ideia de insignificância, enfraquece-se o impulso de crescimento, de cuidado e de compromisso. O resultado não é liberdade, mas abandono interior. Assim, a negação do propósito não liberta, mas aprisiona a consciência em um estado de estagnação afetiva e moral.
"DIMENSÃO ESPIRITUAL E PROPÓSITO CRIADOR"
A noção de Criador, independentemente da tradição religiosa específica, representa simbolicamente a origem do sentido e da ordem. Perder-se do propósito do Criador não significa desconhecer dogmas, mas afastar-se da lógica do sentido, da harmonia e da responsabilidade. Mesmo aquele que afirma não conhecer o Criador pode alinhar-se ou afastar-se de seu propósito pela forma como compreende a si mesmo e ao outro. A negação do valor próprio constitui, portanto, uma recusa implícita da finalidade maior da existência, que é o aperfeiçoamento do ser e sua integração consciente no todo.
"CONSEQUÊNCIAS ÉTICAS E SOCIAIS"
Quando o indivíduo acredita que nada é, o outro também se torna nada. A ética enfraquece, a solidariedade se dissolve e a dignidade perde fundamento. Sociedades marcadas por essa visão tendem a relativizar o valor da vida, da justiça e do cuidado mútuo. A afirmação inicial, portanto, ultrapassa o âmbito individual e alcança dimensões coletivas, advertindo que a negação do sentido humano compromete não apenas o sujeito, mas a estrutura moral da convivência.
"CONCLUSÃO"
Aquele que diz que nada somos no mundo não apenas se equivoca conceitualmente, mas se afasta da própria raiz do existir. Mesmo sem conhecer conscientemente o Criador, perde-se de seu propósito ao negar em si aquilo que o torna humano, responsável e transcendente. Reconhecer o valor do ser não é um ato de vaidade, mas de lucidez. É nesse reconhecimento que o espírito reencontra o sentido, resgata sua dignidade e reafirma sua vocação de caminhar, aprender e edificar, mesmo em meio às sombras do tempo presente.
Ofício
O artesão observa em reflexão
O projeto em suas mãos
A projeção do que pode ser
A obra que modela
Como uma criança que forja
Seus sonhos em caravelas
Guiadas no mar da esperança.
Não há desespero que tome
O coração do artesão
Quando em seus devaneios
Se inebria no baile das ilusões
Como aquela mesma criança
Que nunca sonhou em vão.
Entender a vida, por si só, é uma arte. É olhar a existência nos olhos, e deixar-se guiar pelas trilhas que o mundo provém. É saber distinguir cada passo, e compreender os desígnios do futuro para além das expectativas, mas como quem sonha e faz acontecer. É notar a si mesmo como elemento fundamental da própria história, e não como um coadjuvante que tudo vê. É permitir-se ser livre, mesmo dentro das amarras que as circunstâncias podem trazer. É compreender o próprio tempo, alinhando as arestas que delimitam a imposição do outro no nosso querer.
Entender a vida é uma arte. Ser autor dela também.
Horizontes
Deixaste-me ir
Tu que me devoras
Para longe, longe
Buscar novos pares...
Ou novos ares
De solidão.
Voltei.
Tem tu certeza, então
De que meu coração
A ti dedicarei
Por quanto durar
A eternidade.
Fora dele
Num dia chuvoso
À espera de um feixe de luz
Meu coração.
Que cambaleava inquieto
Em pura aguaça de emoção.
Pelas ruas em que fora
Enxovalhado por olhos cristãos.
Que em lama de caos
Atiraram sua esperança
E deixaram-lhe a desilusão.
De quem ama.
De quem sofre.
De quem vive
Em solo pagão.
O maior peso do mundo
É distribuído em sete letras
Que formam o que chamamos
De saudade.
Só sente o peso dessas letras
Quem pode dizer com orgulho
Que, em vida,
Amou.
O que aprendi com a vida
Aprendi a valorizar os pequenos momentos. Cada detalhe do dia a dia, que, muitas das vezes, passam despercebidos.
Aprendi a valorizar os velhos amigos, os que compartilham suas preocupações comigo e com quem, por consequência, sei que posso contar.
Aprendi a valorizar a família, e entender que, acima de tudo, família não se constrói necessariamente por relações de sangue, mas com relação de amor, reciprocidade e confiança.
Aprendi a valorizar as pequenas conquistas do cotidiano, e que vitórias maiores sempre vêm a seu tempo, e que é importante ter paciência para entender cada processo.
Aprendi a ter autoconsciência sobre minhas falhas, minhas limitações, mas, especialmente, minhas forças, e o quão longe elas podem me levar, superando diversos obstáculos e desafios.
Aprendi, principalmente, a me amar. Compreender meu lugar, e visualizar os espaços em que posso caber. E a me retirar quando ali já não sou mais bem-vindo.
Aprendi a me enxergar como meu melhor amigo. Aquele que ninguém tira, e nada substitui. Eis o que aprendi com a vida.
Acordamos todos os dias com uma missão grandiosa, mas não tão simples: a missão de amar.
Ao longo do dia, esbarramos em obstáculos que, certamente, não estão em nosso controle: os desejos e particularidades das outras pessoas, seus processos de reflexão, aceitação e suas questões intrínsecas, seus acessos de fúria e de confusão. Nesse momento, costumamos questionar nossa missão, sabatinar nossas intenções, inquirir nossos sentimentos. Ao fim do dia, no entanto, pessoas serão pessoas, com suas peculiaridades, seus altos e baixos, idas e vindas e traumas próprios. Criamos, então, nossos perdões internos para cada atitude que, de alguma forma, nos magoa, tira do equilíbrio, embarga nosso projeto de amar. A pergunta é: você tem se incluído em tudo isso? Tem compreendido suas questões particulares? Tem aceitado sua humanização? E, principalmente, tem se perdoado?
Como podemos levar à frente uma missão que já se inicia em xeque quando você falha em amar a primeira pessoa que aparece em seu dia, você?
Em um mundo perfeito
Onde a flor tem o direito
De florescer sem se camuflar
De encantar a si mesma com sua beleza
De trazer para o mundo a leveza
De quem sabe do que pode mostrar
Sem se esconder pelo que tem
Mas se amando pelo que é
Onde o tintinar dos sinos
Traz a alegria de um novo dia
Para que essa flor, já murcha,
Saiba que é hora de resplandecer
E, em sua nobreza, o tempo florear.
Oh, solidão acerba
Que, em mares desconhecidos,
Navega rumo à mansidão do infinito
Buscando um horizonte perdido
Através de espelhos d'água
Que se confundem com reflexões
Profundas como o mais vasto oceano
Que abraça cada pedaço de saudade
De quem, só, sofre calado.
Pensamentos que afogam
Embaraçam, pressionam.
Só te arrosta quem amou
E quem ama em vastidão
Outro coração, outros corações
Em distante escalada.
Eis o que move a vida:
Aprender a dançar
A dança da Solidão.
Esperava calmaria em minha solidão
Frente aos mares mais severos
Perante ira de um grande furacão
E da seca de meus prantos austeros
Vi a sombra do meu desespero
Com os olhos que ardem de paixão
E a chuva mais tórrida de janeiro
Que leva minhas lágrimas em vão
Misturei-me ao soneto que lhes trago
Como forma de manter-me em ilusão
De que a vida nos concede seu afago
A fim de dar sossego à minha aflição
Escrevo estas palavras tão simples
Como versos vindos de meu coração.
Há uma diferença entre ser tolerado e ser quisto; ser engolido e ser bem-vindo; ser aturado e ser amado. Esse liminar pode ser representado como uma fenda enorme ou uma linha tênue, dependendo da forma como enxergamos ou queremos enxergar a sua forma. Compreender isso é dar um passo em direção à compreensão de vida.
Celebro o teu beijo
em cada rincão
do meu corpo
eis o meu segredo.
Não sei se és
minha realidade,
no fundo sinto
que já sou
a tal chama
que em ti arde.
Sou a confiança
de uma criança
que pede por ti
para não temer
a noite escura.
Orgulho solene
de me sentir
erótica, quente
e rica como
uma divindade
por ter feito
você satisfeito
adormecer entre
os meus braços.
Sem você
me ver
te beijo
com igual
entusiasmo
de dois jovens
sob o luar
numa cidade
esquecida
e abraçados
no portão
de casa.
Darei este
beijo casto
para receber
o teu ainda
mais puro
em troca,
e com franca
intenção
de ganhar
o teu lindo
coração.
Algo diz
que isso
ocorrerá
no tempo
certo que
é o tempo
que não
importa,
a vida nos
surpreenderá
na porta
como nunca
aconteceu.
O importante é que
o desejo de estar
no mesmo caminho
tem sido o presente
superar os obstáculos
do destino e tornado
a espera contente.
A vida brinda
a cada um de nós
com amores possíveis
e os impossíveis
para termos forças
para superar
as tempestades
que sugerem
ser implacáveis.
O imprescindível é
que nós nos temos
de olhos fechados,
e com o mesmo
fervor de jovens
enamorados
e a confiança
no giro dos astros.
