Amor Espiritual
A maior ilusão é acreditar
que o amor entre duas pessoas
aumenta naturalmente com o passar do tempo,
pois se as pessoas são seres
que enfraquecem com o tempo
o que ela sentem também o será,
dessa forma devemos procurar
fazer de tudo para que esse enfraquecimento
seja o mais lento possível.
Como o corpo precisa de atividades físicas
para se manter por mais tempo ativo na vida,
o amor necessita de mais cuidados
para se manter vivo entre os que se amam.
Amor é troca, paixão é anulação.
Amor é cuidar e ser cuidado,
paixão é só cuidar.
Amor nos remete à racionalidade,
paixão à irracionalidade.
Amor nos faz viver uma realidade,
paixão pode nos conduzir a uma ficção do amor.
As declarações de amor são importantes e necessárias para a longividade de uma relação, mas erão apenas palavras se não forem expressadas pelos os atos.
As declarações de amor contribuem para a construção de um relacionamento, mas o verdadeiro operário que soloidifica o que foi construído, se chama ato.
Eu quero um amor que não seja covarde. E não falo de guerras, heróis ou moinhos, falo do amor que não foge do cotidiano. O que lava a louça, compartilha o silêncio, segura a mão sem medo do tédio. O amor corajoso não é o que promete eternidade, mas o que se faz presente nas miudezas, nas falhas, nos dias em que o afeto parece coisa rara. É o amor que sabe ficar, mas também partir com dignidade, sem transformar distância em castigo. O que confia, mesmo quando não entende. O que não precisa vigiar para acreditar. Amar, afinal, é permitir que o outro seja casa — mesmo quando a vida muda o endereço.
A Casa do Pai
O amor não veste terno de julgamento,
Nem pede que você esconda a sua dor.
O abraço do Sagrado é acolhimento,
É descanso, é remédio, é puro afeto e calor.
Se a religião te fez sentir pequeno,
Se te deram pedras em vez de pão,
Saiba que o céu não guarda esse veneno:
Deus é o alívio para o seu coração.
Ele não quer a sua perfeição fingida,
Nem a culpa que te faz curvar o olhar.
Ele quer a sua alma livre, erguida,
Com espaço para sorrir e respirar.
Desarme o peito, esqueça a aspereza.
A luz divina é leveza, é mão estendida.
Quem ama de verdade não apaga a sua luz,
Mas te acende de novo para a vida.
Sensato Coração
(Amor pela Vida)
A vida nos ensina á fazer coisas loucas, nos ensina á andar por caminhos diferentes todos os dias; nos ensina á amar, chorar, sorrir, cair, levantar, nos ensina ás mais diversas emoções.
A vida é para ser vivida das mais diversas formas que existe; não é difícil viver, não é impossível achar a vida bela; abra os olhos, sinta a vida, junto com a primavera.
Quando Deus criou tudo isso, foi por um propósito, foi para mostrar que a vida é divertida de viver, para mostrar que a Criação não foi em vão e que a natureza é uma das coisas mais linda que Ele criou.
Oh, sensato coração, nunca me deixes na mão, eu preciso aprender a viver, eu preciso aprender á amar, preciso olhar á vida, como uma forma de Amor, preciso aprender a perdoar. Oh, sensato coração, porque tem que ser assim? Porque forçamos sentimentos, sem eles existir? Porque maltratamos nosso próximo? Porque julgamos se sabemos que isso é permitido apenas para Deus? Oh, sensato coração, me ensinar a viver a vida melhor, me ensina a amar o meu próximo. Oh, sensato coração.
Amor de Infância
Quando tempo fique te esperando, eu dormia e acordava de beijando, sonhava com você todos os dias, você era a única pessoa que eu queria. O tempo passou e você foi embora levou com você a nossa história, e comigo ficou as lembranças das coisas que fazíamos na nossa infância.
Eu não sabia o que dizer, eu não sabia o que falar simplesmente aconteceu você na minha vida, eu não sei se era o certo, eu não sei se era assim, mas o nosso amor de infância nunca terá, nunca terá um fim.
Deus nos abençoou, Deus nos protegeu, não sei porque somos assim mas temos o amor para nós unir, nada poderá nos separa, nada nunca irá nos fazer chorar, pois o nosso amor de infância para sempre vai durar.
O Primeiro Amor
Cresci escutando que o primeiro amor da vida de uma menina é o pai. Nunca ouvi tanta mentira caber em tão poucas palavras.
Porque o primeiro amor de um filho não deveria ser definido pelo gênero, mas pelo vínculo, pelo cuidado, pelo lugar onde o coração encontra o primeiro abrigo. E, para mim, esse primeiro amor sempre foi a mãe.
É nela que encontramos conforto, é no colo dela que descobrimos aconchego, é na voz dela que encontramos calma quando ainda nem sabemos explicar o que sentimos. É através dela que a vida começa, é dentro dela que, antes mesmo de conhecermos o mundo, já somos existência, já somos parte de alguém.
Antes de aprender a amar qualquer outra pessoa, aprendemos o amor através dela. Antes de conhecer qualquer paixão, conhecemos o calor de um colo. Antes de entender o significado de pertencimento, já pertencemos a alguém.
Talvez o primeiro amor não seja aquele que nos ensina a amar romanticamente. Talvez seja aquele que nos ensina, pela primeira vez, o que significa ser amado.
E é por isso que nunca consegui enxergar verdade nessa frase que colocaram tantas vezes como regra. Porque amor não é uma fórmula, não é uma sentença pronta e muito menos uma definição baseada em gênero.
O primeiro amor é aquele que nos acolhe quando ainda somos pequenos demais para compreender o mundo. É aquele que nos reconhece antes mesmo de sabermos quem somos. É aquele que nos oferece abrigo quando tudo ao redor ainda é desconhecido.
E, para mim, esse amor tem nome: mãe.
Porque antes de qualquer romance, antes de qualquer paixão, antes de qualquer pessoa que um dia possa chegar e ocupar espaço no coração, existe aquela que nos ensinou, mesmo sem palavras, que amar também é cuidar, proteger, acolher e permanecer.
O primeiro amor não é necessariamente quem um dia fará o coração bater mais forte.
É quem, um dia, ensinou esse coração a bater.
O Pecado de Escolher a Paz
Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.
Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.
Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?
Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.
Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.
Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.
Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.
Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.
E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.
Porque, no fim, aprendi a duras penas:
nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.
Pequenos detalhes
o amor se revela no simples,
numa flor, num calor, numa nuance,
porque quase tudo que importa
cabe no pouco
antes que o medo alcance.
amar nunca me pareceu complexo.
complexo é interpretar silêncio,
prever ausência,
conjugar o futuro
antes de aprender o presente.
o medo tem essa mania
de transformar ponto em reticência,
carinho em hipótese,
e qualquer demora
em evidência.
quero te amar, e amar, e amar,
até gastar o verbo
de tanto o conjugar.
sem procurar antítese no afeto,
sem fazer do erro um presságio,
sem transformar cada detalhe
num argumento contrário.
quero ser frágil sem ser pouco,
vulnerável sem pedir garantia,
deixar que você conheça
o que eu escondo até de mim
nos dias de covardia.
quero errar sem fazer do erro
uma profecia do final,
porque já perdi coisas bonitas
tentando encontrar perigo
em todo ato banal.
"Nenhuma rosa se entrega ao golpe do machado. O amor verdadeiro floresce apenas nas mãos que aprenderam que esperar é a mais profunda forma de cuidar."
"Há mares que escondem corpos, mas nenhum oceano é profundo o bastante para afogar o amor. O que a eternidade acolhe jamais desaparece; apenas aprende uma nova maneira de permanecer."
NA SEARA DO AMOR:
O DISCÍPULO É RECONHECIDO PELO QUE SENTE E PRATICA.
Marcelo Caetano Monteiro.
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
— Jesus, João 13:35, Bíblia de Jerusalém
Introdução:
A marca do verdadeiro trabalhador do Cristo.
Jesus, em sua sublime pedagogia moral, legou à Humanidade não apenas um código de virtudes, mas o sinal distintivo de seus verdadeiros seguidores: o amor fraterno vivido com autenticidade. A frase “Os meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem” é uma síntese interpretativa fiel do Evangelho segundo João 13:35. Esse ensinamento ecoa na Doutrina Espírita como pilar da regeneração do homem de si para as sociedades universais.
Com Jesus e Kardec aprendemos amor como Identidade Espiritual.
No Espiritismo, o tema do amor como reconhecimento do discípulo fiel é central.Em O Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente:
Capítulo XI – Amar o próximo como a si mesmo,
Item 4: “Fora da caridade não há salvação”, reafirmando que o amor ao próximo é o verdadeiro sinal da elevação moral.
Item 13: Os Espíritos nos dizem que “o amor resume a doutrina de Jesus inteira, porque esse é o sentimento por excelência.”
Em O Livro dos Espíritos, encontramos o fundamento dessa moral elevada:
Questão 886: Quando Kardec pergunta qual o verdadeiro sentido da caridade, os Espíritos respondem: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
O Evangelho segundo o Espiritismo:
Capítulo XVII - Sede perfeito.Os bons espíritas “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações."
A frase retoma a mesma ideia do Cristo: é pela conduta amorosa diária, nos esforços empreendidos com o real desejo de se melhorar que se reconhece o discípulo.
Na Revista Espírita, edição de julho de 1865, há um texto de Allan Kardec intitulado O egoísmo e o orgulho – causas do sofrimento, no qual ele ressalta:
“Enquanto o homem não colocar o amor ao próximo acima de suas vaidades e interesses mesquinhos, não poderá dizer que segue a Cristo.”
Léon Denis: A Dinâmica do Amor no Coração do Trabalhador.
Em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Léon Denis aprofunda o ideal cristão sob a luz da razão:
Capítulo XX – O Dever, ele escreve:
“O amor é a força suprema que rege os mundos; o dever é a aplicação do amor. Quem ama,serve. Quem serve, realiza o bem.”
Em O Grande Enigma, no Capítulo XVI – O Culto do Belo, Denis aponta:
“O verdadeiro discípulo do Cristo é aquele que faz da sua vida um apostolado silencioso,irradiando a luz do bem por onde passa.”
Joana de Ângelis: A Psicologia do Amor como Alimento da Alma.
Na obra Vida Feliz (Divaldo Franco – Espírito Joana de Ângelis):
Mensagem 45:
“Ama sempre,mesmo quando não sejas correspondido,porque o amor é fonte que desata correntes e dissolve as algemas do sofrimento.”
Em Jesus e Atualidade, capítulo 1 – Discípulos de Jesus:
“O discípulo real do Mestre é o que ama sem impor,serve sem exigir,permanece quando todos partem,e se sacrifica em nome do bem.”
Joana nos apresenta o amor não como emoção instável,mas como decisão de doação contínua, que é o verdadeiro critério de reconhecimento espiritual.
Raul Teixeira: O Trabalhador da Seara de Coração Humilde.
No livro Na Seara do Mestre (Espírito Camilo – psicografia de Raul Teixeira):
Capítulo "Discípulos de Ontem, Servidores de Hoje",encontramos:
“Jesus não busca especialistas em letras, mas corações dóceis e voluntários.O sinal é o amor:quem ama,não cansa de servir.”
Raul reforça o caráter prático do amor no cotidiano das casas espíritas, no acolhimento, no passe, na escuta fraterna formas pelas quais o discípulo se revela.
Aplicações na Seara: O Amor como Ação
A seara de Jesus não é feita de teorias, mas de mãos estendidas,gestos anônimos e sacrifícios discretos.Os trabalhadores espíritas são convidados a ser reconhecidos pelo que sentem,mas principalmente pelo que praticam em silêncio,com doçura,renúncia e espírito de cooperação.
Quem se oferece ao serviço na Seara do Cristo deve trazer no coração a sua insígnia: a bondade ativa.
*Conclusão Consoladora.
O verdadeiro discípulo não é o que fala mais,nem o que se destaca aos olhos do mundo,mas aquele que ama discretamente,que perdoa com sinceridade,e que serve mesmo quando incompreendido.
Lembremos as palavras do Mestre:
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
(João 13:35)
Que cada gesto nosso,cada palavra e cada renúncia seja como uma pétala de luz ofertada ao Cristo,para que a seara floresça onde houver espinhos.
“Na obra do bem,não importa o tamanho da tua missão,mas que tenhamos a nossa no cerne íntimo imantado ao tamanho do nosso amor.”
Referências:
Bíblia de Jerusalém – João 13:35
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, itens 4 e 13.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 886 e 917.
KARDEC, Allan. Revista Espírita, julho de 1865, artigo O egoísmo e o orgulho – causas do sofrimento.
DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor, cap. XX – O Dever.
DENIS, Léon. O Grande Enigma, cap. XVI – O Culto do Belo.
JOANA DE ÂNGELIS. Jesus e Atualidade, cap. 1.
JOANA DE ÂNGELIS. Vida Feliz, mensagem 45.
CAMILO (espírito), psicografia de Raul Teixeira. Na Seara do Mestre, cap. “Discípulos de Ontem, Servidores de Hoje”.
